Sinopse

Soam os três sinais. A cortina se abre e Dercy Gonçalves (1907 – 2008) sobe ao palco. Sem roteiro, sem texto decorado, sem direção. Assim costumava trabalhar, não aceitava que lhe dissessem como fazer aquilo que ela parecia ter nascido sabendo. E com improviso, liberdade, irreverência e bom humor, a comediante conquistou uma plateia fiel.

Na vida pessoal, Dolores Gonçalves Costa, seu nome de batismo, mantinha a mesma natureza independente e, muitas vezes, até agressiva. Um hábito que desenvolveu para se defender da vida. Marcada pelo abandono da mãe ainda na infância; os maus tratos do pai, e a hostilidade da vizinhança em Santa Maria Madalena, no Rio de Janeiro, sua terra natal, a jovem aprendeu a não levar desaforos para casa. E não pensou duas vezes quando surgiu a oportunidade de deixar tudo, e todos, para trás. Ela não era mulher de engolir sapos, nunca foi!

Mas, afinal, quem era Dercy de verdade? Uma mulher ousada e abusada, mas também, tímida e recatada. Digna, porém, desbocada. Uma mulher que caiu e se levantou quantas vezes foram necessárias. Que amou, mas disse nunca ter sido apaixonada. Uma guerreira incansável que escondia das pessoas o seu romantismo e a sua fragilidade. A atriz que, em quase um século de trabalho, conquistou uma plateia fiel com apenas uma preocupação: o público. Uma mãe que encontrou em sua filha a mais bela relação que teve na vida.

Globo – 23h
de 10 a 13 de janeiro de 2012
4 capítulos

minissérie de Maria Adelaide Amaral
baseada em seu livro Dercy de Cabo a Rabo
colaboração de Leticia Mey
direção geral de Jorge Fernando
núcleo Jorge Fernando

FAFY SIQUEIRA – Dercy Gonçalves (Dolores Gonçalves Costa)
HELOÍSA PÉRISSÉ – Dercy Gonçalves (Dolores Gonçalves Costa)
LUIZA PÉRISSÉ – Dolores (adolescente)
TUCA ANDRADA – Augusto Duarte (jornalista que conhecia os bastidores e negócios do Teatro de Revista. Casou-se com Dercy, mas foi infiel no amor e nas finanças)
MAYANA NEIVA – Olímpia (atriz do Teatro de Revista, teve um caso com Augusto Duarte, marido de Dercy)
WÁLTER BREDA – Manuel (pai de Dercy)
ROSI CAMPOS – Bita (irmã e fiel escudeira de Dercy)
SAMARA FELIPPO – Decimar (filha recatada e bem instruída de Dercy)
FERNANDO EIRAS – Pascoal (primeiro namorado de Dercy)
CÁSSIO GABUS MENDES – Valdemar (namorado de Dercy e pai de Decimar)
ARMANDO BABAIOFF – Homero Kossak (homem culto, bonito e mais do que um amigo para Dercy, que mantinha uma paixão platônica pelo rapaz)
RICARDO TOZZI – Vito Tadei (namorado de Dercy, acrobata, professor de natação e mulherengo)
VANESSA GOULART – Eleonor Bruno (atriz, mãe de Nicette Bruno)
NIZO NETO – Chico Anysio (ator e amigo de Dercy. Foi ele quem apresentou Carlos Manga para a atriz)
DANTON MELLO – Carlos Manga (produtor da TV Excelsior e responsável pela primeira aparição de Dercy na televisão)
EDUARDO GALVÃO – Walter Pinto (o mais importante produtor do Teatro de Revista da Praça Tiradentes. Dercy estrelou a maioria de suas peças)
BRUNO BONI DE OLIVEIRA – Boni (produtor da TV Rio e mais tarde da TV Globo, emissora na qual Dercy comandou os programas Dercy Beacoup e Dercy de Verdade)
DRICA MORAES – Clô Prado (socialite e amiga de Dercy, autora da peça Miloca recebe aos sábados, estrelada por ela)
PAULA BURLAMAQUI – Isabel de Oliveira (atriz e responsável pela primeira e desastrosa aparição de Dercy no teatro Boavista, em São Paulo)
DANIEL BOAVENTURA – Dr. Simão (psiquiatra por quem Dercy se apaixonou e, por inúmeras vezes tentou seduzir, mas sem sucesso)
BRUNA SPÍNOLA – Ana Luiza (noiva de Homero Kossak)
GUILHERME GONZALEZ – Zé
HUMBERTO CARRÃO – Arnald
MARIA CAROL – Lucinha
YAÇANÃ MARTINS – Lena

