Sinopse

O Rio de Janeiro de 1934 é palco da paixão proibida entre Franz Hauser (Bruno Gagliasso) e Amélia Fonseca (Bianca Bin). Ele é um rapaz rico, filho de um joalheiro suíço, Ernest Hauser (José de Abreu), um homem muito severo que cria os filhos – também Hilda (Luiza Valdetaro) e Viktor (Rafael Cardoso) – num ambiente onde os sentimentos não podem ser revelados. Amélia, por sua vez, é uma jovem batalhadora, nordestina, filha de migrantes, que vive num cortiço da Lapa e trabalha com o irmão na fundição do pai de Franz. É com Amélia que Franz conhece o amor, o carinho e o calor das relações afetivas.

E não só a distância sócio-econômica será um empecilho entre os dois, mas a diferença de visão de mundo. Deste amor improvável nasce uma menina, Pérola (Mel Maia), a única que consegue apaziguar os ódios criados entre as duas famílias tão distintas. Amélia e Franz passam pelas piores armações, são forçados a ficar anos longe um do outro. Estão sempre no meio de uma guerra familiar, às vezes, tendo que se posicionar um contra o outro. E mesmo assim, nada destrói o amor que sentem.

O que ninguém imagina é que Pérola é a reencarnação de um importante líder espiritual tibetano, o budista Ananda Rinpoche (Nelson Xavier), que salvou Franz da morte depois de uma avalanche no Himalaia. Pérola é uma menina muito sensível e especial, que veio ao mundo com a missão de harmonizar pontos de vista conflitantes, que impedem a realização do amor. Especialmente do amor entre Amélia e Franz. Apesar de sua importante missão, ela continua sendo uma criança de dez anos, esperta e divertida.

Ernest Hauser (José de Abreu) é um homem aferrado às suas crenças e tradições. Arrogante e autoritário, ele traçou um destino para cada um dos filhos e exige que todos se submetam às suas vontades. Ele não aceita ser contrariado, mesmo que isso cause sofrimento e dor àqueles que ele ama e a ele próprio. Ernest tem um filho bastardo, Manfred (Carmo Della Vecchia), que luta para ser amado e reconhecido pelo pai. O complexo de inferioridade e o rancor de Manfred, e a profunda inveja que sente de Franz – o filho preferido de Ernest -, fazem dele um oponente muito perigoso.

O clã dos Hauser tem um inimigo, ou melhor, uma inimiga: Sílvia (Nathalia Dill), uma mulher fria e dissimulada cujo único objetivo é destruir os Hauser e vingar a memória do pai, que foi injustamente acusado de ter matado a mulher de Ernest. Outra pedra no sapato de Ernest é Mundo (Domingos Montagner), o irmão mais velho de Amélia, líder operário que luta por melhores condições de trabalho na Fundição Hauser, de sua propriedade. Para piorar as coisas, Mundo é o amado de Iolanda (Carolina Dieckmann), o objeto de desejo de Ernest.

Globo – 18h
de 16 de setembro de 2013
a 5 de abril de 2014
173 capítulos

novela de Duca Rachid e Thelma Guedes
escrita por Thelma Guedes, Duca Rachid e Thereza Falcão
colaboração de Manuela Dias, Ângela Carneiro, Luciane Reis, Camila Guedes, Newton Cannito e Alessandro Marson
direção de Paulo Silvestrini, Joana Jabace, Enrique Diaz e Fábio Strazzer
direção geral de Amora Mautner
núcleo Ricardo Waddington

