Sinopse

Depois de perder um filho, Dona Glória jura fazer do próximo herdeiro, Bentinho, um padre. Mesmo a contragosto, Bentinho vai estudar em um seminário, onde conhece Escobar. Quando deixam o seminário, ele forma-se advogado e se casa com Capitu. Escobar torna-se comerciante e se casa com Sancha.

Os casais mantêm fortes laços de amizade, mas Bentinho é atormentado pelo ciúme. A fatalidade marca a vida de Escobar, que morre afogado. A morte do amigo aumenta ainda mais o tormento de Bentinho, que acredita ver no próprio filho, Ezequiel, a imagem do amigo. Dúvida trágica: Capitu traiu ou não traiu?

Globo – 23h
de 9 a 13 de dezembro de 2008
5 capítulos

minissérie de Luiz Fernando Carvalho
baseada no romance Dom Casmurro de Machado de Assis
escrita por Euclydes Marinho
coloboração de Daniel Piza, Luis Alberto de Abreu e Edna Palatnik
texto final de Luiz Fernando Carvalho
direção geral de Luiz Fernando Carvalho

MICHEL MELAMED – Bentinho (Bento Santiago)
MARIA FERNANDA CÂNDIDO – Capitu
LETÍCIA PERCILES – Capitu (jovem)
CÉSAR CARDADEIRO – Bentinho (jovem)
PIERRE BAITELLI – Escobar
ANTÔNIO KARNEWALE – José Dias
ELIANE GIARDINI – Dona Glória
SANDRO CHRISTOPHER – Tio Cosme / Marcolini / Imperador
RITA ELMOR – Prima Justina
BELLATRIX SERRA – Sancha Gurgel
CHARLES FRICKS – Sr. Pádua
IZABELLA BICALHO – Dona Fortunata
THELMO FERNANDES – Sr. Gurgel
EMÍLIO PITTA – Padre Cabral
PAULO JOSÉ – padre
as crianças
FABRÍCIO REIS – Ezequiel
BEATRIZ SOUZA – Capituzinha
Com uma linguagem moderna e atemporal, a minissérie contou a história do amor intenso entre Bentinho e Capitu, da dúvida de Bento Santiago ter sido traído e o que essa dúvida provocou em termos de imaginação. É justamente por instigar tanto a imaginação de seus leitores até hoje que a obra Dom Casmurro continua em movimento, dando vida a Machado. A minissérie Capitu, portanto, celebrou essa modernidade, essa continuidade e a imortalidade da dúvida sobre a traição de Capitu.

Capitu foi a segunda produção do Projeto Quadrante (iniciada com A Pedra do Reino, em 2007). O projeto foi idealizado pelo diretor Luiz Fernando Carvalho – com o intuito de levar a literatura brasileira para a televisão -, mas não teve continuidade.

A produção foi uma homenagem ao centenário de morte de Machado de Assis, autor do livro-base Dom Casmurro.

Misturando rock, linguagem não-realista e os “olhos de ressaca” de Maria Fernanda Cândido, o diretor Luiz Fernando Carvalho tentou desfazer preconceitos contra Machado de Assis.
“Na minha maneira de ver, a obrigatoriedade de ler Machado de Assis torna sua literatura oficial e sisuda. Quero desconstruir essa imagem. A literatura dele é muito mais que isso. Com Capitu, estamos lutando contra o preconceito de que Machado é chato e antigo. Ele é atual e moderno. Os jovens precisam entender Machado como um grande criador, interativo, imagético, emocional, irônico, melancólico e atemporal”, afirmou Luiz Fernando Carvalho na apresentação da minissérie à imprensa.

A minissérie preservou a dúvida sobre a traição de Capitu e a estrutura narrativa com as duas fases do romance: o amor adolescente de Bentinho e Capitu, que se separam com a ida do menino para o seminário, e o ciúme que Bento Santiago, depois que retorna de São Paulo formado em direito, passa a ter de sua esposa Capitu e de seu melhor amigo Escobar.

