Sinopse

Rosário deixa Olinda e vai tentar a sorte no Rio de Janeiro onde já trabalham, como domésticas, suas três irmãs mais velhas, Cotinha, Graça e Dorzinha. Na Cidade Maravilhosa, a moça vai trabalhar na casa de Carla, escritora e manequim. E acaba se apaixonando pelo complicado Zé Luís.

Enquanto isso, Marco se divide entre o amor de duas belas mulheres, as irmãs Carla e Berta. Ou seria Carla a ficar dividida entre Marco e Bilé?

Também o amor de Dinho, um boa-praça sem sorte, pela estudante Lívia, filha dos ricos Heleno e Gina Duran, os patrões de Cotinha.

Globo – 19h
de 13 de setembro de 1977
a 4 de março de 1978
149 capítulos

novela de Mário Prata
direção de Régis Cardoso e Denis Carvalho
direção geral de Régis Cardoso

Novela anterior no horário
Locomotivas

Novela posterior
Te Contei?

NEY LATORRACA – Marco
BRUNA LOMBARDI – Carla
IVAN SETTA – Bilé
ANA HELENA BERENGER – Berta
ANA MARIA BRAGA – Rosário
RICARDO BLAT – Zé Luís
ISABEL RIBEIRO – Graça
ARLETE SALLES – Dorzinha
ILVA NIÑO – Cotinha
MARCELO PICCHI – Dinho
CHRISTIANE TORLONI – Lívia
JAYME BARCELLOS – Heleno Duran
MARILU BUENO – Gina
JONAS BLOCH – Jacques
SEBASTIÃO VASCONCELOS – Nilo
JOANA FOMM – Hilda
FÁBIO MÁSSIMO – Nando
SÔNIA DE PAULA – Zita
DARY REIS – Olavo
KLEBER MACEDO – Orozimba
ANTÔNIO VICTOR – Adamastor
LUTERO LUIZ – Cláudio
TIÃO D’AVILA – Patrício
GRACINDA FREIRE – Dirce
LUÍS ORIONI – Juvenal
IRMA ALVAREZ – Mabel
JOSÉ DAMASCENO – Pérsio Galvão
CIDINHA MILAN – Iara
TONY FERREIRA – Gouveia
CLÉA SIMÕES – Berenice
MÁRIO PETRÁGLIA – Silvério
ROSANNI MAIA – Cleonice
CATITA SOARES – Carminha
MYRIAN RIOS – Márcia
MARIA ZILDA – Sulamita
e
ANTÔNIO PEDRO – Filabóia
ARMANDO BÓGUS
ARY KLEBER
AUGUSTA MOREIRA – Tia Filó (tia das domésticas que vem para o Rio para o casamento de Cotinha)
CELESTE AÍDA – Eufrásia
FRED VILLAR
GILBERTO NAKAMO – Nakamura
JOSÉ R. BRÁULIO – médico de Carla
MARGARIDA REY – Margô
MARTHA ANDERSON – Veluma
MILTON GONÇALVES – Tibúrcio
– as quatro irmãs pernambucanas que foram trabalhar como domésticas no Rio de Janeiro:
COTINHA (Ilva Niño)
GRAÇA (Isabel Ribeiro)
DORZINHA (Arlete Salles)
e ROSÁRIO (Ana Maria Braga)

– núcleo de HELENO DURAN (Jaime Barcelos), dono de uma agência de publicidade que passa por uma crise financeira. Patrão de Cotinha:
a mulher GINA (Marilu Bueno), ocupa seu tempo com os sonhos de ser cantora lírica
a filha LÍVIA (Christiane Torloni), jovem que vive de noitadas em discotecas
a secretária CLEONICE (Rosanni Maia).

