Sinopse

João, um homem simples, rude e generoso, é o filho mais velho da família Coragem. Garimpeiro na pequena Coroado, interior de Minas Gerais, ele encontra um diamante valioso, que é roubado de suas mãos a mando do Coronel Pedro Barros, que comanda os garimpos e é o homem mais poderoso da cidade, ditando as regras na região. Para recuperar a sua pedra e lutar contra as injustiças do coronel, João conta com a ajuda do irmão Jerônimo.

Mas João conhece e se apaixona pela tímida e reprimida Lara, a filha doente de Pedro Barros, que desconhece a doença da própria filha. Lara tem outras duas personalidades: a esfuziante e selvagem Diana, seu extremo oposto, e Márcia, um meio termo entre Lara e Diana. Essas três diferentes mulheres confundem e enlouquecem de paixão João Coragem.

O jovem Jerônimo, por sua vez, tem uma paixão reprimida pela índia Potira, sua irmã de criação. Enquanto João entra na luta contra Pedro Barros de arma nas mãos, Jerônimo entra para política, no partido de esquerda, para acabar com os desmandos do coronel. E para fugir do amor de Potira, o rapaz se envolve com Lídia Siqueira, filha de um importante deputado que o ajudará na carreira política.

Duda é o outro irmão de João. Um famoso jogador de futebol, o rapaz deixou para trás a cidade e seu amor de infância, Ritinha. Ela é uma moça romântica e ingênua que luta pelo amor de Duda quando ele retorna à Coroado. Mas este já está envolvido com outra mulher, Paula, que não mede esforços para ficar do lado do jogador. O conflito cresce quando Ritinha engravida de Duda, ele é obrigado a se casar com ela e a leva para a cidade grande.

Globo – 20h
de 29 de junho de 1970
a 15 de julho de 1971
328 capítulos

novela de Janete Clair
direção de Daniel Filho, Milton Gonçalves e Reynaldo Boury
direção geral de Daniel Filho

