Sinopse

A Professora Juliana (Bruna Linzmeyer) chega à pequena Vila de Santa Fé para ensinar as crianças e se depara com um povo humilde, mas acuado com os desmandos do Coronel Epaminondas Napoleão (Osmar Prado), um homem arrogante que resolve tudo no grito e nas armas e que dita as regras na região. A professora é cortejada por Ferdinando (Johnny Massaro), filho do coronel, que voltou da capital onde se formou em Agronomia, contrariando o pai, que queria vê-lo advogado. Ao mesmo tempo, Juliana conhece o amor altruísta do peão Zelão (Irandhir Santos), capanga do coronel, que começa a questionar as ordens do patrão depois que se apaixona pela professora.

Em meio à guerra que se forma no vilarejo, as crianças Pituca (Geytsa Garcia) e Serelepe (Tomás Sampaio) vivem suas aventuras num mundo à parte, longe das preocupações e interesses dos adultos. A menina Pítuca é filha do Coronel Epa com sua segunda mulher, a esfuziante Madame Catarina (Juliana Paes). E o menino Lepe é um órfão sem lar, por isso o coronel não vê com bons olhos a amizade pura entre sua filha e o garoto.

Globo – 18h
de 7 de abril a 2 de agosto de 2014
96 capítulos

novela de Benedito Ruy Barbosa
colaboração de Edilene Barbosa e Marcos Barbosa de Bernardo
direção de Luiz Fernando Carvalho, Carlos Araújo, Henrique Sauer e Pedro Freire
direção geral e núcleo de Luiz Fernando Carvalho

Novela anterior no horário
Joia Rara

Novela posterior
Boogie Oogie

IRANDHIR SANTOS – Zelão
BRUNA LINZMEYER – Juliana
OSMAR PRADO – Coronel Epa (Epaminondas Napoleão)
JULIANA PAES – Catarina
JOHNNY MASSARO – Ferdinando
PAULA BARBOSA – Gina
RODRIGO LOMBARDI – Pedro Falcão
INÊS PEIXOTO – Dona Tê (Tereza Falcão)
ANTÔNIO FAGUNDES – Giácomo
BRUNO FAGUNDES – Dr. Renato
FLÁVIO BAURAQUI – Rodapé
TEUDA BARA – Mãe Benta
EMILIANO QUEIRÓZ – Padre Santo
RICARDO BLAT – Prefeito das Antas (José Augusto)
CINTIA DICKER – Milita
GABRIEL SATER – Viramundo
DANI ORNELLAS – Amância
LETÍCIA ALMEIDA – Rosinha
RAUL BARRETO – Izidoro
FERNANDO SAMPAIO – Marimbondo
ALICE COELHO – Lurdes
ALEX BRASIL – Jonas
EVANDRO MELLO – secretário do Prefeito
KAIK BRUM – Joca
TATIANA TIBÚRCIO – Jandira
CRIDEMAR AQUINO – Alfredo
as crianças
TOMÁS SAMPAIO – Lepe (Serelepe)
GEYTSA GARCIA – Pituca (Liliane)
KAUÊ RIBEIRO – Tuim
e
STÊNIO GARCIA – delegado
MARELIZ RODRIGUES – Clotilde (mãe de Lepe)
NEY LATORRACA – Cirilo (pai de Renato)
SANDRO CHRISTOPHER – Homero/Bruno (detetive contratado pelo prefeito para investigar o passado do Coronel Epa)

Nova versão de uma antiga novela de Benedito Ruy Barbosa, originalmente exibida pela Globo e TV Cultura entre 1971 e 1972.
Na Meu Pedacinho de Chão da década de 1970, os protagonistas Zelão e a Professora Juliana foram vividos por Maurício do Valle e Renée de Vielmond.

A novela original já tivera uma “continuação”: Voltei Pra Você, apresentada entre 1983 e 1984, em que foi mostrado os personagens Pituca e Serelepe na fase adulta (eles eram crianças em Meu Pedacinho de Chão).

