Sinopse

Juba e Lula são dois surfistas, amantes também de outros esportes radicais, como vôo livre, caça submarina e motocross. A profissão da dupla é uma versão moderna do famoso “viver de bicos”: armações em geral. Eles tem uma empresa de prestação de serviços, a Armação Ilimitada. Com ela, realizam trabalhos em terra, céu e mar.

Os dois dividem um apartamento com Zelda Scott, uma jornalista que tem como melhor amiga a gordinha Ronalda Cristina, e um neurótico como chefe, o editor do jornal Correio do Crepúsculo, que encarrega Zelda das mais mirabolantes reportagens. Zelda Scott, filha de exilados políticos e tiete de Simone de Beauvoir, namora Juba e Lula ao mesmo tempo. Os rapazes são apaixonados por ela, que não consegue decidir com qual deles prefere ficar. Para completar, chega ao apartamento o garoto Bacana, um menino órfão que passa a viver com eles. Bacana é o secretário da firma de armações dos surfistas
e “a pessoa mais coerente” lá dentro.

Juntos eles formam uma pequena família e se metem em uma série de confusões, lutando para resolver seus problemas financeiros e de relacionamento.

Globo – 21h30
de 17 de maio de 1985
a 8 de dezembro de 1988
40 episódios

criação de Euclydes Marinho, Patrícia Travassos, Antônio Calmon, Nelson Motta, Daniel Más e Christine Nazareth (1985)
Patrícia Travassos, Antônio Calmon, Daniel Más, Charles Peixoto, Vicente Pereira e Mauro Rasi (1986)
Patrícia Travassos, Antônio Calmon, Charles Peixoto, Vicente Pereira, Mauro Rasi, Maria Carmem Barbosa e Guel Arraes (1987)
Patrícia Travassos, Antônio Calmon, Charles Peixoto e Vinícius Vianna (1988)
direção de Guel Arraes (1985/86/87/88), Mário Márcio Bandarra (1986/87/88) e José Lavigne (1987/88)
direção geral de Guel Arraes

KADU MOLITERNO – Juba
ANDRÉ DE BIASI – Lula
ANDRÉA BELTRÃO – Zelda Scott
JONAS TORRES – Bacana
CATARINA ABDALLA – Ronalda Cristina
FRANCISCO MILANI – Chefe
NARA GIL – Black Boy
1988:
PALOMA DUARTE
CAIO JUNQUEIRA
MARCELO DOS SANTOS
CARLOS BODIM
1985
– um triângulo de bermudas – com Paulo José, Jorge Fernando e Cláudia Gimenez
– vida de tiete – com Miguel Falabella, Scarleth Moon, Mônica Torres e Rosita Tomaz Lopes
– se a canoa não virar – com Maurício Mattar, Paulo José e Paulo César Pereio
– o prefeitável – com Luiz Fernando Guimarães, Chico Anysio e Oswaldo Loureiro
– o corcel malhadão – com Gracindo Jr., Pedro Cardoso, Ângela Figueiredo e Antônio Pedro
– nas malhas da rede – com Carla Camuratti, Patrícia Travassos, Tânia Bôscoli, Bia Nunnes e Os Trapalhões
– o caso júnior filho – com Mário Lago, Jorge Fernando, André Valli, Zezé Macedo e Wilson Grey
– o melhor de todos – com Lucélia Santos e Luiz Fernando Guimarães

1986
– o surfista e o milionário – com Paulo Villaça
– a bruxa – com Patrícia Travassos
– uma dupla do peru – com Luiz Fernando Guimarães e Evandro Mesquita
– os olhos de zelda scott – com Louise Cardoso, Diogo Vilela e Denise Bandeira
– jambo para matar – com Marcelo Ibrahim
– o canto da sereia – com Bianca Byington, Jacqueline Laurence e Cláudia Raia
– meu amigo mignum – com Sérgio Mamberti
– é o fim do mundo – com Felipe Pinheiro
– a outra (26/09) – com Tânia Alves e Chico Diaz
– muito além da armação (17/10) – com Luiz Carlos Arutin
– contatos imediatos do 4º grau (14/11) – com Christiane Torloni e Sandra Sá
– o fantasma do rock (28/11) – com Miguel Falabella e Regina Casé
– jararaca, o cabra (05/12) – com Zezé Motta e Maurício do Valle
– perdidos na selva (19/12) – com Evandro Mesquita e Débora Bloch