Novela anterior no horário
Véu de Noiva

Novela posterior
O Homem que Deve Morrer

TARCÍSIO MEIRA – João Coragem
GLÓRIA MENEZES – Lara (Maria de Lara Barros) / Diana Lemos / Márcia Lemos
CLÁUDIO CAVALCANTI – Jeromo (Jerônimo Coragem)
CLÁUDIO MARZO – Duda (Eduardo Coragem)
REGINA DUARTE – Ritinha (Rita de Cássia Maciel)
ZILKA SALABERRY – Sinhana
GILBERTO MARTINHO – Coronel Pedro Barros
CARLOS EDUARDO DOLABELLA – Delegado Diogo Falcão
EMILIANO QUEIROZ – Juca Cipó
LÚCIA ALVES – Potira
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Rodrigo César Vidigal
ÊNIO SANTOS – Dr. Maciel (Salvador Maciel)
ANA ARIEL – Domingas
MYRIAN PÉRSIA – Paula
PAULO ARAÚJO – Ernani
MIRIAN PIRES – Dalva Lemos
GLAUCE ROCHA – Estela
HEMÍLCIO FRÓES – Lourenço D’Ávila / Ernesto Bianchini
NEUZA AMARAL – Branca
MICHEL ROBIN – Alberto
MILTON GONÇALVES – Brás Canoeiro
SUZANA FAINI – Cema
DARY REIS – Lázaro
SÔNIA BRAGA – Lídia Siqueira
JUREMA PENNA – Indaiá
MACEDO NETO – Padre Bento
RENATO MASTER – Dr. Rafael Marques
IVAN CÂNDIDO – Delegado Gerson de Castro
ARNALDO WEISS – Damião
ARTHUR COSTA FILHO – Gentil Palhares
LOURDINHA BITTENCOURT – Manuela
MONAH DELACY – Dona Deolinda
LEDA LÚCIA – Margarida
e
ALCESTE CASTELANI – Darci
ANA MARIA LAGE – Nita (copeira que serve o bando de João Coragem, apaixonada por ele)
ÂNGELA LEAL – Yolanda (enfermeira, cúmplice da farsa de Lourenço quando ele é hospitalizado)
ANTÔNIO ANDRADE – Neco (jogador do Flamengo amigo de Duda, marido de Carmem Valéria)
ANTÔNIO VICTOR – Sebastião Coragem (patriarca dos Coragem, morre no início)
ÁTILA ALMEIDA – Beato Zacarias (trazido a Coroado por Pedro Barros para exorcizar Lara)
B. DE PAIVA – Prefeito Jorginho (prefeito de Coroado, morto em um atentado)
CASTRO VIANA – tabelião
CLÁUDIO RAMOS – capanga de Pedro Barros
CLEMENTINO KELÉ – médico de São Paulo que operou Duda
DELORGES CAMINHA – Seu Julião
DOMINGOS TERCILIANO JR. – homem do grupo de João Coragem
DORINHA DUVAL – Carmem Valéria (cantora, mulher de Neco, amiga de Duda, Paula e Ernani)
ENOQUE BATISTA – Ivan
ESTELITA BELL – Silvia (vendedora em uma mercearia no Rio de Janeiro, vizinha de Ritinha)
FÁBIO MASSIMO – Julinho
FELIPE WAGNER – Dr. Siqueira (deputado federal, pai de Lídia)
FERNANDO JOSÉ – viajante que se hospeda na pousada de Gentil
FRANCISCO DANTAS – Dr. Paulo
FRANCISCO MILANI – Luiz (promotor no julgamento de João Coragem)
FRANCISCO SERRANO – Souza (dono do cassino, cúmplice da farsa de Lourenço, acaba assassinado)
FRANCISCO SILVA – capanga de Pedro Barros
FREDY NABHAN – homem do grupo de João Coragem
ISAAC BARDAVID – Dr. Umberto (médico que opera Lara, no final)
IVAN BORGES – Antônio
IVAN DE ALMEIDA – Zé Valente (homem de Pedro Barros)
JACYRA SILVA – Beatriz (enfermeira, ajuda João a desvendar o mistério da morte de Lourenço)
JOMERI POSOLI – homem do grupo de João Coragem
JOSÉ STEIMBERG – Laport (comerciante de joias para quem Lourenço tenta vender o diamente de João, envolve-se com Branca)
JÚLIO GARCIA – homem do grupo de João Coragem
LEÔNIDAS BAYER – homem do grupo de João Coragem
MARIA ALVES – Salete
MARIA ESMERALDA – Jurema
MAURO BRAGA – Tonho
MIGUEL CARRANO – Dr. Henrique
MOACYR DERIQUÉM – Jarbas (diretor do jornal em que Márcia vai trabalhar)
NAVARRO DE ANDRADE – homem do grupo de João Coragem
NELSON CARUSO – Cláudio
NILTON BARROS – Manuel Andrade (testemunha de acusação no julgamento de João Coragem)
OTONIEL SERRA – Gastão
SÔNIA CLARA – Glória
RAFAEL VIZARRO – coroinha
ROBERTO BONFIM – leva Potira a uma festa, a mando de Lídia
RÔMULO D´ANGELO – Zé Fuinha
SERAFIM GONZALEZ
TELMO AVELAR – Fausto Paiva
VINÍCIUS SALVATORE – Castro (jagunço de Pedro Barros que entra para o grupo de João Coragem)
WALDIR ONOFRE
YARA AMARAL – Tula (viúva paulistana rica que se interessa por Duda, quando ele vai jogar no Corinthians)
ZENI PEREIRA – Virgínia (empregada de Paula)
Jair Santanna (técnico do Flamengo)

– núcleo da família Coragem:
o casal SEBASTIÃO (Antônio Victor), velho doente, morre no decorrer da trama, e SINHANA (Zilka Salaberry), mulher de fibra, simplória, sofrida e honesta, capaz de tudo para defender a família
os filhos JOÃO (Tarcísio Meira), garimpeiro justo, honesto, não gosta de violência e prefere acreditar na lei. Capaz de atos heroicos, mas meio ingênuo em sua crença pela Justiça. Vira líder de um grupo de garimpeiros justiceiros. Encontra um precioso diamante, que lhe é roubado,
JERÔNIMO (Cláudio Cavalcanti), garimpeiro, trabalha com João. Também honesto, porém pé no chão. Entra para a política para lutar contra os poderosos da região que dominam os garimpos. Acaba se corrompendo,
e DUDA (Cláudio Marzo), o caçula. Jogador de futebol, tornou-se um craque disputado pelos grandes times, o orgulho do povo de Coroado
a filha de criação POTIRA (Lúcia Alves), mestiça, filha de uma índia e um branco. Mora com Sinhana e Sebastião, a quem considera como pais. Sinhana desconfia que ela seja filha de Sebastião com uma índia. Ele a trouxe para Coroado depois de uma viagem. É tratada como irmã de criação por João, Jerônimo e Duda. Apaixonada por Jerônimo.