– núcleo das modelos CARLA (Bruna Lombardi) e BERTA (Ana Helena Berenger), irmãs de Gina, patroas de Rosário. Carla é uma escritora com ideias feministas. Ajuda Rosário a se refinar, ensinado-lhe boas maneiras. Já Berta tem como objetivo o sucesso e, para alcançá-lo, é capaz de todas as concessões. Ignora a presença de Rosário em casa e critica Carla por preocupar-se tanto com a empregada:
o namorado de Carla, BILÉ (Ivan Setta), jornalista, autor de teatro. Com problemas financeiros, começa a trabalhar na agência de publicidade de Heleno. Estimula Carla a investir em sua carreira de escritora
o namorado de Berta, JACQUES (Jonas Bloch), diretor de redação na agência de publicidade de Heleno, sua maior preocupação é ganhar dinheiro.

– núcleo de MARCO (Ney Latorraca), escritor envolvido em uma série de problemas, acusado de desonestidade. Envolve-se com as irmãs Carla e Berta:
a mulher IARA (Cidinha Milan), jornalista, espera um filho dele
o advogado DR. GOUVEIA (Tony Ferreira).

– núcleo de DINHO (Marcelo Picchi), namorado de Lívia que ela acredita ser universitário e filho de fazendeiros, mas que na realidade é funcionário público e aplica pequenos golpes para complementar seu parco salário:
o melhor amigo PATRÍCIO (Tião d’Ávila), mora com ele numa pensão, trabalham juntos, está sempre envolvido em confusão por causa do colega, que o obriga até a raspar a cabeça para se passar por calouro na universidade
a dona da pensão onde mora, DIRCE (Gracinda Freire), o ajuda a se aproximar de Lívia. No passado foi uma mulher muito rica.

– núcleo de GRAÇA (Isabel Ribeiro), ajuda a patroa na preparação de salgados e doces que são vendidos para fora. Recebe Rosário, a caçula de suas irmãs, em sua casa quando ela muda-se para o Rio:
o marido OLAVO (Dary Reis), desempregado, a possibilidade de ser despejado o fragiliza ainda mais
a filha ZITA (Sônia de Paula), pressionada pelo pai a abandonar seus sonhos de ser aeromoça e procurar um trabalho para ajudar no sustento da casa. Vai trabalhar como doméstica na casa da patroa de sua mãe
a vizinha e amiga BERENICE (Cléa Simões), torcedora fanática do Flamengo, apoia os objetivos de Zita.

– núcleo de DORZINHA (Arlete Salles), extremamente ingênua, adora fotonovelas, imaginando-se, com frequência, personagem de uma delas ao lado do namorado:
o namorado JUVENAL (Luís Orioni), diz que está de licença, mas, na verdade, não tem emprego. Seu sonho é dar um golpe que lhe proporcione independência financeira. Trai Dorzinha com uma amante
a amante de Juvenal, MABEL (Irma Alvarez), ex-vedete, seu objetivo é sair da quitinete onde mora. Admite a relação de Juvenal com Dorzinha por acreditar que, através da doméstica, os dois poderão mudar de vida.

– núcleo de NILO (Sebastião Vasconcelos), patrão de Graça, engenheiro desempregado com dificuldade de conseguir emprego por conta de sua idade. Passa os dias fazendo entrevistas em diferentes empresas:
a mulher HILDA (Joana Fomm), assume as despesas domésticas vendendo doces e salgados para fora. Mulher de personalidade forte, torna-se, praticamente, a chefe da casa
o filho NANDO (Fábio Mássimo), apaixona-se por Zita quando ela vai trabalhar em sua casa, para o desespero da mãe Hilda.

– núcleo de OROZIMBA (Kleber Macedo), irmã de Nilo, patroa de Dorzinha, mulher extravagante, herança do seu passado rico. Tem mania de criar gatos, cobre os móveis com panos brancos e mantém um dos quartos da casa trancado com cadeados, proibindo a entrada de qualquer pessoa:
o pai dela e de Nilo, ADAMASTOR (Antônio Victor), homem idoso, mora com a filha Orozimba. Vive numa cadeira de rodas, tem dificuldades para ouvir, ver e falar
o golpista CLÁUDIO (Lutero Luiz), aproxima-se de Orozimba passando-se por corretor de imóveis interessado em sua casa.

