A novela no início sofreu uma campanha negativa da mídia, que preferia endossar as novidades da novela Pantanal da TV Manchete, lançada na mesma época.
Por fim, Silvio constatou que o horário nobre não era exatamente o espaço para comédia e sabiamente transformou a novela num grande e irresistível drama.
Rainha da Sucata estreou em plena efervecência do sumiço do dinheiro através do Plano Collor. E os fatos entraram no cotidiano dos personagens com muita propriedade. O autor comentou numa entrevista:
"Entrei no horário das 20 horas com uma novela de enorme aparato e grandes estrelas. Foi na época em que o Collor assumiu a presidência e prendeu o dinheiro de todo mundo, e todos estavam com raiva dele. Por uma enorme coincidência, a novela tratava do dinheiro que estava mudando de mão no país. Era a história de uma família fina e tradicional, sem dinheiro, e uma família cafona, com muito dinheiro. Eu já havia escrito uns 30 capítulos, e os primeiros estavam gravados. Na trama todos negociavam com dólar, aplicavam no over e isso tinha acabado; e eu precisei reescrever os capítulos iniciais para a novela estrear dentro da nova realidade econômica do país. Isso aconteceu numa quarta-feira, e a novela estreou na segunda-feira seguinte falando sobre o dinheiro preso e os personagens reclamando. No outro dia, os jornais publicaram que a Rede Globo já sabia do Plano Collor e não avisou o público, pois até a novela das oito falava no plano. Isso criou uma má vontade espantosa com a novela.
Daniel Filho menciona em seu livro O Circo Eletrônico:
"Não existe regra para o sucesso, mas alguns aspectos são fundamentais. Temos que ser simples na maneira de apresentar a história (...) Quando a novela abre com muitos personagens, confunde o espectador (...) Rainha da Sucata é um exemplo disso. (...) o elevado número de personagens e a mistura de gêneros tumultuaram o início da novela. (...) O público reagiu, no início, com audiência abaixo do desejável. Detectado o problema, Silvio definiu bem os núcleos. Dividiu o humor, o drama e o romance, conseguindo atingir níveis excelentes nos números de audiência. (...) Agora Rainha da Sucata é lembrada como bem sucedida, mas nós sabemos do sufoco que foi no começo".
No meio da trama, por problemas pessoais, Silvio de Abreu teve que se afastar da redação dos capítulos, sendo substituído durante duas semanas por Gilberto Braga.
Muitos foram os destaques de Rainha da Sucata. O público se divertiu com o triângulo amoroso formado por Cláudia Raia-Antônio Fagundes-Marisa Orth: a desastrada Adriana (a Bailarina da Coxa Grossa), o gago Professor Caio Szemansky e Nicinha (o Purgante).
Regina Duarte e Glória Menezes, apesar dos exageros, no excesso de cafonice de uma e de finesse da outra, defenderam bem suas personagens.
Mas sem dúvida o grande destaque foi Aracy Balabanian em sua memorável criação: Dona Armênia (sempre às voltas com "os seus três filhinhas"), que para provar sua autoridade como proprietária do edifício na Avenida Paulista, resolve promover a implosão do mesmo, fazendo todo o público rir com o seu hilariante bordão "na chon".
O sucesso de Dona Armênia foi tanto que Silvio de Abreu "ressuscitou" a personagem e seus três filhos em sua próxima novela, Deus Nos Acuda, um fato inédito até então.
O bairro Ponte Pequena em São Paulo, reduto de armênios na cidade, passou a ter um interesse maior por causa da novela. Por conta disso, a estação de metrô da região foi rebatizada de Ponte Pequena para Armênia, tendo a presença de Aracy Balabanian em sua reinauguração.
Participação especial de Marília Pêra, interpretando ela mesma: no início da novela, a atrapalhada Adriana entrava em seu espetáculo Elas Por Ela, na inauguração da casa de shows Sucata. Jorge Fernado também aparece, como diretor do espetáculo.
A humilhação sofrida por Maria do Carmo no baile de finalistas do liceu (em que lhe jogaram um monte de lixo no momento em que foi coroada rainha da festa) foi inspirada no clássico de terror Carrie, a Estranha, de Brian De Palma. No filme, a protagonista era coberta com sangue de porco.
A abertura da novela, desenvolvida pelos designers Hans Donner e Nilton Nunes, mostrava uma boneca de sucata interagindo com bailarinos reais ao som da música Me Chama que Eu Vou, uma lambada cantada por Sidney Magal que consagrou o ritmo no país.
Durante a exibição da novela a Globo decidiu acabar com as "cenas do próximo capítulo". Comprovado que, durante o intervalo entre o final do capítulo e a rápida edição que antecipava trechos das cenas que seriam apresentadas no dia seguinte, o público mudava de canal para a Manchete (para assistir Pantanal) e não voltava para a Globo, a emissora passou a encerrar a novela em seu clímax e jogar no ar direto a programação seguinte.
Primeira novela na Globo dos atores Gerson Brenner e Marisa Orth, e a estréia na emissora da veterana atriz Cleyde Yáconis.
A novela foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre 28/02 e 16/09/1994.