– núcleo do CORONEL PEDRO BARROS (Gilberto Martinho), manda-chuva de Coroado, dono dos garimpos da região, explora seus empregados. Déspota, usa de arbitrariedade e prepotência para controlar as áreas de garimpo, não admitindo que os garimpeiros vendam pedras para fora. Tem um grupo de jagunços sob seu comando. Torna-se inimigo dos Coragem, que rebelam-se contra seu domínio. João torna-se o líder na luta contra os desmandos do coronel. É o mandante do roubo do diamante de João:
a mulher ESTELA (Glauce Rocha), bonita e vaidosa, não gosta da vida que leva em Coroado. Foi obrigada pelo pai a se casar, como pagamento de uma dívida de jogo. Considera o marido um roceiro grosso, sujo e assassino. Frequenta casas de jogos, onde se endivida. É infiel ao marido, que não ama
a filha LARA (Glória Menezes), moça culta e reservada. Apresenta distúrbios de comportamento que a fazem mudar de personalidade, transformando-se na vulgar DIANA, seu extremo oposto. Tempos depois, assume uma terceira personalidade, a da equilibrada MÁRCIA, um contraponto entre Lara e Diana. Apaixona-se por João, mas não consegue controlar suas mudanças de comportamento, o que põe o romance dos dois em cheque
a cunhada DALVA (Mirian Pires), irmã de Estela, que tem um extremo zelo por Lara, tratando-a como uma filha
o protegido JUCA CIPÓ (Emiliano Queiroz), um de seus capangas. Tem problemas mentais. Vingativo e sádico, é capaz de maldades sem ter consciência de seus atos. Ao mesmo tempo, tem um comportamento infantil. Descobre-se que é na verdade filho do coronel
o delegado DIOGO FALCÃO (Carlos Eduardo Dolabella), comparsa em suas falcatruas, seu maior desejo é casar-se com Lara, por isso tem mais motivos para perseguir João. Acaba voltando-se contra o coronel
a segunda mulher DOMINGAS (Ana Ariel), uma antiga namorada. Os dois se unem quando ele se separa de Estela. É revelado que é a mãe de Juca
o capanga ZÉ VALENTE (Ivan de Almeida)
o DR. RAFAEL MARQUES (Renato Master), psiquiatra contactado por Dalva para tratar de Lara, diagnostica a sua doença
o DR. UMBERTO (Isaac Bardavid), médico que opera Lara, no final
o BEATO ZACARIAS (Átila Almeida), fanático religioso, curandeiro, chamado por Pedro Barros para exorcizar Lara.

– núcleo de João Coragem:
o casal amigo BRÁS CANOEIRO (Milton Gonçalves), garimpeiro que torna-sa seu braço direito, e CEMA (Suzana Faini), estuprada por Juca Cipó, existe a dúvida se o filho que espera é dele ou do marido
LÁZARO (Dary Reis), assassino que João conheceu na cadeia e de quem se tornou amigo, leva-o para o seu bando. No decorrer da trama, trai João e se bandeia para o lado de Pedro Barros. Ao final, volta ao grupo de João
CASTRO (Vinícius Salvatore), era capanga de Pedro Barros, mas o trai e é salvo da morte pelo grupo de João, com quem acaba se aliando
a criada NITA (Ana Maria Lage), serve aos homens de João. É apaixonada por ele e por isso entra em atrito com Lara.

– núcleo de Jerônimo:
o promotor RODRIGO CÉSAR (José Augusto Branco), luta ao lado dos Coragem contra as injustiças de Pedro Barros, pois o coronel fora responsável pela morte de seu pai no passado. Apaixona-se por Potira, com quem acaba se casando, sem saber que ela é apaixonada por Jerônimo, o que levará a um conflito entre os dois amigos
a índia INDIAIÁ (Jurema Penna), chega a Coroado para trabalhar como criada na casa de Pedro Barros. Revela-se ser a mãe de Potira e vai trabalhar na casa de Rodrigo César quando ele se casa com a moça
LÍDIA (Sônia Braga), filha de um deputado, com quem ele se casa por interesse politico. Jovem bonita, alegre, culta, festeira e espirituosa, porém um tanto inconsequente. Apaixona-se por Jerônimo e luta por ele, apesar de ele reconhecer que não a ama
DR. SIQUEIRA (Felipe Wagner), deputado federal, pai de Lídia, político à velha maneira, falastrão e caçador de votos
JORGINHO (B. de Paiva), prefeito de Coroado assassinado no decorrer da trama
DONA DEOLINDA (Monah Delacy), mulher do prefeito Jorginho
MARGARIDA (Leda Lúcia), filha do prefeito Jorginho e de Deolinda. A princípio, pretendente de Jerônimo, acaba se casando com Juca Cipó, contra a vontade dele.

