Sinopse

O ano é 1946 e é possível ouvir o som dos rádios ecoando por cada lar brasileiro. A voz do locutor é algo tão familiar aos ouvidos das donas de casa, que ela até se atreve a contar histórias e anunciar produtos. É neste cenário que conhecemos Saulo Ribeiro (Murilo Benício), um talentoso vendedor dos populares aparelhos, que se apaixona perdidamente pela voz marcante de Verônica Maia (Débora Falabella). Juntos e apaixonados, o casal deixa o interior para ganhar a vida na capital fluminense. Dez anos se passam e, assim como Saulo planejara, Verônica se torna a diva da Rádio Copacabana, e ele, um perspicaz produtor do ramo.

Saulo Ribeiro é inquieto e visionário. No auge dos anos 1950, ele decide arriscar suas fichas em um sonho que, aparentemente, parece loucura para muita gente: a inauguração da primeira emissora de televisão. Com experiência na bagagem e confiança de sobra, tudo que ele precisa é de um investidor. E ninguém melhor do que Otaviano Azevedo Gomes (Daniel de Oliveira), um jovem rico e metido na política, para financiar as primeiras produções da TV Guanabara. Os tradicionais aparelhos de rádio começam a ceder espaço para os inovadores televisores. É o começo de uma nova era. Para coordenar a fervorosa emissora, Saulo conta com a ajuda de Aristides (Bruno Garcia), seu melhor amigo e conselheiro, que também acumula as funções de produtor, roteirista e diretor.

Tudo parece estar correndo bem para Saulo, até o momento em que descobre que é incapaz de gerar um filho. Com vergonha de assumir o problema para a esposa, ele opta pelo fim do casamento, e a atriz acaba dividindo apartamento com o ex-colega de trabalho, Péricles (Fabrício Boliveira). O processo de divórcio, no entanto, não impede o empresário de convidar a ex-mulher para protagonizar, ao lado de Rodolfo (Alejandro Claveaux), a novela “Anna Karenina“, a primeira grande aposta da TV Guanabara. É nesse meio tempo que Beatriz (Bruna Marquezine), uma dançarina de boate que sonha com a fama, aparece para Saulo. Sensual e persuasiva, a jovem consegue um emprego na TV Guanabara, integrando o elenco da telenovela. A exuberância e o frescor da atriz principiante encantam não só a audiência e a mídia, como também Otaviano, que, para o desgosto do pai, assume publicamente o romance. Outra que não gosta nem um pouco dessa história é Verônica, se vê ofuscada pela nova estrela.

Otaviano e Júlia (Letícia Colin) são filhos do magnata Pompeu Azevedo Gomes (Osmar Prado), um homem extremamente rico, dono de empresas em diversos setores industriais. Enquanto Otaviano é um jovem mimado e sem grandes ambições, Júlia é calculista e dominadora. Inclusive, é ela quem incentiva o irmão a assumir o lugar do pai na política e a fechar negócio com Saulo. Criados sem a mãe, os dois jovens da elite carioca possuem uma relação extremamente íntima um com o outro, a ponto de dividirem um romance com Beatriz.

Globo – 22h30
de 27 de setembro
a 20 de dezembro de 2016
12 episódios

série de Guel Arraes e Jorge Furtado
escrita por Guel Arraes, Jorge Furtado e João Falcão
direção de Isabella Teixeira
direção geral de Luísa Lima
direção artística de José Luiz Villamarim