“Não é um remake”, avisou Benedito Ruy Barbosa.
“Eu pensei em fazer um remake, mas quando eu estava começando a trabalhar, pensei assim: é uma oportunidade de eu dizer as coisas que a censura não deixava. E eu pude começar a falar de política, de saúde, de educação. Essa novela não tem nada da outra, só os nomes dos personagens e das localidades”.

O universo rural da trama original ganhou ares lúdicos e passou a desvendar o mundo visto pelo olhar da criança. Desta vez, a novela dispensou o realismo da versão antiga e ganhou ares de contos de fadas. A trama evocou o universo infantil para falar da vida e dos dramas do homem do campo.
O figurino teve inspiração em trajes coloniais confeccionados com tecidos e composições quase que futuristas. Árvores coloridas e casas revestidas de latas revelavam que aquele era um mundo quase mágico.

A infância era a atmosfera que predominou em Meu Pedacinho de Chão e que remetia a outra obra do diretor Luiz Fernando Carvalho: a minissérie Hoje É Dia de Maria (2005).
Também dava para enxergar na estética da novela, referências à obra do diretor americano Tim Burton, que já havia inspirado o visual da novela Saramandaia (2013).

Casas de lata, árvores recobertas de crochê colorido, animais mecânicos. A paisagem na cidade cenográfica remeteu ao imaginário infantil. Essa foi a proposta do diretor Luiz Fernando Carvalho: recriar a Vila de Santa Fé como se fosse vista pelos pequenos Lepe (Tomás Sampaio) e Pituca (Geytsa Garcia).
A produção de arte artesanal foi do artista plástico Raimundo Rodriguez, a cenografia de Keller Veiga, o figurino de Thanara Schonardie e a caracterização, de Rubens Liborio, temperada com recursos de animação e computação gráfica.
“Vila Santa Fé é um lugar que contém todos os lugares da imaginação de Serelepe. A cidade é um brinquedo com outros brinquedos dentro”, definiu Keller.

A cidade cenográfica ocupava um terreno de aproximadamente 8 mil metros quadrados: 28 construções entre igreja, comércio, casas dos personagens e estação de trem. Tudo entrecortado pela linha férrea. As portas e janelas bem pequenas ajudavam a transmitir a sensação de uma cidade de miniatura.
Assim como os brinquedos do século XIX, Luiz Fernando Carvalho decidiu que tudo seria recoberto de lata. Nessa etapa entrou Raimundo Rodriguez, que fez a cobertura de todas as superfícies das casas: telhados, paredes, portas, janelas.
“Foram usadas cerca de 20 toneladas de latas de tinta abertas, dobradas, cortadas, pigmentadas, marteladas, planificadas”, calculou Raimundo, que comandou um exército de artistas, artesãos e operários.
“Cada casa tem sua própria cor, sua própria personalidade, seu próprio desenho, estabelece sua própria relação com o personagem. Se você olhar, não tem uma parede igual à outra, não tem uma casa igual à outra, não tem uma cor igual à outra, tudo é muito original para cada casa.É um conto de fadas surreal, ancestral, atemporal”, resumiu Raimundo.

Raimundo Rodriguez também foi responsável pelos animais articulados da novela, feitos de materiais diversos, como um carrossel de vacas. Os cavalos articulados de personagens como Zelão (Irandhir Santos) e Gina (Paula Barbosa), moviam as patas, pescoço, abriam e fechavam os olhos – e foram inspirados em cavalinhos de um carrossel.

Todos os espaços cênicos ganharam vida com a produção de arte de Marco Cortez, que garimpou objetos do final do século XIX e início do XX em antiquários ou criou réplicas.
“Na casa de Epa [Osmar Prado], que é um homem que ostenta dinheiro e poder, os objetos são mais luxuosos, opulentos. Há muita porcelana, quadros, obras de arte e peças de cama, mesa e banho feitos com materiais nobres como seda e rendas elaboradas, mas também por cortinas de plástico adquiridas no Saara. Há também um acúmulo muito grande de papeis, escrituras, livros caixa, que representam a necessidade de controle e a avareza do personagem”, revelou Cortez.