– núcleo de Duda:
a namorada de infância, RITINHA (Regina Duarte), jovem ingênua e romântica, reencontra Duda quando ele está visitando a família em Coroado. Os dois passam uma noite juntos e o pai dela obriga-os ao casamento. Ritinha muda-se para o Rio de Janeiro, grávida, acompanhando o marido, e enfrenta uma série de infortúnios por não receber de Duda o amor que idealizou
o pai de Ritinha, DR. MACIEL (Ênio Santos), médico alcoólatra, começou a beber quando perdeu a mulher em uma cirurgia pela qual era o responsável. Moralista, obriga Duda a casar-se com a filha. No fundo, é um homem infeliz
a ex-namorada PAULA (Myrian Pérsia), com quem tivera um caso no Rio de Janeiro. Louca por Duda, vai atrás dele em Coroado e o persegue quando ele volta para o Rio. Faz o possível para melar o casamento dele com Ritinha
o irmão de Paula, ERNANI (Paulo Araújo), um mau-caráter, assedia Ritinha. Os dois irmãos criam intrigas para desestabilizar o casamento de Duda e Ritinha
os amigos DAMIÃO (Arnaldo Weiss), ex-jogador, NECO (Antônio Andrade), jogador do Flamengo, e CARMEM VALÉRIA (Dorinha Duval), cantora, mulher de Neco
TULA (Yara Amaral), viúva paulistana, rica e solitária. Apaixona-se por ele quando foi morar em São Paulo, vendido para o Corinthians
JAIR SANTANNA, técnico do Flamengo
VIRGÍNIA (Zeni Pereira), empregada de Paula no Rio de Janeiro.

– núcleo de LOURENÇO D´AVILA (Hemílcio Fróes), capataz de Pedro Barros e seu braço direito. Tem um caso com Estela. Quando vai roubar o diamante de João a mando de Pedro Barros, some com a pedra, simulando a própria morte e fazendo com que João seja responsabilizado por ela. Por isso João passa a ser perseguido pela polícia. Lourenço assume outra identidade, ERNESTO BIANCHINI, para que possa vender a pedra e fugir do país:
a esposa BRANCA (Neuza Amaral), mulher simples, conhece bem o caráter do marido, mas o ama mesmo assim. Sofre demais quando o filho demonstra desejo de seguir os mesmos passos do pai
o filho ALBERTO (Michel Robin), acreditando que João é o assassino de seu pai, vai ao encalço dele para matá-lo. Convencido de que João é inocente, passa a fazer parte do seu grupo
o comerciante de jóias LAPORT (José Steimberg), para quem Lourenço tenta vender a pedra. Acaba se envolvendo com Branca
a enfermeira YOLANDA (Ângela Leal), que passa a ser cúmplice da farsa de Lourenço quando ele é hospitalizado
a amiga de Yolanda, BEATRIZ (Jacyra Silva), também enfermeira. Ajuda João a desvendar o mistério da morte de Lourenço. Vai cuidar de Lara no final
o dono do cassino onde Lourenço e Estela jogam, SOUZA (Francisco Serrano), torna-se cúmplice da farsa de Lourenço e acaba assassinado.

– demais personagens:
o delegado GERSON DE CASTRO (Ivan Cândido), que substitui Falcão quando ele é afastado do cargo por imposição de Pedro Barros
PADRE BENTO (Macedo Neto), faz o que pode para proteger a família Coragem dos desmandos do coronel
GENTIL PALHARES (Arthur da Costa Filho), dono da pensão de Coroado
MANUELA (Lourdinha Bittencourt), mulher de Gentil
DR. LUIZ (Francisco Milani), promotor no julgamento de João.