1987
– verão 87 – com Selma Egrei, Paulo César Grande, Patrícia Pillar e Raul Gazolla
– a dama de couro – com Débora Bloch, Paulo César Pereio e Lúcio Mauro
– sua majestade, o neném – com Thereza Mascarenhas, Miguel Magno e Magda Cotrofe
– drácula não morreu – com Paulo Villaça, Luiza Tomé, Analu Prestes e Henriqueta Brieba
– um programa de índio – com Paulo José e Jorge Dória
– o homem invisível – com Vicente Pereira, Jorge Dória e Domingos de Oliveira
– jeca tatu, cotia não – com Evandro Mesquita, Ary Fontoura, Fernanda Abreu e Jorge Fernando
– o menino que virou lama – com Rúbens Araújo, Caio Junqueira e Jacqueline Laurence
– o pai do bacana – com Daniel Filho, Marieta Severo e Selma Egrei
– uma armação nas estrelas – com Zezé Motta e Léo Jaime
– quando as máquinas piram – com Wilson Grey, Carlos Takeshi e Zezé Macedo
– o poderoso sultão – com Pedro Paulo Rangel, Marco Nanini e Stela Freitas

1988
– 007 contra dr. fantástico – com Ítalo Rossi e Carla Camuratti
– o cavalo branco de napoleão – com Antônio Pedro
– bacana a alegria do povo – com Patrícia Travassos
– hoje é dia de rock – com Maria Gladys, Paralamas do Sucesso, Ultraje à Rigor e Fundo de Quintal
– totalmente demais – com Paulo César Pereio, Evandro Mesquita e Luiza Tomé
– a maior onda

Essa série de grande sucesso, que marcou a televisão brasileira, foi produzida para o público jovem, retratando suas histórias ao estilo videoclipe, cenas rápidas e soltas, uma forma de fazer histórias de aventura num ritmo frenético e bem-humorado. Uma fórmula que misturava música, videoclipe, ação e esporte, já usada em anúncios de publicidade.

Inicialmente Armação ilimitada era apresentada às sextas-feiras, uma vez por mês, integrando a Sexta Super, faixa de programação noturna da emissora. O sucesso no ano de estréia foi tanto, que em seu segundo ano de apresentação, o programa passou de mensal para quinzenal.

Os filmes Menino do Rio e Garota Dourada, ambos de Antônio Calmon, são considerados os irmãos mais velhos, ou os primos pobres, de Armação Ilimitada. A santíssima trindade incluída nos dois – “surf, gatinhas e aventura” – sugeriu à Daniel Filho a possibilidade de realizar um programa para jovens na televisão. Nelson Motta, Euclydes Marinho, Patrícia Travassos e o próprio Calmon, todos com mais de 30 anos, foram os responsáveis pela criação do programa. O resultado surpreendeu.

Daniel Filho menciona em seu livro O Circo Eletrônico:
“Numa conversa para decidir o título, com o Euclydes (Marinho) e o Nelsinho (Motta), comentei que a história falava de ar, de mar e de ação, além de apontar para a gíria da época: era uma grande armação – e uma armação absolutamente ilimitada, arrematou Nelsinho. Estava batizado o Armação Ilimitada.”

Guel Arraes, o diretor geral, trouxe para o programa alguns elementos do cinema europeu: elenco e equipe pequenas, um grupo fixo de criação e uma saudável discussão entre autores, produtores e atores. Guel também é responsável por um fato inédito na Globo: Armação é gravado com apenas uma câmera. Além disso, o diretor é apaixonado por trucagens, como balões das histórias em quadrinho que eventualmente aparecem na telinha:
“A televisão sempre teve um pouco de pudor de usar os truques que o cinema usa há muito tempo. Armação tem um pouco do cinema mudo; muita ação e pouca psicologia. O programa tem um pouco de tudo. E isso assusta, porque as pessoas não estão acostumadas a essa mistura de gêneros”, explica Guel.

E Antônio Calmon: Armação desmonta a linguagem na TV. A própria ação é criticada. O que é uma velha tendência de escracho que começou com a chanchada. Armação não tem nenhum dogma, é um programa que a gente faz ludicamente.”