Novela anterior no horário
Flor do Caribe

Novela posterior
Meu Pedacinho de Chão

BRUNO GAGLIASSO – Franz Hauser
BIANCA BIN – Amélia Fonseca
JOSÉ DE ABREU – Ernest Hauser
CARMO DALLA VECCHIA – Manfred Ducke
DOMINGOS MONTAGNER – Mundo (Raimundo Fonseca)
CAROLINA DIECKMANN – Iolanda Lopez
NATHALIA DILL – Silvia Zampari / Silvia Lemos
RAFAEL CARDOSO – Viktor Hauser
ANA LÚCIA TORRE – Gertrude
REGINALDO FARIA – Venceslau Lopez
MARIANA XIMENES – Aurora Lincoln
THIAGO LACERDA – Toni
ANA CECÍLIA COSTA – Gaia
LUIZA VALDETARO – Hilda Hauser / Célia
LUIZ GUSTAVO – Apolônio
MARCOS CARUSO – Arlindo Pacheco Leão
LETÍCIA SPILLER – Lola Gardel
CAIO BLAT – Sonan
FABÍULA NASCIMENTO – Matilde Meyer
ÂNGELO ANTÔNIO – Tempa
LEOPOLDO PACHECO – Válter Passos
CLÁUDIA OHANA – Laura Passos
MIGUEL RÔMULO – Décio Passos
PAULA BURLAMAQUI – Volpina
ROSI CAMPOS – Miquelina
NICETTE BRUNO – Dona Santinha
MARCELO MÉDICI – Joel
LUANA MARTAU – Cléo (Creontina)
CLÁUDIA MISSURA – Dona Conceição
TÂNIA KHALIL – Dália Monteiro
LEANDRO LIMA – Davi Monteiro
RICARDO PEREIRA – Fabrício
SIMONE GUTIERREZ – Serena Fox
CRISTIANE AMORIM – Zefinha / Josephinne
TIAGO ABRAVANEL – Odilon Mascarenhas
ÍCARO SILVA – Artur
VICENTINI GOMEZ – Delegado Cavalcante
PEDRO NESCHLING – Arlindinho
JULIANA LOHMANN – Belmira
NORMA BLUM – Mama Francesca
SÍLVIA SALGADO – Pilar
MARCOS DAMIGO – Dr. Rúbens
RENATO GÓES – Nuno
ANA LIMA – Zilda
GIOVANNA EWBANK – Cristina
GUTA RUIZ – Elisa
FÁBIO YOSHIHARA – Jampa
CACAU PROTÁSIO – Lindinha
GLICÉRIO ROSÁRIO – Etelvino
JORGE MAYA – Cícero
ANTHERO MONTENEGRO – Benito
JOELSON GUSSON – Laerte
KARINE CARVALHO – Rosa
MARIA GAL – Margarida
ADÉLIO LIMA – Josias
MICHEL GOMES – Curió
ALEXANDRE RODRIGUES – Josué
LAND VIEIRA – Isaías
BIA GUEDES – Julieta
ADRIANO BOLSHI – Rigpa
as crianças
MEL MAIA – Pérola Fonseca Hauser
JOÃO FERNANDES – Peteleco
XANDE VALOIS – Tavinho / Giuseppe
MAX LIMA – Caetano
ADRIANO ALVES – Norbu
e
ARMANDO BABAIOFF – Aderbal Feitosa (radialista que lança Hilda com cantora de rádio)
DANIEL BLANCO – irmão de Gertrude
DJA MARTINS – Bibiana (mulher de Eufrásio, tomam conta de Silvia depois que ela sofre um atentado)
ÉLCIO ROMAR – Salvador (ex-jardineiro da mansão Hauser, testemunha da morte da mulher de Ernest)
GILLRAY COUTINHO – Batista
GLÓRIA MENEZES – Pérola (idosa, no último capítulo)
GUSTAVO TRESTINI – Dr. Silveira (advogado que cuida dos interesses de Amélia, Mundo e Toni)
HÉLIO RIBEIRO – juiz no caso da guarda do menino Giuseppe/Tavinho
ÍSIO GHELMAN – Heitor Zampari (pai de Silvia, amante da mulher de Ernest)
JOÃO VICTHOR OLIVEIRA – Ernest Hauser (jovem)
JOSÉ ARAÚJO – Eufrásio (marido de Bibiana, tomam conta de Silvia depois que ela sofre um atentado)
JULIANA ARAÚJO – Marta (neta adoentada de Salvador)
MABEL CEZAR – Elvira (secretária de Ernest)
MARCELO AQUINO – Peçanha (auxiliar do delegado Cavalcante)
MÁRCIO EHRLICH – Dr. Moacir (advogado de Ernest)
MARIANA MACNIVEN – Catarina (falecida mulher de Ernest)
MOUHAMED HARFOUCH – editor do livro de Pérola, no final
NELSON XAVIER – Ananda Rinpoche (mestre budista)
NICOLA LAMAS – Bauducco (italiano que leva o panetone para o Brasil)
OTHON BASTOS – Fernando (médico amigo de Gertrude que vai olhar Pérola, no final)
PAULO VERLINGS – Cleber (subornado por Manfred para incriminar Ernest)
RHAISA BATISTA – Tereza (namorada de Davi que o abandonou quando descobriu que ele estava paralítico)
RITA PORTO – Idalina (trabalha no orfanato para onde Giuseppe bebê foi levado)
ROBERTO PIRILO – juiz no julgamento de Ernest
SACHA BALI – Eurico Passos (amigo de Frans, ex-namorado de Amélia, morre no início)
STELLA MARIA RODRIGUES – Marlene (ajuda Manfred a raptar Pérola, no final)
SUELY FRANCO – Rosarinho (irmã de Dona Santinha)
VILMA MELO – Fátima (mãe de Tiaguinho, o menino que Iolanda adota, após a morte dela)
VINÍCIUS MANNE – empresário interessado em patrocinar a creche comunitária organizada por Iolanda
Salete (diretora do orfanato para onde Giuseppe bebê foi levado)
Tiaguinho – órfão adotado por Iolanda, filho de Fátima