participações 1º capítulo
ALEXSANDRO PALERMO
ÁLVARO DINIZ – Álvaro Castro
ANDERSON DI RIZZI – Jararaca (da dupla Jararaca e Ratinho)
ANDRÉ G. LOPES
ANJA BITTENCOURT – Dona Conceição
ANTHERO MONTENEGRO
ARNALDO MARQUES
CAMILA COSTA
CAMILO BEVILACQUA
DILA GUERRA
FÁBIO GUARA
HÉLIO RIBEIRO
HILTON CASTRO – Ratinho (da dupla Jararaca e Ratinho)
JÚLIO LEVY – Duque (famoso dançarino de maxixe com sucesso na Europa, nos anos 10, e também empresário)
LUIZ ANDRÉ ALVIM
LUIZ SÉRGIO LIMA E SILVA
NILTON BICUDO
RICARDO PAVÃO
ROSE ABDALA – Maria Castro
XANDO GRAÇA – Seu Arruda

participações 2º capítulo
ADRIANA RESTLE
ANA PAULA LIMA
CARLOS LOFFLER – Oscarito
CLÁUDIA RANGEL
DANILO RIBEIRO
FÁBIO BIANCHINI
GILBERTO MACIEL
KARINA DOHME
LUIZ SÉRGIO LIMA E SILVA – Zinho
VANESSA BOMFIM
XANDRO GRAÇA – Seu Arruda
BRUNA BOTELHO – Decimar (criança)

participações 3º capítulo
ADRIANA RESTLE
ALAN PONTES
ALFREDO MARTINS
ALINE FONTOURA
ANA CHAGAS
ANTÔNIO CARLOS FEIO
CARLOS LOFFLER – Oscarito
DADO AMARAL
DORIVAL CARPER – Wálter Clark
FÁBIO BIANCHINI – Álvaro Assunção
HOMERO KOSSAK
IVY SOUZA
IZLENE CRISTINA – Luz Del Fuego
JUAN DE BOURBON
KARINA DOHME
REINALDO LASSEK
RÚBEN GABIRA

participações 4º capítulo
ANDRÉ REBUSTINI – Anísio
ANTÔNIO DOS SANTOS
CACAU HIGYNO
DADO AMARAL
HILDA REBELLO – Zileide
ISABELLA DIONÍSIO
LUCY FREITAS
MÁRIO WILSON – Max Wilson
PEDRO HENRIQUE
PRATINHA
ROBERTO LOBO
SAMANTHA MOTTA

A vida da comediante Dercy Gonçalves, que nasceu em 1907 e faleceu em 2008, aos 101 anos, totalizando 86 anos de carreira. A autora, Maria Adelaide Amaral, baseou-se na biografia de Dercy, que ela mesma escreveu: Dercy de Cabo a Rabo.

Na minissérie Dercy de Verdade, Maria Adelaide propôs revelar quem foi Dercy, aquela que o público consagrou tanto quanto a que todos desconhecem. E destacou os motivos que a impulsionaram a contar a história da artista e sua amiga pessoal:
“Em primeiro lugar, eu não queria que ela fosse esquecida. Segundo, eu não gostaria que ela fosse lembrada como ‘aquela velha que só falava palavrão’.”
“Quando propus a minissérie para a Globo, avisei que ela seria impensável sem palavrão. É por isso que ela vai ao ar depois do BBB”, explicou ainda Maria Adelaide.
E, de fato, nunca se ouviu tanto palavrão na TV brasileira quanto na minissérie!

Para atender ao desejo da autora, o diretor Jorge Fernando não poupou esforços na participação de Dercy na produção. A própria Dercy Gonçalves também protagoniza a minissérie. Através de imagens de arquivo da Globo, momentos que fizeram parte da vida da artista foram utilizados nos capítulos e na abertura – onde Dercy foi, inclusive, creditada. E a história não para na TV, pois o diretor levará a minissérie para o cinema.

Mas quatro capítulos foi muito pouco para contar a história e mostrar a verdadeira Dercy, como sugeria o título. Poderia ter tido pelo menos mais quatro capítulos.

A árdua tarefa de comprimir 103 anos de vida em quatro capítulos foi da pesquisadora Madalena Prado de Mendonça.
“Dercy nos surpreendeu o tempo todo pela amplitude de sua participação na vida cultural do país. O que nos preocupou, sobretudo, foi mostrar o grau de profissionalismo que ela alcançou tanto como cantora, atriz ou comediante. Apesar de muitos críticos se referirem à humorista como uma improvisadora, Dercy trabalhou com afinco sua vida inteira, se esmerando em cuidar de sua obra e imagem com uma seriedade que muitos desconhecem”, explicou Madalena.
Para a criação da minissérie, foram analisados 80 anos de vida profissional, quase seis décadas de filmes, e setenta anos de peças de teatro e shows; além de incontáveis trabalhos de televisão.