Para a divulgação da minissérie, a Globo espalhou por São Paulo, Rio e Brasília DVDs com trailers de Capitu. DVD crossing, termo usado para definir o sistema de divulgação usado, traz em seu conteúdo informações sobre como assistir ao trailer e como opinar sobre a obra em um site específico. Quem encontrasse os DVDs, que estariam nos mais variados lugares, também seria convidado a repassar o material adiante, para que outras pessoas assistissem ao disco.

Quando pensou, pela primeira vez, em como faria para transpor para a TV o clássico de Machado de Assis, Luiz Fernando Carvalho desejou filmar a ação nas ruas do Rio de Janeiro de nossos dias. Mas as cifras correspondentes à realização de uma novela que retratasse o século 19 multiplicaram-se e ele, com a promessa de um orçamento apertado, ficou com o seguinte dilema diante de si: “Ou não fazer, ou pensar num novo conceito”. Foi então que lhe vieram à mente duas idéias do próprio Bruxo do Cosme Velho.
“Machado dizia: “a realidade é boa, mas o realismo não serve para nada” e “a vida é uma ópera”. Foram dicas para repensar o livro dentro de um formato operístico, moderno e não-realista”, disse em entrevista.
Assim, seria possível fazer algo de barato – pois gravado num lugar fechado e quase sem locações externas – e também respeitar algo que está na estrutura do texto machadiano.
“O modo conciso como os personagens são apresentados, a divisão da ação em cenas curtas, porém densas, são características próprias da ópera.”
A releitura, ou “aproximação” – como preferiu o diretor – do texto de Machado respeitou cada vírgula da obra original.

As imagens, porém, surpreendem pela beleza e pela transformação do espaço. Um mesmo local correspondeu a cantos diferentes da memória de um velho Dom Casmurro (Michel Melamed), que narrava a própria desgraça e se mostrava incapaz de resgatar o passado a partir das sombras de lembranças que via desfazerem-se nas paredes de um antigo salão. O espaço também se prestava ora para evocar a sala-de-estar da família Santiago, ora os fundos da casa onde Bentinho e Capitu namoravam.

As filmagens foram na sede do Automóvel Clube do Rio, um prédio antigo, com paredes descascadas, no centro.
“Tudo ali é ruína. Um lugar perfeito para contar a história de um homem em ruínas, que não consegue resgatar o que perdeu. Bentinho vira um prisioneiro patológico de sua própria imaginação e memória, um “doente imaginário”, parodiando Moliére.”

Os minicapítulos foram divididos por pequenos títulos, como no livro, e anunciados ao modo das antigas radionovelas, reforçando a ironia com que a narrativa trágica tomava corpo.

O diretor optou por não dar tanta atenção ao grande mistério do livro. Ou seja, se Capitu traiu ou não Bentinho. Preferiu concentrar-se na fase da adolescência de ambos, quando se apaixonam e enfrentam os primeiros dilemas morais e afetivos.
“Machado também faz isso e eu respeito o texto. As pessoas se acostumaram a enxergar só a traição como centro da obra.”
Para ele, Dom Casmurro falava de várias coisas. “É uma história que acontece ainda hoje, pois trata de relações míticas, afetos familiares, amor, desejo, religião, tragédia e comédia. Embates atemporais que não foram e nem vão ser resolvidos. Machado está vivo.”

O diretor também ressaltou a pegada política do romance. “Conta-se uma história que é também uma crítica dos costumes da elite branca do final do século 19.”
Para ele, os personagens funcionavam como instrumento para formular a sátira. “Bentinho é filho de uma elite decadente, dona Glória guarda o vestuário e a pompa de algo que já desapareceu, enquanto o agregado José Dias, com sua moral dúbia, revela o desgaste daqueles hábitos. E o padre Cabral é o símbolo da Igreja a quem Machado ataca.”
Aí, de novo, para Carvalho, entrava a pertinência de transformar o romance em ópera. “A idéia de trancafiar sujeitos de personalidades tão fortes, condenados a viver debaixo de um mesmo teto, é levá-los à destruição, a um fim trágico.”