MURILO BENÍCIO – Saulo Ribeiro
DÉBORA FALABELLA – Verônica Maia
BRUNA MARQUEZINE – Beatriz dos Santos
DANIEL DE OLIVEIRA – Otaviano Azevedo Gomes
LETÍCIA COLIN – Júlia Azevedo Gomes
OSMAR PRADO – Pompeu Azevedo Gomes
CÁSSIA KISS – Odete dos Santos
BRUNO GARCIA – Aristides
JESUÍTA BARBOSA – Davi
ALEJANDRO CLAVEAUX – Rodolfo
FABRÍCIO BOLIVEIRA – Péricles
DANIEL BOAVENTURA – Carvalho Rocha
IGOR ANGELKORTE – Vítor
o menino BERNARDO BERRUEZO – Thiago (filho de Verônica)
e
ADRIANO PETERMANN – cliente bêbado na boate agredido por Davi por atrapalhar seu show
ALDO PERROTA – cliente no bar, durante jogo da Copa do Mundo em que o Brasil foi campeão
ALTAIR RODRIGUES – Ary Coutinho (sonoplasta)
ANA COTRIM – freira que rejeita Thiago na escola por ser filho de mãe solteira
ANTÔNIO FÁBIO – Ernesto (pai de Verônica)
CAMILO LELIS – Orelha
CASSIANO RICARDO – Dr. Silveira (dono da rádio do interior)
CÁSSIO PANDOLFI – juiz que dá a guarda de Thiago para Saulo
CÉSAR MELLO – Roni Son (cantor brasileiro que Saulo apresenta na TV Guanabara como se fosse um cantor americano)
CLARICE NISKIER – Silvia (patroa de Odete, no interior, onde Beatriz cresceu e foi abusada pelo patrão)
DANI ANTUNES – Daisy
DAVID WENDEFILM – Richard (americano, pai do filho de Verônica)
EDMILSON BARROS – Armando
EDUARDO SALLES – Clóvis
GABI COSTA – Miriam
GRETA ANTOINE – Laura (possível filha de Saulo)
HÉLIO RIBEIRO – Inspetor Cardoso (policial que manipula dados na investigação da morte de Odete e do incêndio na TV Guanabara)
ISAAC BERNAT – corretor de imóveis que rejeita Péricles, quando este vai alugar um apartamento, por ele ser negro
ISABELA DRAGÃO – Nicinha (babá de Thiago)
IVAN VELLAME – Cajá
JAEDSON BAHIA – Tennesse (operador de áudio no switch)
LÉO WEINER – Francisco (mordomo da família de Pompeo Azevedo Gomes)
PEDRO BRÍCIO – Murilo (repórter e paparazzo que tira fotos de Verônica e outros artistas em momentos comprometedores)
RITA ELMOR – Marta
SUZANA RIBEIRO – Maria de Lourdes (mãe de Verônica)
VIRGÍNIA CAVENDISH – Carmem (mãe de Laura, teve um caso com Saulo no passado)

Série exibida às terças-feiras, após a novela das 21 horas.

Uma produção requintada, com fotografia, cenários, figurinos e trilha sonora inquestionáveis. Elenco enxuto e bem dirigido, com excelentes atuações. O glamour da era do rádio e a primeira década da televisão no Brasil (anos 1950) como pano de fundo para dois núcleos de tramas que se alternavam: a relação do casal Saulo e Verônica (Murilo Benício e Débora Falabella), e o triângulo sensual Otaviano-Beatriz-Júlia (Daniel de Oliveira, Bruna Marquezine e Letícia Colin).
Tantas qualidades não conseguiram fazer de Nada Será Como Antes um sucesso de repercussão ou audiência (média final de 18 pontos no Ibope da Grande SP). A atração foi vendida como “série”, para ser exibida uma vez por semana. Mas o que se viu foi uma narrativa que se perdia depois de sete dias. Funcionaria melhor se apresentada diariamente, como uma minissérie.

“Nossa história é uma ficção, com alguma liberdade criativa, sobre o nascimento daquilo que viria a ser uma paixão dos brasileiros: as telenovelas”, disse Guel Arraes em entrevista.

Apesar de se passar por volta da década de 1950, a série não tem caráter documental.
“A televisão é uma subtrama, um charme. Tem algumas informações, algumas curiosidades dos bastidores do início da televisão no Brasil, mas o drama pessoal, a história dos personagens é o foco principal”, informou Jorge Furtado.

Nada Será Como Antes não segue um rigor histórico.
“É ficção total, inclusive tem várias licenças que a gente toma, como quando foi a primeira novela. Novela diária só começou em 1962. Antes, era só às terças e quintas. É ficção baseada em fatos reais.”, explicou João Falcão.
“Fomos bastante fieis aos acontecimentos políticos, culturais, esportivos do país, mas tomamos muitas liberdades quanto à ordem dos acontecimentos na história da televisão”, complementou Guel.
José Luiz Villmarim salientou: “A série é baseada em fatos reais, mas é uma obra de ficção. No fim dos anos 50, por exemplo, a novela no Brasil era exibida duas vezes por semana. A nossa vai ao ar todos os dias. É interessante que tenhamos essa liberdade. Não é uma produção documental.”