Para um visual inspirando em mangás, a atriz Bruna Linzmeyer (a professorinha Juliana na trama) pintou os cabelos de rosa. O processo foi supervisionado por Rubens Libório, responsável pela caracterização da novela. Além de ter mudado a cor, todos os dias a atriz fazia baby-liss para ficar com os cachinhos de boneca.

Estreia de Irandhir Santos em novelas. O ator faz sucesso no cinema (em filmes como Tropa de Elite 2, Tatuagem e O Som ao Redor). Na TV, havia atuado apenas em minisséries: A Pedra do Reino (2007) e Amores Roubados (2014). Por sua atuação em Meu Pedacinho de Chão, Irandhir foi eleito pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) o melhor ator na televisão em 2014.
Ele contou sobre a preparação para seu personagem:
“Para o Zelão, fui atrás do cavalo. A postura do brabo, do bravo, do forte, daquele que impõe respeito, que tem uma elegância no seu porte armado.”
Foi o animal também que inspirou o visual do capanga.
“Pesquisando sobre o cavalo, reparei na questão da crina e quis brincar com isso… Sugeri ao Luiz, ele gostou e, junto com o Rubinho [Rubens Libório, caracterizador], a gente chegou neste resultado: uma crina que esconde parte do rosto do Zelão.”

O diretor Luiz Fernando Carvalho afirmou (em entrevista ao UOL, em julho de 2014) sobre as referências que buscou para a novela:
“Assim como um Shakespeare pode e deve ser encenado de várias formas – do histórico ao contemporâneo – e quanto maior a quantidade de leituras mais reafirmada será sua qualidade. Assim foi. Dos westenrs aos animês orientais, tudo me vinha na cabeça. Das operetas de circo-teatro aos antigos melodramas de rádio. Meu Pedacinho de Chão é uma história onde vários gêneros se cruzam: drama, comédia, aventura, quadrinhos, fábula. Me pareceu necessário cruzar também as linguagens, criando uma atmosfera híbrida, contemporânea, capaz de atender às mais variadas modulações da minha interpretação.”

Para dar vida aos personagens, o elenco passou por uma rica preparação, que incluiu aulas de prosódia, isto é, o estudo do ritmo, da entonação e demais atributos correlatos na fala. Em outras palavras, eles tiveram que aprender a se expressar como verdadeiros caipiras.
Para Juliana Paes (a Catarina da trama), a parte mais complicada era justamente quando a aula acabava.
“O mais difícil é voltar para casa e não falar ‘fio’”, brincou a atriz.

A direção de atores também foi um grande diferencial. O elenco enxuto foi escolhido a dedo, com atores em grandes momentos, cada qual dentro do universo, caracterização e proposta de seu personagem. Foi bom ver Antônio Fagundes em um papel menor dentro da trama (o vendeiro Giácomo), mas diferente de tudo que ele já fez na televisão. Diferentes também foram os tipos criados por/para Rodrigo Lombardi e Juliana Paes – duas gratas surpresas, pelo despojamento com o qual viveram Pedro Falcão e Madame Catarina.

Destaca-se também o amadurecimento profissional de Johnny Massaro e Paula Barbosa – irrepreensíveis como Ferdinando e Gina.
Elogios ainda a Osmar Prado, Irandhir Santos, Bruna Linzmeyer, Flávio Bauraqui, Emiliano Queiroz e Ricardo Blat.

Meu Pedacinho de Chão também mostrou o talento de alguns novatos (como Bruno Fagundes e Dani Ornelas), e outros atores mais experientes que pouco ou nunca foram vistos na TV (como Inês Peixoto e Teuda Bara). E claro, o elenco infantil, tendo à frente a dupla Tomás Sampaio (o Lepe) e Geytsa Garcia (a Pituca).

Com toda a liberdade criativa e o foco no visual, a história só não ficou devendo porque os recursos cênicos ajudaram a contá-la. Os personagens eram muito ricos e a produção estética foi acompanhando as transformações pelas quais eles passavam – como nas mudanças de figurinos à medida que iam mudando de personalidade, ou na chegada do inverno, que, na trama, representou o sofrimento e afastamento de Zelão (Irandhir Santos).