O projeto trabalhou com atores “excluídos da grande mídia”. Melamed, ator de teatro, fez Bentinho. A Capitu moça, Letícia Persiles, cantora de rock – escolhida depois que o diretor a viu cantando na banda de rock Manacá.
Haviam apenas três atrizes veteranas: Izabella Bicalho, Eliane Giardini (que fez Dona Glória, a mãe de Bentinho) e Maria Fernanda Cândido (a Capitu adulta).

A trilha sonora misturou músicas clássicas a rocks, como o da banda Beirut.

Raimundo Rodriguez, que assinou a direção de arte e cenografia em Capitu, explicou o conceito visual da minissérie:
“Reciclamos muito. Não por uma questão apenas financeira, mas principalmente pelo conceito da obra. Usamos muito papelão, jornais velhos, estruturas de ferro.”.

O figurino, assinado por Beth Filipecki, esteve em evidência durante da coletiva de imprensa. Daniela Garcia, assistente de Beth, explicou o trabalho:
“O figurino em Capitu é basicamente dividido em duas fases. Na primeira explora-se o lado claro, leve e feliz da vida. Na segunda, é como se a gente mergulhasse no profundo dos olhos de Capitu, ou seja, ganha-se um ar mais escuro. Tudo isso tendo como eixo a Capitu, que é o orvalho da flor que vira um oceano. Todos que estão a volta dela são impactados”.

O volume dos vestidos de Capitu se expandia em novas cores através de efeitos especiais. Sua saia tinha quatro metros de diâmetro.

Trilha Sonora

capitut
01. QUEM SABE – Manacá e Chico Neves (tema de Capitu e Bentinho)
02. CASMURRO MINIMAL (instrumental) – Tim Rescala e Chico Neves
03. LAMENTO – Manacá (tema de Capitu)
04. DESEJADO – Manacá
05. GYMNOCAPITU (instrumental) – Tim Rescala e Chico Neves
06. ELEPHANT GUN – Beirut (tema de Capitu e Bentinho)
07. BESH O DROM (KEEP ON WALKING) (instrumental) – Fanfare Ciocarlia
08. BAILE STRAUSS (instrumental) – Chico Neves
09. GLÓRIA (instrumental) – Tim Rescala e Chico Neves
10. O DIABO – Manacá (tema de Capitu)
11. O CIÚME (instrumental) – Tim Rescala e Chico Neves
12. ABERTURA CAPITU (instrumental) – Tim Rescala
13. MINHAS LÁGRIMAS – Caetano Veloso
14. MENTIRA (instrumental) – Tim Rescala e Chico Neves
15. O TEMPO (instrumental) – Tim Rescala e Chico Neves
16. CANTO DE OSSANHA – Manacá
17. JUÍZO FINAL – Nelson Cavaquinho (tema de locação)

ainda
DESABAFO – Marcelo D2 (tema de locação)
OH! LORD WON’T YOU BUY ME A MERCEDES BENZ – Janis Joplin (tema de Bentinho)
GODFATHER THEME – Guns N’ Roses (tema de Escobar)
MONEY – Pink Floyd (tema de Bentinho)
CARINHOSO – Toquinho (tema de Bentinho)
GOD SAVE THE QUEEN – Sex Pistols (tema de Dona Glória)
DIES IRAE – Giuseppe Verdi (tema de Capitu)
TEATRO DAS SEIS – Eletro (tema de Capitu)
VOODOO CHILD (SLIGHT RETURN) – Jimi Hendrix (tema de Escobar)
FACA DE PONTA – Manacá (tema de Bentinho)
ADAGIO FOR STRINGS – Samuel Barber (tema de Capitu)
JESUS LOVES ME – Coco Rosie (tema de Betinho)

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