Patrícia Travassos, da equipe de criação, comentou:
“Nós temos a preocupação de nunca deixar ninguém sentar no sofá. Colocamos ação o tempo todo (…) O programa não tem o blá-blá-blá das novelas.”

E ainda: “Tínhamos medo que ficasse um programito”, diz. Depois, conta, “rolou uma química perfeita”. Armação, explica, descobriu o new-clichê: “A gente pega o clichesão e faz o contrário. O jovem é o clichê dele mesmo. O jovem é vendido como a facção da sociedade mais legal. Isso não é a realidade das pessoas.”

As histórias eram narradas pela Black Boy (Nara Gil), uma DJ que comandava uma mistura de música negra nacional, e internacional, ao mesmo tempo que narrava e comentava – num estúdio de cenário radiofônico – os acontecimentos.

No primeiro ano de produção ganhou o Prêmio Ondas, concedido pela Sociedade Espanhola de Rádio e Televisão de Barcelona. Armação Ilimitada foi considerado “o programa jovem mais estimulante” da mostra.

Os personagens de Kadu Moliterno e André de Biasi foram criados sob encomenda para eles. A dupla já havia trabalhado junta um ano antes da série iniciar, na novela Partido Alto, em personagens bem semelhantes aos seus Juba e Lula.

A temporada de 1988 trouxe novos personagens: as crianças amigas de Bacana (Jonas Torres). Entre elas, os futuro atores Caio Junqueira (filho do ator Fábio Junqueira e irmão de Jonas Torres) e Paloma Duarte (filha de Débora Duarte).

A dupla de personagens voltaria mais tarde com o programa de variedades Juba & Lula, que estreou em 5 de junho de 1989, saindo do ar poucas semanas depois.

O humor, a anarquia e as gags foram a marca registrada da série, que inspiraria o humorístico TV Pirata de 1988.

A introdução do tema de abertura de Armação Ilimitada é idêntico ao da música Say what you will, da banda Fastway, no álbum de mesmo nome, de 1983. No entanto, na trilha sonora do programa, o crédito aparece (sem nenhuma ressalva) ao músico Ari Mendes.

Reapresentado na Sessão Aventura (das 16h30 às 17h30) em outubro de 1988.
Também no Festival 25 Anos, de julho a agosto de 1990.

Reprisado também no Multishow (canal de TV paga pertencente à Rede Globo) de janeiro a abril de 2005, em comemoração aos 45 anos da emissora.

Trilha Sonora 1 (1985)
armacaot1
01. NO MEIO DA RUA – Kiko Zambianchi
02. NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA – Ultraje à Rigor
03. RAPTAR VOCÊ – Txã!
04. FOREVER GONE – Sérgio Mendes & Zod
05. DON’T TAKE MY COCONUTS – King Creole and The Coconuts
06. TICKET TO THE TROPICS – The Coconuts
07. RAP ARREPIADO – Sandra Sá
08. CAI FORA (MO’BASTA) – Sandra Sá
09. POR QUERER – Marina
10. NEVER GONNA DIE – Rough Cutt
11. ROSAS & TIGRES – Gang 90
12. ROMANCE INTERNACIONAL – Fred Nascimento
13. JOVENS DO MEU TEMPO – Celso Fonseca
14. JAMES DREAM – Herbert Richers Jr.
15. VÊ SE SOME – Adriana Dolabella
ainda
MAIOR ABANDONADO – Cazuza

Trilha Sonora 2 (1988)
armacaot2
01. TEMA DE ARMAÇÃO ILIMITADA – Ari Mendes
02. QUE PAÍS É ESTE? – Legião Urbana
03. QUADRINHOS – Picassos Falsos
04. TERCEIRO – Ultraje à Rigor
05. ANDAR NO CÉU – Evandro Mesquita
06. OS OLHOS DE ZELDA SCOTT – Joe
07. GATINHA MANHOSA – Léo Jaime
08. INFINITA HIGHWAY – Engenheiros do Hawaii
09. PROVA – Capital Inicial
10. PROS QUE ESTÃO EM CASA – Hojerizah
11. QUIMERAS – Zero
12. CHUVA DE MEL – Rosa Púrpura

Direção musical: Nelson Motta
Música original: Alexandre Agra
Sonoplastia: José Sobral

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