A trama evoluiu lentamente ao longo de seus dez primeiros episódios – sensação causada, talvez, pela exibição semanal – para explodir nos últimos, com desfechos interessantes envolvendo o núcleo de Beatriz (Bruna Marquezine), o melhor. Ótima em papeis dramáticos, Marquezine mostrou amadurecimento em uma personagem que lhe coube como uma luva. Já o casal Saulo e Verônica (Murilo Benício e Débora Falabella), não saiu do cansativo vai-e-volta, tira-e-concede a guarda do filho – apesar das ótimas atuações dos atores.

No mais, uma tímida homenagem à história de nossa televisão. Nada Será Como Antes não tinha a pretensão de ser documental ou refazer os passos dos pioneiros da TV. Mas com tanto aparato (perfeita reconstituição de cenários e parafernália de televisão), a atração limitou-se a narrar o modus operandi dos primórdios da TV e perdeu uma ótima oportunidade de ir além do “pano de fundo”.

Os figurinos unem o glamour e o dia a dia da sociedade das décadas de 1940 e 1950. Misturando essa ideia às referências de artistas, o figurinista Cao Albuquerque optou por trabalhar com uma paleta de cores mais sóbrias.
“Eu quis contar uma história em preto e branco num seriado que será colorido”, explicou. “Saulo [Murilo Benício], por exemplo, será um homem prático, de negócios, e estará sempre com coletes e suspensórios em tons de cinza ou marrom.”
Para Verônica (Débora Falabella), a principal referência foram as cantoras do rádio: “As cantoras tinham mais glamour naquela época, em que nossas grandes atrizes estavam do teatro.”

A ousadia no figurino estará no guarda-roupa de Beatriz (Bruna Marquezine). Como uma mulher à frente de seu tempo, a personagem não vai economizar nas transparências, rendas e decotes.
“A Beatriz tem um sex appeal que foi buscado na Jane Mansfield, na Rita Hayworth e na Marilyn Monroe, mulheres que revolucionaram sexualmente os anos 50”, analisou o figurinista.

Para a caracterização, as referências foram encontradas na moda da década de 1950.
“Fui em Channel, Cristian Dior e nos demais grandes nomes da moda. Para compor Saulo e Verônica, me baseei em um editorial de moda com Marcello Mastroianni e Anouk Aimée que, assim como a nossa personagem, usava cabelos curtos”, contou a caracterizadora Lu Moraes. A exceção é Beatriz, que teve seu visual inspirado na modelo contemporânea Dita Von Teese.

Os destaques, tanto no figurino quanto na caracterização, puderam ser conferidos especialmente nos momentos em que a novela Anna Karenina era encenada dentro da série, com roupas e perucas do século 19. As novelas ganharam na série um requinte de produção para justificar o fascínio que a tevê viria a exercer, representando a sua força e poder. Além destes, outros momentos na trama que chamaram atenção pela exuberância das roupas – tanto do elenco principal quanto da figuração – foram o baile de carnaval e a festa de ano novo, dois acontecimentos que mobilizavam a sociedade carioca.

Responsável pela produção de arte de filmes como Ensaio Sobre a Cegueira, Cidade de Deus e Tropa de Elite, Tulé Peak fez aqui a sua estreia na TV. Tendo como ponto de partida o momento histórico em que se passava a série, Tulé trouxe para a produção de arte e para a cenografia, assinada em conjunto com Pedro Équi, esse contorno de progresso. A produtora de tevê e a casa de Saulo, foram a maior representação dessa ideia de futuro que permeava toda série.
“Tudo que envolve o universo deste personagem tem um quê de vanguarda. Da casa em que ele vive à sua produtora, tudo deve representar esse olhar adiante”, revelou Pedro.

Na casa de Saulo o mobiliário e obras de arte privilegiavam nomes brasileiros que despontavam na época, como Sérgio Rodrigues e Portinari.
“O estilo da casa de Saulo mistura o art déco e o modernismo arquitetonicamente, mas com uma decoração contemporânea da década de 50. Ele é um homem antenado a tudo o que rolava de mais moderno na cultura do seu tempo. Em contraposição, a casa de Pompeu (Osmar Prado), um homem apegado a tradição, tem um ar clássico, palaciano”, complementou Tulé.