A inspiração veio de filmes de bang bang, americanos e italianos. Proscritos, justiceiros a cavalo, muito tiroteio e o tempero brasileiro fizeram de Irmãos Coragem um “faroeste caboclo”. Sua linguagem cinematográfica em algumas sequências era uma novidade e tanto para a época.

O ponto de partida foram os romances As Três Máscaras de Eva, de Corbertt H. Thigpen e Hervey M. Checkley, e A Pérola, de John Steinbeck (que ainda rendeu um Caso Especial, em 1972, adaptado por Dias Gomes). Mas Janete Clair também buscou inspiração no romance Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski, e na peça Mãe Coragem, de Bertold Brecht.

Precavida, a autora fez um dos três irmãos Coragem da história, Duda (Cláudio Marzo), um jogador de futebol, para que o público urbano tivesse afinidade com a história. Janete temia um desinteresse pelo tema rural. Mas seu medo logo se desfez nos primeiros capítulos da novela. Os índices de audiência comumente ultrapassavam os 85% – marca então inédita na época para uma telenovela.

E, por sua trama repleta de elementos masculinos, pela primeira vez os homens assumiram que viam novela.

Daniel Filho narrou em seu livro Antes que me Esqueçam:
“Acho que foi a primeira vez que uma novela estourou de ponta a ponta no Brasil, atingindo índices fantásticos de audiência. Deu mais audiência que o final da Copa de 70, entre Brasil e Itália. O jogo foi num domingo, e, no dia seguinte, a audiência da novela foi maior.”

A Globo uniu dois de seus pares românticos mais queridos pelo público na época: Tarcísio Meira e Glória Menezes, e Cláudio Marzo e Regina Duarte. Marzo e Regina saíram antes do fim para estrelar a próxima novela das sete, Minha Doce Namorada. Na história, seus personagens, Duda e Ritinha, reconciliados e felizes, se mudaram definitivamente para São Paulo, onde Duda foi morar.

Ótima direção de elenco, com atuações memoráveis. Destaque para Gilberto Martinho, em uma interpretação marcante como o vilão Pedro Barros. E Zilka Salaberry, em um de seus melhores momentos na TV, ao personificar a verdadeira “mãe coragem”, Sinhana, a matriarca da família Coragem.

Um retrato do Brasil daqueles tempos pode ser encontrado na trama de Irmãos Coragem. A novela foi ao ar em 1970, ano em que o país ganhou a Copa do México, a tortura ainda era encoberta nos porões dos órgãos de repressão, e o General Médici era um presidente que mantinha um olho nos partidos clandestinos e outro nos campos de futebol.
Médici não era muito diferente do Coronel Pedro Barros, o vilão da novela. Em Coroado, a cidade fictícia da história, o prefeito era cúmplice, a polícia era corrupta e o coronel era a lei.
Jerônimo Coragem (Cláudio Cavalcanti) tentava combater as injustiças do coronel entrando para a política. Mas em Coroado, como no resto do Brasil, as eleições eram de mentirinha, o coronel comprava os votos dos eleitores.
Duda, o jogador de futebol, desvendava os bastidores de um esporte muito diferente daquele que a mídia vendia na época.
A novela chegou até a ser um trunfo de uma campanha levantada pela esquerda: a do voto nulo. Em 1970, houve eleições para senador e vereadores. A população votou maciçamente em Jerônimo Coragem, o candidato fictício da novela das oito.

Janete Clair teve a assessoria do jornalista e comentarista esportivo João Saldanha para criar o personagem Duda, o famoso craque, e descrever as angústias de um jovem do interior que se transforma em ídolo do futebol.
Para a realização da sequência em que Duda atua num jogo entre Flamengo e Botafogo, no estádio do Maracanã, o diretor Daniel Filho conversou com o então técnico do Flamengo, Fleitas Solich, e conseguiu com que Cláudio Marzo entrasse em campo com o time, vestindo a camisa 10. A torcida não entendeu que jogador era aquele escalado para a partida mas, durante o aquecimento, o ator não fez feio. Fonte: site Memória Globo.

Localizada numa área de cinco mil metros quadrados, onde hoje funciona o Barrashopping, na Barra da Tijuca (RJ), Coroado foi a segunda cidade cenográfica das novelas brasileiras – a primeira foi a de Redenção (1966-1968), da TV Excelsior.
A cidade tinha oito ruas, praça, prefeitura, delegacia, igreja, pensão, farmácia, bares e mercearia.