O roteiro pulou de personagem em personagem exaltando, momentaneamente, alguma trama, sem se preocupar muito com uma linearidade narrativa. Afora isso, o texto emotivo de Benedito Ruy Barbosa foi percebido em vários momentos, em ótimas interpretações do elenco; os casais românticos eram bons e geraram torcida; e a abordagem ao analfabetismo, que na primeira versão soou apenas como merchandising social, aqui também serviu como mais um elemento a ilustrar a transformação do bronco herói Zelão.

Apesar de tantas qualidades, Meu Pedacinho de Chão não foi campeã de audiência. A novela fechou com uma média de 18 pontos no Ibope da Grande São Paulo – a mesma da novela anterior no horário, Joia Rara. Flor do Caribe, há um ano, fechou com 21 pontos.

Comandado pelo produtor musical Tim Rescala, o elenco da novela apresentou três números musicais ao longo da história. Na primeira ocasião, os atores apareceram cantando, separadamente (cada um, um pedacinho), a música “Chuá Chuá”, de Pedro de Sá Pereira e Ary Pavão. Depois, foi a vez de “A Dor da Saudade”, de Mazzaropi. Por último, o elenco feminino se juntou para cantar “Beijinho Doce”, de João Alves dos Santos.
O estreante em novelas Gabriel Sater – filho do cantor Almir Sater -, que viveu o violeiro Viramundo em Meu Pedacinho de Chão, vez ou outra, cantou algo na novela. A atriz Inês Peixoto (a Dona Tê na trama), que toca acordeon, também já deu uma palhinha.

O menino Tomás Sampaio (o Lepe) é filho do ator Fernando Sampaio, que estava na novela e interpretava o personagem Marimbondo.
Assim como Bruno Fagundes, filho do ator Antônio Fagundes: os dois também estiveram na novela, Bruno viveu o jovem médico Renato, e Antônio, o vendeiro Giácomo.
Já Paula Barbosa – a Gina – é neta de Benedito Ruy Barbosa. A atriz já havia atuado no remake de Paraíso (2009), também de seu avô.

O galinho mecânico que costurava as cenas, aparecendo entre uma e outra, reagindo às tramas da novela, recebeu o nome de Bené, uma homenagem ao autor, Benedito Ruy Barbosa.

Trilha Sonora composta por músicas da banda Devotchka!

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01. HOW IT ENDS
02. YOU LOVE ME
03. DEARLY DEPARTED
04. I CRIED LIKE A SILLY BOY
05. THE OBLIVION
06. TWENTY-SIX TEMPTATIONS
07. SUCH A LOVELY THING
08. THE ENEMY GUNS
09. HEAD HONCHO
10. DEVOTCHKA!
11. DEATH BY BLONDE
12. CHARLOTTE MITTNACHT
13. LA LLORRONA
14. EL ZOPILOTE MOJADO

Trilha Sonora Instrumental músicas de Tim Rescala gravadas pela Orquestra Sinfônica Heliópolis e Coral Da Gente

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01. ABERTURA DE MEU PEDACINHO DE CHÃO
02. AMANHECER NA CIDADE
03. SERELEPE E PITUQUINHA
04. CIDADE SITIADA
05. EPA, O TODO PODEROSO
06. PEDRO FALCÃO
07. ZELÃO
08. CRÔNICA DA CIDADE
09. A CHEGADA
10. JULIANA
11. A PAIXÃO DE ZELÃO
12. A VERTIGEM DE ZELÃO
13. ROSINHA
14. BRINCANDO DE VELHO OESTE
15. A MAGIA DO LUGAR
16. A SOLIDÃO DE EPAMININDAS
17. GIÁCOMO
18. INFANCIA DE PÉS NO CHÃO
19. EPA TROLLER
20. GINA
21. SUSPENSE NA CIDADE
22. CORRIDO DA MADAME EPA
23. ADÁGIO ATEMPORAL
24. SERELEPE, SEM EIRA NEM BEIRA
25. PERIGO SOBRE O CHÃO
26. TRIO EM CONFLITO
27. A BANDA DE SERELEPE
28. FELICIDADE NA CIDADE

Veja também

  • velhochico

Velho Chico

  • volteipravoce_logo

Voltei Pra Você

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Sinhá Moça (2006)