As primeiras notícias sobre Jóia Rara despertaram curiosidade e expectativa: uma novela que tinha o Budismo como pano de fundo, em que uma menina era a reencarnação de um mestre budista. Nossa TV nunca havia ido aos Himalaias para mostrar essa cultura tão exótica aos olhos do brasileiro médio. Uma novidade e tanto! Ainda mais vindo do trio Thelma Guedes e Duca Rachid (no roteiro) e Amora Mautner (na direção), as responsáveis pelo sucesso da ótima Cordel Encantado, em 2011.

Produção impecável, a trama recriou as décadas de 1930 e 1940 – tanto no Rio de Janeiro quanto no Nepal – de maneira belíssima, em cenários, figurinos e direção de arte. Fotografia caprichada e cinematográfica, direção segura, trilha sonora bonita e ótimo elenco, em interpretações marcantes. Tecnicamente falando, Jóia Rara era uma joia mesmo.

Entretanto, com o passar do tempo, a novela foi se revelando um mais do mesmo. Muito bem feito, muito bem produzido, claro. E amparado em um elenco de primeira e alguns personagens carismáticos. Mas a trama de reviravoltas e joguinhos de gato e rato entre mocinhos e vilões foi cansando ao longo dos meses.

E, parece, foi pouco para empolgar o telespectador. A novela fechou com uma média final de 18 pontos, empatando com Lado a Lado (do mesmo período no ano anterior), a menor já registrada para o horário das seis. Flor do Caribe, a trama anterior no horário, fechou com 21, e Cordel Encantado, havia alcançado 26 pontos em 2011 (números do Ibope da Grande São Paulo).

Apesar de ficar claro que Jóia Rara não tinha a pretensão de difundir a doutrina budista – apenas usá-la como pano de fundo -, a novela não teve como escapar das frases feitas, de autoajuda, piegas, muitas vezes declamadas. Sensação talvez intensificada por conta do maniqueísmo dos personagens: de um lado, vilões extremamente maus, e do outro, mocinhos bons demais.

A novela também foi criticada por fugir de sua cronologia. Músicas fora da época retratada foram cantadas no Cabaré Pacheco Leão. O comportamento extremamente contemporâneo de alguns personagens (principalmente femininos), também não condizia com a época da trama.
Ainda que o público encontrasse respaldo em algumas temáticas atuais – como os direitos trabalhistas às mulheres -, as autoras sentiram-se à vontade para usar referências modernas em nome da liberdade criativa.

Todavia, há de se destacar a direção e a garra do elenco, que conseguiram dar alguma dignidade aos exageros do roteiro. A novela teve excelentes sequências dramáticas envolvendo Bianca Bin, José de Abreu, Carolina Dieckmann, Nathalia Dill, Ana Cecília Costa e Carmo Della Vecchia – este último, quando não exagerava nas caretas de seu vilão Manfred.

Se o melodrama pesou e prejudicou a história de Jóia Rara, por outro lado, o humor sobressaiu-se positivamente. Foi aí que brilharam Marcelo Médici e Luana Martau (impagáveis como a dupla Joel e Cléo), Mariana Ximenes e Letícia Spiller (as rivais Aurora e Lola), Cristiane Amorim (como Zefinha) e vários outros personagens dos núcleos do Cabaré Pacheco Leão e da pensão de Dona Conceição (Cláudia Missura).

A grande sorte de Jóia Rara foi a escalação da pequena Mel Maia para o papel da menina Pérola. Centralizar uma história de temática adulta em uma criança é um risco grande, ainda mais quando a personagem precisa propagar mensagens de amor sem parecer piegas. Pérola foi a responsável por trazer leveza ao exacerbado melodrama do roteiro.