– demais personagens:
ZÉ LUIZ (Ricardo Blat), namorado de Rosário em Olinda, responsável por um boato que a obrigou a deixar a cidade. Tenta de tudo para reatar o namoro, inclusive viajar para o Rio de Janeiro atrás da jovem
SILVÉRIO (Mário Petraglia), primeiro rapaz que Rosário conhece no Rio
PÉRSIO GALVÃO (José Damasceno), locutor de rádio por quem Cotinha é apaixonada, mas só conhece a voz e os poemas. Acabam se encontrando e se casam no final.

Segunda experiência de Mário Prata no gênero telenovela, mas sem a repercussão do trabalho anterior, Estúpido Cupido.

Um clima intelectual pairava no ar, mesclando-se com os problemas domésticos das protagonistas. Um contraste temático que desafiou o autor e aborreceu o público.
Fonte: livro “Memória da Telenovela Brasileira”, de Ismael Fernandes.

A proposta de Mário Prata era abordar vários temas, sem personagens principais, apresentando uma série de perfis que se definiam com o desenrolar do enredo. Na metade da novela, porém, houve uma passagem de tempo de seis meses na trama, para simplificar a narrativa, prejudicada pelo acúmulo de histórias paralelas.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo (em 21/04/1999), falando de seu livro Minhas Mulheres e Meus Homens, Mário Prata comentou um desafio que Boni lhe lançou ao final da novela:
“Quando faltavam – para escrever – 20 capítulos, o Boni me chama:
– Seguinte: a novela tá dando 65, em média. Quero que a média desses 20 capítulos que faltam seja 75. Pra passar a bola pro Cassiano (que estava escrevendo a próxima) lá em cima. Se você conseguir isso, te dou o que você quiser. O que você quer? Pode pedir. Terminar com 75.
Pensei e disse: – Duas passagens ida e volta para Tóquio. Ida por Paris, volta por São Francisco e, além da passagem e do hotel, uma boa grana pra gastar.
Ele escreveu isso tudo num papel, como se fosse um vale. Assinou embaixo.
Fui pra casa e fiquei pensando em como aumentar o Ibope. A atriz mais amada e mais odiada da novela era a Bruna Lombardi. A coisa tinha de ser por ali. Dei um tiro no peito da Bruna que virou capa da Amiga. O Ibope pulou 15 pontos, ele me informou, entusiasmado, pelo telefone:
– A Bruna vai ficar até o fim da novela nesse morre-não-morre, né?
– Não, sai do hospital amanhã. Desculpa, cara, não sei enrolar.
– Pois não vai conhecer Tóquio tão cedo!
Vinte e um anos depois, ainda não fui a Tóquio!”

Foi a estreia de Bruna Lombardi, então modelo de publicidade, como atriz em novelas. Os poemas de sua personagem, Carla, eram escritos pela própria atriz.

Primeiro trabalho de direção do então ator Denis Carvalho, que auxiliou Régis Cardoso, o diretor geral.

Uma curiosidade: a intérprete de Rosário, uma das personagens de destaque da trama, era a estreante em TV Ana Maria Braga, irmã de Sônia Braga, mãe da também atriz Alice Braga. Nada tem a ver com a Ana Maria Braga apresentadora de TV.

Numa estratégia de marketing inédita, a novela lançou um novo produto através da empresa publicitária do personagem Heleno Duran (Jayme Barcellos). Após o capítulo que foi ao ar no dia 15/11/1977, no primeiro intervalo comercial do Jornal Nacional, começou a ser vinculado o anúncio da Caloi Ceci, lançada como a primeira bicicleta desenhada especialmente para mulheres. Era a conclusão da campanha publicitária preparada por Heleno, Marco (Ney Latorraca), Bilé (Ivan Setta) e Jacques (Jonas Bloch). A campanha, criada pelo autor, Mário Prata, assessorado pela agência Novo Ciclo, de São Paulo, foi fruto do merchandising acertado pela Calói e a Globo para vinte capítulos da novela.

