Sinopse

Na pequena Taperoá, sertão paraibano, vive de pequenos bicos e muita esperteza, a dupla João Grilo e Chicó. O primeiro, que costuma dar jeito em tudo, arruma encrenca na tentativa de convencer o Padre João a benzer a cachorra desenganada de sua patroa, a fogosa Dora, mulher do padeiro Eurico. O segundo, covarde e mentiroso, segue os passos do amigo, mas insiste em que as coisas vão terminar mal. Está com a razão. A cachorra morre e Dora quer um enterro cristão para o animal. Mediante uma suposta herança deixada pela cachorra em testamento, o padre faz o enterro, e os fatos acabam nos ouvidos do Bispo, em visita à cidade, que também quer a sua parte na herança.

Está também na cidade Rosinha, a filha do poderoso Major Antônio Morais que oferece a mão da moça a um pretendente valente e rico. A situação piora quando Chicó se apaixona por ela e, com a ajuda de João Grilo, tenta enganar o Major. É quando entra em cena o temível cangaceiro Severino e seus capangas. A bagunça está formada.

Os personagens são mortos no confronto com os cangaceiros e vão a julgamento tendo o Diabo como advogado de acusação. Jesus Cristo é o juiz, e João Grilo pede para que Sua mãe, Nossa Senhora – a Compadecida – interceda por eles no julgamento. A santa consegue livrar os mortos da condenação ao inferno e se compadece de João Grilo, que revive para se redimir dos pecados cometidos.

De volta, ele reecontra seu parceiro Chicó, agora possuidor de uma grande fortuna obtida com falcatruas. Certo de que finalmente está rico, João Grilo surpreende-se ao saber que Chicó deve doar todo o dinheiro como pagamento da promessa que fizera para ter o amigo de volta.

Ao fim da história, os dois continuam pobres e ganham a estrada com nova companhia, Rosinha, que abandonara tudo para viver ao lado de Chicó.

Globo – 22h30
de 5 a 8 de janeiro de 1999
4 capítulos

roteiro de Adriana Falcão, Guel Arraes e João Falcão
baseado na obra de Ariano Suassuna
direção de Guel Arraes

MATEUS NACHTERGAELE – João Grilo
SELTON MELLO – Chicó
FERNANDA MONTENEGRO – Nossa Senhora, a Compadecida
MAURÍCIO GONÇALVES – Jesus Cristo
LUÍS MELLO – Diabo
LIMA DUARTE – Bispo
ROGÉRIO CARDOSO – Padre João
DIOGO VILELA – Eurico
DENISE FRAGA – Dora
PAULO GOULART – Major Antônio Morais
VIRGÍNIA CAVENDISH – Rosinha
MARCO NANINI – Cangaceiro Severino
BRUNO GARCIA – Vicentão
ARAMIS TRINDADE – Cabo Setenta
ENRIQUE DIAZ – cangaceiro

Segundo projeto de parceria da TV com o cinema (o primeiro foi Guerra de Canudos). Gravado em película, O Auto da Compadecida fez mais sucesso do que esperavam seus realizadores. Com a boa resposta do público, o diretor Guel Arraes pôs em prática o que já havia planejado desde antes de iniciar as filmagens: lançar uma versão reduzida da microssérie nos cinemas. A microssérie foi ao ar em janeiro de 1999, e chegou aos cinemas no segundo semestre de 2000, tornando-se a maior bilheteria do ano.

Apresentada em 4 capítulos, a microssérie obteve índices de audiência crescentes: os 36 pontos da estréia se transformaram em 39 no último dia – desempenho superior ao da novela das oito, Suave Veneno, que estreou na mesma semana.

Grande destaque para Matheus Nachtergaele, que interpretou o esperto João Grilo. Além da maquiagem e do figurino, o ator forçou um olhar vesgo que deformava sua fisionomia. Ao seu lado, Selton Mello também brilhou como o ingênuo Chicó.

A caracterização do elenco foi minuciosa: Matheus Nachtergaele teve sua pele escurecida e recebeu uma prótese para ficar com os dentes amarelos e irregulares. Marco Nanini usou um olho de vidro, látex no rosto, peruca e roupas que chegavam a pesar oito quilos.

As filmagens se prolongaram por 37 dias (uma média de 9 dias por capítulo), em Cabeceiras, no sertão da Paraíba, e nos estúdios do Projac e Cinédia, no Rio de Janeiro.

A personagem Rosinha, de Virgínia Cavendish, apenas era citada na obra original de Ariano Suassuna. Na microssérie ela tornou-se a amada de Chicó (Selton Mello), contribuição exclusiva do diretor Guel Arraes.

Em 2001, outra microssérie de Guel Arraes chegaria aos cinemas: A Invenção do Brasil.

O Auto da Compadecida ganhou o Grande Prêmio da Crítica, em 1999, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Matheus Nachtergaele foi eleito o melhor ator do ano.

Reapresentada pela primeira vez na televisão, em formato de filme, em janeiro de 2002, no Festival Nacional.

Reapresentada também, como a microssérie original, de 01 a 04/03/2005, no Multishow (canal de TV paga pertencente à Rede Globo), em comemoração aos 40 anos da emissora.

E, ainda, no canal Viva (outro canal de TV a cabo da Globo), entre 17 e 20/12/2012, às 23h15.

A obra de Ariano Suassuna já havia rendido um filme: A Compadecida de George Jonas, em 1969, com Regina Duarte (a Compadecida), Armando Bógus (João Grilo), Antônio Fagundes (Chicó), Felipe Carone (Padre João) e Jorge Cherques (o Bispo).

Trilha Sonora *

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01. ABOIO (abertura)

02. PRESEPADA (tema de João Grilo)

03. RÉGIA (mentiras de Chicó)

04. RÓI-COURO (tema de Dora)

05. CAVALO BENTO (chegada do Major à cidade)

06. SEVERINO (tema do Cangaceiro)

07. ENGENHO (Major desafia João Grilo)

08. CHORO MIÚDO (tema de Rosinha)

09. EMBOLÉ (tema de amor de Chicó e Rosinha)

10. CABOCLOS DE ORUBÁ (duelo de três)

11. O PULO DA GAITA (João Grilo ressuscita Chicó)

12. SENTENÇA (morte de João Grilo)

13. FILHO DE CHOCADEIRA (tema do Diabo)

14. MÃE DOS HOMENS (tema da Compadecida)

* A trilha sonora da microssérie foi lançada juntamente com o filme

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