Durante a novela, a cidade cenográfica foi destruída em um temporal, e se tornou notícia de jornal, confundindo ficção com realidade. Durante uma enchente no Rio de Janeiro, um helicóptero fotografou a cidade cenográfica. A foto virou manchete do jornal carioca O Dia: “O Rio está inundado”. Destruído pelo temporal, o cenário confundiu os repórteres. E a ficção, finalmente, se tornou realidade no último capítulo, quando o vilão Pedro Barros, enlouquecido, incendeia Coroado.

As cenas do garimpo foram feitas, em sua maioria, na serra de Teresópolis (RJ).

Os problemas enfrentados pela produção eram cotidianos. Um figurante foi atropelado por um cavalo. Outro caiu de sua montaria e ficou coberto de piche. Para gravar na fictícia Coroado, atores e produtores tinham que driblar cobras, jacarés e as chuvas, que frequentemente inundavam o pantanoso terreno e inviabilizavam o cronograma das gravações.

Durante a novela, Regina Duarte ficou grávida de seu primeiro filho, André. Janete Clair criou então uma gravidez para sua personagem, Ritinha, que ganhou uma filha, Gabriela. Em 1973, grávida novamente, a atriz teve finalmente uma filha, batizada de Gabriela. Em 1995, já atriz profissional, Gabriela Duarte viveu Ritinha no remake de Irmãos Coragem.

Também durante a novela, Glória Menezes teve meningite e ficou afastada mais de um mês. Mas as gravações estavam tão adiantadas que ela nem chegou a sair do ar. Daniel contou em seu livro O Circo Eletrônico:
“Tive sorte em Irmãos Coragem. Glória Menezes teve uma meningite braba, ficou um mês fora da novela. Mas não ficou um dia fora do ar porque Janete Clair dividiu as cenas que já tínhamos gravadas. O que tinha sido gravado adiantado para duas semanas ficou no ar mais outras duas semanas e pouco. Quando Glória voltou, gravou uma cena que entrou no dia seguinte no ar. Demoramos até ficar com os capítulos adiantados novamente.”

Sobre a música tema de abertura da novela, Daniel Filho comentou:
“Encomendei a Nonato Buzar uma música meio Enio Moriconi. A letra da abertura que ele fez era tão boa que decidi guardá-la para a virada da história que ocorreria no capítulo 12, quando João Coragem acha o diamante. Eu fiz com que a abertura fosse durante os 12 primeiros capítulos somente uma música instrumental, sem letra, para que tivesse uma valorização quando ele achasse o diamante e entrasse a letra, na voz de Jair Rodrigues: ‘Irmão, é preciso coragem!'”

Uma cena marcante do último capítulo: durante um tiroteio, Jerônimo (Cláudio Cavalcanti) morre com o corpo de sua amada, Potira (Lúcia Alves), também morta, nos braços. Revoltado, João Coragem (Tarcísio Meira), diante da população de Coroado, quebra o diamante que dera origem a todos os conflitos.

Em 1971, não existia o equipamento para fazer o efeito slow-motion (câmera lenta) em televisão. Para dar maior impacto à cena da morte de Potira e Jerônimo, os diretores recorreram à película cinematográfica, filmando a sequência e rodando em câmera lenta.

O perfil do personagem Juca Cipó (Emiliano Queiroz) teve que ser alterado pois as crianças passaram a gostar dele. Juca era doente mental, mas muito violento no princípio. Tornou-se mais infantil, engraçadinho, com o passar do tempo.

No início da novela, Juca Cipó violentou Cema (Suzana Faini), que engravidou e passou a viver um grande conflito com o marido Brás (Milton Gonçalves), um negro que jamais aceitaria um filho branco. Daniel Filho lembrou que os telespectadores torciam para que o filho de Cema nascesse mulato e ela fizesse as pazes com o marido.

A novela marcou a estreia da atriz Sônia Braga na TV.

Irmãos Coragem foi premiada com o Troféu Imprensa de melhor novela de 1970. Regina Duarte levou o prêmio de melhor atriz.

Ao contrário do que se pensa, Irmãos Coragem não foi a mais longa novela já produzida pela TV Globo (328 capítulos). Esse título pertence a uma trama anterior: A Grande Mentira (1968-1969), que teve 341 capítulos.