O maior exemplo da cenografia e produção de arte como representação da visão de Saulo era a estação de trem do cenário da primeira telenovela produzida pela TV Guanabara, Anna Karenina. Ao produzi-la, Saulo deveria arrebatar o público e convencer os anunciantes sobre o potencial do gênero. Para tanto, não poupou esforços. O personagem recriou em estúdio uma estação de trem russa, em pleno inverno, com direito a neve artificial e uma locomotiva de 15m de comprimentos por 3,5m de altura que se movimentava em um trilho de 100m de comprimento.
“Este foi um grande desafio, fazer com que o trem coubesse no estúdio, permitisse movimento e que fosse manual para ser algo apropriado para época. O material teve que ser o mais leve possível, mas com estrutura para comportar as pessoas”, contou Pedro Équi.
“A televisão nos seus primórdios era mais simples, um cenário como este não existiria. Mas a intenção é mostrar a ambição do Saulo e o crescimento dessa transposição do rádio para a tevê. Para isso, enobrecemos a produção, mas tivemos como base uma ampla pesquisa. Não é um registro histórico, mas temos parâmetros”, reforçou o produtor de arte Tulé.

Assim como este, outros cenários de novelas e programas foram inseridos no cenário da fictícia emissora. À época, era comum galpões industriais serem adaptados para estúdio. Sendo assim, os Estúdios Globo foram cenografados em 360 graus, como um galpão, dando a ideia de se estar em uma locação externa. A planta era em formato de U, de forma que a câmera circulasse com fluidez pelos ambientes da TV Guanabara, provocando diferentes sensações.
“As câmeras precisam percorrer os espaços. É um labirinto, um percurso. Elas vão acompanhando o ator, mostrando a dinâmica dos bastidores da televisão: camarins , corredores de serviço, swticher, área técnica de áudio e a sala do Saulo com vista panorâmica”, disse Pedro Équi.
Em relação aos objetos de época, como câmeras e rádios, muitos foram adquiridos de colecionadores e até mesmo de museus dando todo o charme da produção.

A produção musical – de Eduardo Queiroz – primou pela elegância e sofisticação. Estava presente o jazz dos anos 1950, base para todas as performances do elenco, como o número de Beatriz em “The Man I Love”, de Billie Holiday. Em ocasiões como essa, o elenco teve suas vozes captadas ao vivo, para manter o calor e a emoção da cena.
Há mais de 90 intervenções musicais no roteiro, cada uma delas traz a nostalgia e o glamour do período. No repertório, canções que vão de Lamartine Babo e Silvinha Telles a Ella Fitzgerald e Nina Simone, entre outras.
Além das canções, 25 músicas foram criadas para as vinhetas dos programas, radionovelas e telenovelas que se passavam dentro da série. Para diferenciar essa trilha da trilha da narrativa dramática (dos personagens reais da série) foram compostos temas instrumentais originais, com uma estética mais contemporânea, menos presa ao estilo usado na época.

Tema de abertura: TRY A LITTLE TENDERNESS – Otis Redding

[This is for you] Ooh she may be weary
And them young girls they do get weary
Wearing that same old shaggy dress
But when they get weary
[You gotta] try a little tenderness

[Tell you, might not believe it, but]
You know she’s waiting
Just anticipating
The thing that she’ll never, never, possess,no,no
But while [all the time] she’s without it
Go to her and try just a little bit of tenderness
[Thats all you gentlemen gotta do]

Oh,but its one thing
It might be a bit sentimental yeah, yeah
She has – her greaves and care
But the soft words [they] are spoken so gentle
Yeah
But, oh, that makes it, makes it easier to bear, yeah

You wont regret it
No no,
Them young girls they dont forget it
[Cause] Love is their whole, whole happiness Yes, yes, yeah

And its all so easy
Come on and try
Try a little Tenderness
Yeah Try
Just keep on trying

You’ve got to love her
Squeeze her
Don’t tease her Make love [Get to her]
Hold her tight
Just, just try a little tenderness
Thats all you gotta do
Youve gotta hold her tight

One more time
You`ve got to love her
hold her Don’t tease her
Never leave her
Make love to her
Hold her, man

Try a little tenderness
[Just one time] God have mercy now

All you`ve gotta do
Love her
You’ve gotta hold her
Don’t squeeze her
Never leave her Y
ou gotta now,now,now

Watch it , tell everybody
Try
Try a little tenderness

You gotta make love
Don’t tease her
Never leave her
Rub her down
Smooth her, soothe her
Move her
Love her
Rub her
Gotta gotta, zak it to her
Try some tenderness

Oh yeah
Tenderness
Little tendernes
Gotta, lord you gotta hold her
Squeeze her Never leave her

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