A adolescência de Dercy foi representada pela estreante Luiza Périssé, filha da atriz Heloísa Périssé, que gravou sua participação em Santa Maria Madalena (RJ).
Heloisa Périssé, por sua vez, interpretou Dercy em sua juventude e maturidade, que vai dos 17 aos 50 anos de idade.
Fafy Siqueira, que foi amiga da comediante, viveu os últimos e grandiosos anos da atriz.

Heloisa Périssé teve grande participação para que a minissérie, de fato, saísse do papel. Segundo Maria Adelaide Amaral, a atriz demonstrou o desejo de representar Dercy nos palcos após sua morte. Mas a autora havia escrito uma peça, a pedido de Dercy, para a atriz Fafy Siqueira. A solução foi unir as duas.

Fafy Siqueira já havia vivido Dercy Gonçalves no teatro e na televisão, na minissérie Dalva e Herivelto (2010), também escrita por Maria Adelaide Amaral.
Fafy precisou engordar cinco quilos para viver Dercy Gonçalves – ela havia emagrecido 24 quilos antes de começar a gravar.

Destaque para algumas participações no elenco: Nizo Neto, filho de Chico Anysio, interpretou o pai; Carlos Loffler, neto de Oscarito, viveu seu avô; assim como Mário Wilson, que viveu o avô Max Wilson; Vanessa Goulart, bisneta da atriz Eleonor Bruno – que era mãe de Nicette Bruno – interpretou a bisavó; e Bruno Boni, o filho caçula de Boni, viveu o seu pai.

A caracterização de uma personagem que viveu cem anos não era simples de realizar. E a ideia da equipe comandada pela supervisora Ana Van Steende foi dividir a atuação da protagonista em duas atrizes, o que simplificou por um lado, mas, por outro, criou desafios.
“Deixamos de lado os detalhes físicos de Heloisa Perissé e Fafy Siqueira para nos fixarmos naquilo que consideramos essencial: o estilo e a personalidade forte de Dercy Gonçalves”, explicou Anna.

O diretor de fotografia Paulo Brakars optou por uma estética natural, com linguagem de cinema. Por se tratar de uma minissérie que vai de 1915 a 2007, sua equipe começou a história com pouca cor, evoluindo para um tom mais branco, com Dercy ainda criança. Na segunda fase, foi utilizado um pouco mais de vermelho para evidenciar a falta de luz elétrica pelos lugares por onde ela passou. Concluindo a série, a equipe usou cor no tom palha, a fim de evidenciar a presença de eletricidade. Para os anos 60 e 70, Paulo utilizou um contra luz mais forte, com bastante brilho, para destacar a época da brilhantina.
Para completar a exuberância das filmagens, foram usados três tipos de efeitos: filme antigo super 8; filme rodado a 18 FPS, como era feito nos anos 20, em filmes como os de Chaplin; e também algumas cenas em P&B, utilizado nos filmes dos anos 30 e 40. As imagens de arquivo de Dercy Gonçalves inseridas na minissérie também receberam um tratamento especial.

A cidade natal de Dercy Gonçalves, Santa Maria Madalena, localizada na região serrana do Rio de Janeiro (a cerca de 220 km do Rio), foi uma das locações para as gravações da minissérie, durante sete dias. Graças ao trabalho das equipes de produção de arte, cenário e figurino, casas, ruas e igreja foram transformadas em algo bem próximo do que a comediante viveu. O destaque é para a casa onde a protagonista morou.

A cidade mineira de Tiradentes também foi uma das locações, por causa da maria-fumaça, transporte que Dercy usou para fugir de casa. Ali foram gravadas cenas das décadas de 1920 e 1930.
“Como em Madalena não existe mais Maria Fumaça, e foi nesse tipo de trem que Dercy (Heloísa Périssé) fugiu com o artista Pascoal (Fernando Eiras) e a companhia Maria de Castro, tivemos que recriar a cena em outra região”, explicou Jorge Fernando.
As gravações duraram três dias e contaram com uma equipe de 100 pessoas, entre produção, elenco e figurantes locais.

Reapresentada em formato de telefilme, em janeiro de 2015, dentro do Luz, Câmera, 50 Anos, em homenagem ao cinquentenário da Globo.

Dercy de Verdade, que dá título à minissérie, foi também o nome de um programa de variedades que Dercy Gonçalves apresentou na Globo, entre 1967 e 1970.

Dercy Gonçalves atuou na televisão em algumas novelas e minisséries, como Cavalo Amarelo (Band, 1980), Que Rei Sou Eu? (Globo, 1989), La Mamma (Globo, 1990) e Deus Nos Acuda (Globo, 1991/1992).

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