Thelma Guedes comentou sobre o período escolhido para ambientar a história de Jóia Rara:
“Quando criamos os primeiros passos do nosso enredo, percebemos que precisávamos de um período de grandes conflitos, cisões morais, ideológicas, políticas. Acabamos por encontrar entre 1934 e 1945, época que abrange o “antes” e o “depois” da Segunda Guerra Mundial. A época atua como um pano de fundo muito importante, neste caso, justificando as diferenças tão acirradas entre as famílias de nossos protagonistas. Essas diferenças, oposições, ódios e conflitos potencializam com o nascimento de nosso personagem central: essa menina que vem harmonizar o coração das pessoas, do ambiente e de sua época.”

O colorido das ruas e os templos do Nepal foram escolhidos para dar vida à fictícia cidade de Tarin. A primeira viagem de pesquisa para o país aconteceu em dezembro de 2012. Trinta dias gravando lá, a equipe de produção, direção e elenco encarou uma viagem de 15 mil quilômetros para chegar ao set de gravação e teve que enfrentar vários desafios, como a diferença cultural, o idioma e a culinária.
Serviram de locação as cidades de Katmandu, Patan e Bhak-Tapur – estas duas últimas também foram cenário para o filme O Pequeno Buda (1993), de Bernardo Bertolucci.
Cerca de 200 figurantes nepalenses participaram das gravações.

Luiz Gustavo, intérprete de Apolônio na novela, ficou quatro meses internado em uma Unidade de Tratamento Intensivo – de outubro de 2013 a fevereiro de 2014 – por causa de uma endocardite. Recuperado, retornou às gravações.

Nicette Bruno deixou as gravações de Joia Rara em março de 2014, faltando menos de um mês para o término da novela, por ocasião da morte de seu marido, o ator Paulo Goulart. Na trama, sua personagem, a portuguesa Dona Santinha, foi fazer uma viagem a Portugal. No último capítulo, a atriz retornou.

A voz feminina que anunciava a novela nas chamadas chamou a atenção do público. Era da dubladora Mabel Cezar, a mesma que dublou a protagonista da novela importada Rubi, do SBT, que estava sendo reprisada na ocasião. Mabel também ganhou uma personagem na novela: foi Elvira, secretária de Ernest Hauser (José de Abreu).

Joia Rara foi a vencedora do Emmy Internacional (prêmio norte-americano) de Melhor Novela de 2013.

Trilha Sonora

joiararat
01. JOIA RARA – Gilberto Gil (tema de abertura)
02. NASCENTE – Milton Nascimento (participação de Flávio Venturinni) (tema de Franz e Amélia)
03. A MENINA DANÇA – Novos Baianos (tema de Pérola)
04. FOLHETIM – Gal Costa (tema de Lola)
05. ACALANTO PARA HELENA – Ana Cañas (tema de Pérola)
06. EU NÃO EXISTO SEM VOCÊ – Maria Bethânia (tema de Toni e Gaia)
07. FLOR DA IDADE – Filipe Catto (tema de locação: cortiço)
08. VALSINHA – Chico Buarque (tema de Toni e Hilda)
09. AI, SE ELES ME PEGAM AGORA – As Frenéticas (tema de locação: cabaré Pacheco Leão)
10. EU AMO VOCÊ – Tim Maia (tema de Mundo e Iolanda)
11. NÃO TEM SOLUÇÃO – Dick Farney (tema de Silvia)
12. APRENDENDO A JOGAR – Elis Regina (tema de Manfred)
13. GAYANA – Caetano Veloso (tema de Sonan e Matilde)
14. BEATRIZ – Zizi Possi (tema de Aurora)

Tema de Abertura: JOIA RARA – Gilberto Gil

No meio do rio
A voz do barqueiro
Lança o desafio
Buda de escutar
No meio da noite
No meio do frio
Ao fisgar do açoite
Buda de encontrar
Justo, justo meigo
Entre o belo e o feio
Longe do receio
Perto do sonhar
Onde o amor se esconde
Onde o amor se ampara
Uma joia rara
Um certo penar…

Veja também

  • almagemea_logo

Alma Gêmea

  • profeta2006_logo

O Profeta (2006)

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Cama de Gato

  • cordelencantado_logo

Cordel Encantado