Bastidores

Produzida pela TV Globo em parceria com a Casa de Cinema de Porto Alegre, a atração trouxe uma adaptação de obra literária a cada um dos quatro episódios, apresentados sempre às terças-feiras.

O Cena Aberta teve uma proposta completamente diferente da dos demais formatos de teledramaturgia. Nele não existia separação entre o que acontecia por trás ou na frente das câmeras, não havia divisão entre dramaturgia e documentário.

A idéia era oferecer sempre uma boa história de ficção ao telespectador, só que mostrando todo o trabalho que dava produzir um programa desse tipo. A trama era revelada enquanto o público acompanhava o processo de adaptação da história para a TV, a seleção do elenco, a preparação dos atores, a escolha das locações, os ensaios, a caracterização dos personagens etc. A história era contada no decorrer de cada uma dessas etapas de produção. O produto final não era um programa de dramaturgia nem um making-of.

Recebeu o prêmio de melhor programa de televisão de 2003 concedido pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).

Depoimentos:

“Depois que gravamos A Hora da Estrela, o primeiro episódio, descobrimos que teríamos que reescrever os roteiros de todos os programas seguintes, que já estavam prontos. O Cena Aberta tem um formato muito diferente. Vimos que precisávamos deixar espaço para o imprevisível, para as coisas que acontecem fora do roteiro e que merecem ser aproveitadas. Os textos tiveram que ser todos refeitos.” (Regina Casé)

“Tenho certeza de que, no Cena Aberta, eu estou muito aquém das minhas capacidades como atriz. No programa, além de interpretar, eu também dirijo e apresento. É complicado conciliar tudo isso. Durante a gravação, às vezes eu não ouço as indicações do Guel Arraes e do Jorge Furtado como deveria, por estar preocupada em dirigir. Mas isso não é uma pena, é uma circunstância.” (Regina Casé)

“Quando a gente chega numa cidade de interior para gravar, é um verdadeiro impacto ambiental aqueles carros enormes da Globo carregando geradores, aquele monte de gente com sotaque carioca e roupas diferentes. E quando a gente põe o microfone sem fio nos moradores, passando por baixo da roupa, é tudo muito opressor. Mas as pessoas não chegam a ficar intimidadas, porque existe um equilíbrio. Elas logo percebem que não estão em desvantagem, pois têm muito a ensinar para nós. No episódio Negro Bonifácio, os moradores nos ensinaram o significado de milhões de palavras usadas na região, mostraram como selar um cavalo, como montar, como dançar suas danças típicas, como vestir suas roupas… Eles não têm técnica de interpretação, mas têm uma série de conhecimentos que os atores precisavam e não tinham. Acontece uma grande troca.” (Regina Casé)

“Aquela cena em que Macabéa e Olímpico atravessam uma multidão sob a chuva foi um momento único. Nós estávamos ensaiando numa sala no Centro do Rio e, por acaso, havia ali perto centenas de pessoas paradas com guarda-chuvas. Estavam na fila para um show da Alcione que custava R$ 1. E estava chovendo muito. Se tivéssemos produzido a chuva e a multidão, não teria ficado tão bom. Foi pura sorte. E ficou lindo. Tem tudo a ver com o que Olímpico diz a Macabéa: ‘Você só faz chover'” (Guel Arraes).

Globo – 23h
de 18 de novembro a 9 de dezembro de 2003
4 episódios

realização de Guel Arraes, Jorge Furtado e Regina Casé
co-produção com a Casa de Cinema de Porto Alegre
núcleo Guel Arraes

a hora da estrela
ANA PAULA BOUZAS – Macabéa
WAGNER MOURA – Olímpico de Jesus
REGINA CASÉ – Glória / Madame Carlota

negro bonifácio
LÁZARO RAMOS – Bonifácio
CAROLINA DIECKMANN – Tudinha
REGINA CASÉ – Siá Firmina
JUCA (morador da localidade) – Nadico

folhetim
KARLA TENÓRIO – Celeste
MÁRCIO GARCIA – Lenine
REGINA CASÉ – Hilda / Madame Zora
SILVIO DE ABREU – médico

as três palavras divinas
LUIZ CARLOS VASCONCELOS – Simão
REGINA CASÉ – Maria
FELIPE (morador da localidade) – Miguel

a hora da estrela (18/11/2003)
Baseado no livro homônimo de Clarice Lispector. A figura central da trama é Macabéa, uma nordestina sofrida de 19 anos que se envolve num triângulo amoroso. Primeiro ela conhece Olímpico de Jesus, com quem ela começa a namorar. Mas sua alegria acaba quando ela o apresenta a Glória, sua colega de trabalho. Olímpico se interessa por Glória e acaba abandonando a namorada para ficar com ela. Triste, Macabéa se consulta com uma vidente, Madame Carlota, que prevê que ela vai se casar com um estrangeiro e mudar de vida. Sua alegria é imensa depois de ouvir isso. Mas a vidente mentiu. Macabéa morre atropelada minutos depois.

negro bonifácio (25/11/2003)
Baseado no conto homônimo do autor gaúcho Simões Lopes Neto. O episódio foi gravado em Canela (RS). É a história de um triângulo amoroso vivido por Tudinha, Nadico e o Negro Bonifácio do título. Tudinha gosta de Bonifácio, mas fica enciumada quando o vê com outra mulher. Irritada, ela aposta que ele não é capaz de vencer Nadico numa corrida de cavalos. E ela ganha a aposta. Numa festa, Bonifácio aparece para pagar o que deve. É quando começa uma grande briga entre ele e Nadico pelo amor da moça.

folhetim (02/12/2003)
Baseado no romance A Ópera de Sabão de Marcos Rey. A história se passa nos anos 50. Hilda é uma pacata dona-de-casa que também dá expediente numa rádio como a astróloga e conselheira sentimental Madame Zora. Lenine, seu filho mulherengo, engravida uma moça que, desesperada, escreve para Madame Zora sob o pseudônimo de Ginasiana Enganada. Hilda se solidariza com o drama da ouvinte, sem saber que foi seu filho o responsável pela tristeza da moça.

as três palavras divinas (09/12/2003)
Baseado no conto homônimo de Leon Tolstoi. Simão é um sapateiro pobre que tem mulher e dois filhos para sustentar. Quando Maria, sua esposa, avisa que a comida acabou e que as crianças estão com frio, Simão toma coragem e vai atrás dos clientes que estão lhe devendo. Ele vai à casa de cada um cobrar a dívida, mas todos são tão pobres quanto ele e não têm como pagar. A vida de Simão muda quando ele dá de cara com Miguel, um anjo que caiu do céu por castigo de Deus, que quer que ele conheça melhor os homens.

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