A história de Irmãos Coragem ganhou um remake em 1995, atualizado por Dias Gomes e Marcílio Moraes – fazendo parte das comemorações dos 30 anos da TV Globo. Porém, dessa vez, não houve sucesso. Marcos Palmeira, Ilya São Paulo e Marcos Winter viveram os irmãos do título.

Irmãos Coragem foi reapresentada em um compacto em 14/01/1980, no Festival 15 Anos (apresentação de Yoná Magalhães).
No mesmo ano, foi reprisada pelas manhãs, dentro do programa feminino TV Mulher.
Reapresentada também, compactada, no Festival 25 Anos, de 23/04 a 18/05/1990.

Por conta de sua reprise no TV Mulher, em 1980, a Som Livre relançou nas lojas o LP da novela. Além de ter o selo da Som Livre atualizado no vinil, o desenho do diamante na logomarca da novela, na capa do disco, recebeu a cor vermelha em substituição à cor branca original.

Em 2011, a Globo Marcas lançou o DVD de Irmãos Coragem, em um box com 8 discos.

Trilha Sonora
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01. IRMÃOS CORAGEM – Jair Rodrigues (tema de abertura)
02. JERÔNIMO – Luiz Carlos Sá (tema de Jerônimo)
03. MINHAS TARDES DE SOL – Regina Duarte (tema de Ritinha)
04. ONDAS MÉDIAS – Umas & Outras
05. PORTO SEGURO – Banda Cores Mágicas
06. COROADO – Denise Emmer & M. Pitter (tema de locação)
07. NOSSO CAMINHO – Maysa (tema de João e Lara)
08. IRMÃOS CORAGEM – Banda Cores Mágicas
09. JOÃO CORAGEM – Tim Maia (tema de João)
10. FLAMENGO, FLAMENGO – Maria Creuza (tema de Duda)
11. BRANCA – Luiz Eça (tema de Diana)
12. O AMOR MAIOR – Eustáquio Sena
13. BACHIANA Nº 5 – Joyce

Temas das novelas Assim na Terra Como no Céu, Irmãos Coragem e Passo dos Ventos
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01. TEMA DE ABERTURA – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
02. BANDINHA – Waltel Blanco (Irmãos Coragem)
03. DIANA – Waltel Blanco (Irmãos Coragem)
04. TEMA DE RICARDINHO – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
05. TEMA DE AMOR – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
06. 200MPH – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
07. I GIORNI DELL’IRA – Riz Ortolani (Irmãos Coragem)
08. FRUSTRAÇÃO – Arlete Salles (Assim na Terra Como no Céu)
09. BACK GROUND – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
10. ZORRA – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
11. TEMA DE SUSPENSE – Waltel Blanco (Assim na Terra Como no Céu)
12. BENAMIE – Waltel Blanco (Passo dos Ventos)

Temas internacionais das novelas Irmãos Coragem e Pigmalião Setenta
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MAYBE TOMORROW – Peter Nero
ON HER MAJESTY´S SECRET SERVICE – John Barry
WE HAVE ALL THE TIME – John Barry
COME SATURDAY MORNING – Peter Nero

ainda
MENINA – Paulinho Nogueira (tema de Potira)
I GIORNI DELL’IRA – Riz Ortolani (tema da vinheta de “estamos apresentando”)
A DASTARDLY DEED – Elmer Bernstein (tema de Pedro Barros)
FEELING ALRIGHT – Joe Cocker
YELLOW RIVER – Christie
JOHNNY BE GOOD – Chuck Berry
ROSEMARY´S BABY THEME – Krzysztof Koneda (tema de Lara)
O DIAMANTE COR-DE-ROSA – Roberto Carlos
LOVE IS A MANY SPLENDORED THING – Mantovani Orchestra
NEVADA SMITH MAIN THEME – Alfred Newman

Sonoplastia: Antônio Faia
Produção Musical: Nelson Motta

Tema de Abertura: IRMÃOS CORAGEM – Jair Rodrigues

Manhã despontando lá fora
Manhã, já é sol, jé é hora
E os campos se abrindo em flor
E é preciso coragem que a vida é viagem
Destino do amor

Abre o peito, coragem irmão!
Faz do amor sua imagem e pão
Quem à vida se entrega
A sorte não nega seu braço, seu chão

O rumo, a raça, a roda, o rodeio
O rio, a relva, o risco, a razão
Mas quem à vida se entrega
A sorte não nega seu braço, seu chão

Irmão, é preciso coragem
Irmão, é preciso coragem…

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