A atriz Monah Delacy, mãe de Christiane Torloni, foi escalada para viver a mãe de Christiane também em Sem Lenço Sem Documento. As chamadas de estreia já iam ao ar quando Monah acabou substituída na novela por Marilu Bueno.

Os capítulos iniciais tiveram locações em Olinda, Pernambuco.

A abertura exibia páginas de uma fotonovela em que os créditos do elenco estavam inseridos nos balões de diálogo. Essa temática foi escolhida por conta das personagens domésticas da trama. Na época, acreditava-se que as fotonovelas eram a leitura preferida das empregadas domésticas.

A abertura de Uga Uga (2000) usou a mesma ideia: a trama inicial da novela era apresentada através de uma história em quadrinhos (ao invés de uma fotonovela) com os créditos inseridos nos balões de diálogos.

O tema de abertura, a canção Alegria Alegria, de Caetano Veloso, foi usado também na abertura da minissérie Anos Rebeldes, em 1992.

Trilha Sonora Nacional
semlencot1
01. SENHORITA, SENHORITA – Wando (tema de Graça)
02. A NOITE VAI CHEGAR – Lady Zu
03. A MENINA DO SUBÚRBIO – Dudu França (tema de Rosário)
04. MALANDRONE – Betinho (tema de Cláudio)
05. PANDEIRO É MEU NOME – Chico da Silva
06. POMBO CORREIO (DOUBLE MORSE) – Moraes Moreira (tema de Patrício)
07. ALEGRIA ALEGRIA – Caetano Veloso (tema de abertura)
08. SONHOS – Peninha (tema de Dorzinha)
09. PENSE MENOS – Tim Maia
10. O LEÃOZINHO – Caetano Veloso (tema de Rosário)
11. VELHO DEMAIS – Placa Luminosa
12. COMPORTAMENTO – Márcio Lott (tema de Lívia)
13. ONDE TU TÁ NENEM – Luiz Gonzaga
14. DOMÉSTICA – Vera de Campos (tema de Cotinha)

Trilha Sonora Internacional
semlencot2
01. I LOVE YOU – Donna Summer
02. (SLOW DANCIN’) SWAYIN’ TO THE MUSIC – Johnny Rivers (tema de Marco e Berta)
03. I NEED A MAN – Grace Jones
04. YOU TOOK MY BREATH AWAY – Kaplan Kaye
05. WALK SOFTLY – Gladys Knight & The Pips
06. DON’T STOP – Fleetwood Mac
07. BIG BAMBOO – Saragossa Band
08. EMOTION – Samantha Sang featuring Barry Gibb (tema de Lívia e Dinho)
09. DEDICATO A UNA STELA – Stelvio Cipriani (tema de Rosário)
10. ZODIAC – Roberta Kelly
11. LOVE ME MORE – Barry Dean (tema de Bilé)
12. SUMMER LOVE – Edward Cliff (tema de Carla)
13. I DIDN’T KNOW I LOVED YOU – Gary Glitter
14. YOU – Wellington (tema de Nando)

Sonoplastia: Nestor de Almeida
Pesquisa de Repertório: João Mello e Arnaldo Schneider
Direção de Produção: Guto Graça Mello

Tema de Abertura: ALEGRIA ALEGRIA – Caetano Veloso
Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bombas e Brigitte Bardot

O sol nas bancas de revistas
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia?
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou

Por que não? Por que não?

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço, sem documento
Eu vou

Eu tomo uma Coca-Cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil

Ela nem sabe, até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo
Amor eu vou

E por que não? Por que não? Por que não…

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