O cravo e a rosa















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Uma comédia-romântica leve e divertida de grande sucesso que alavancou a audiência no horário das seis como poucas vezes se viu. O diretor Wálter Avancini retornava à Rede Globo depois de longo afastamento. Com ele, trouxe o autor Walcyr Carrasco - a dupla havia sido responsável pelo sucesso da novela Xica da Silva da TV Manchete, em 1997.

O Cravo e a Rosa foi inspirada no clássico A Megera Domada, de Shakespeare, com referências nas novelas A Indomável, de Ivani Ribeiro (TV Excelsior, 1965), e O Machão, de Sérgio Jockyman (TV Tupi, 1974).

O autor contou que manteve alguns núcleos de A Megera Domada. "Há quem diga que o mundo se divide entre antes e depois de Shakespeare, no que se refere ao entendimento do ser humano. A Megera é uma comédia que vai fundo no humor, mostrando a contradição entre homem e mulher, a relação de um casal em meio à paixão e ao amor", afirmou Carrasco, ressaltando a atualidade de uma obra que se mantém moderna até os dias de hoje. Muitos personagens da primeira versão de O Machão foram aproveitados, mas com uma diferença de ótica. "Eu atualizei o cerne da novela, colocando uma Catarina mais simpática em seus ideais, com os quais muitas telespectadoras vão se identificar", acrescentou.

O clássico Cyrano de Bérgerac, de Edmond Rostand, foi outra referência usada pelo autor, mas para retratar o conflito de Bianca entre seus dois amores, Heitor e Edmundo. Ela ama o físico de um e a alma de outro. "Tenho paixão por esta história, porque vejo que todos nós, seres humanos, nos dividimos entre o desejo propriamente dito e a complementação que só o amor espiritual pode dar", afirmou Carrasco, contando que chegou a escrever um livro infantil usando o mesmo conflito, O Menino Narigudo.

Retratar o comportamento de uma época, com referências históricas como a transformação da arte, na literatura e nas artes plásticas; a luta pelo voto feminino e a mudança no papel da mulher foram temas da novela. "Os anos 20 tornam verossímeis discussões que hoje são evitadas, mas que ainda estão presentes no coração das pessoas", afirmou Carrasco.

A fidelidade na reconstituição de época foi o ponto de partida tomado pela direção para dar uma identidade à novela. Com base em uma pesquisa rigorosa dos anos 20 - apoiada em documentários, fotos, cartões postais e filmes que retratam o período - Wálter Avancini optou por um tom realista na linguagem, enfocando personagens cheios de humanidade.

Para situar elenco e equipe na década de 20, os diretores promoveram um workshop de duas semanas, antes do início das gravações, que contou com uma palestra do historiador Nicolau Servicenko, professor de História da USP; leituras de texto; e provas de roupa. Também não faltaram orientações de especialistas: Rodrigo Faro teve aulas de remo; os atores do núcleo da fazenda tiveram aulas de equitação e aprenderam a fabricar queijo, ordenhar vaca e pegar galinha; Bia Nunnes aprendeu corte e costura; e Adriana Esteves e Leandra Leal tiveram noções de piano (como mexer o ombro, a hora certa de respirar). Todo o elenco teve assessoria de expressão corporal e dança.

O diretor de fotografia Flávio Ferreira optou pela luminosidade para exprimir a euforia e leveza da época. Para se obter uma luz mais realista, foram usados dois tipos de filtro nas câmeras, criando uma textura de glamour e delicadeza e mantendo o tom de pele normal sem interferência no ambiente. Usados também como referenciais os filmes Summertime e Passagem Para a Índia de David Lean; Henry e June de Philip Kaufman; e O Grande Gatsby" de Jack Clayton.

Ao todo foram 26 cenários de estúdio, entre eles a casa art nouveau de Batista e a casa de estilo art déco de Dinorah. A cidade cenográfica construída na Central Globo de Produção reuniu quatro espaços em um único complexo, com 24 edificações de arquiteturas diversas, como era comum. Neste complexo havia um trecho residencial em que se situava a fachada da casa de Batista, que recebeu um tratamento paisagístico específico; outra área residencial onde se localizava a fachada da casa de Cornélio; a pensão de Dalva; e a parte principal da cidade, cuja referência é uma fotografia do Largo do Tesouro, que realmente existiu em São Paulo. Neste largo encontrava-se a confeitaria Aurora, um colégio, uma igreja, lojas com vitrines, uma barbearia, uma venda, a fachada da Revista Feminina, a pensão onde moravam Kiki e as feministas, e a fachada do dancing, núcleo dos músicos da trama. Um dos destaques foi o bonde elétrico, com capacidade para 20 pessoas e que realmente andava pela cidade (o bonde foi adaptado a um carrinho elétrico). Nas ruas estreitas, postes com fios de telégrafo e lampiões ao lado da iluminação de néon. A periferia da cidade, com as casas simples de lavadeiras, também foi retratada.

Já a fazenda de Petruchio estava localizada num sítio em Ilha de Guaratiba - localizado na zona oeste do Rio - que foi todo cenografado especialmente para a novela, passando a contar com a casa do protagonista, o local de fabricação de queijo, o estábulo e os anexos, como o chiqueiro e o galinheiro. Vacas, galinhas, patos, porcos e cavalos complementaram o cenário. O núcleo de Petruchio lembrava a Família Buscapé.

Sete carros Ford modelo T, que vão de 1919 a 1927, circularam na cidade cenográfica. Vendedores de palha, vassouras, verduras, frutas, utensílios de cozinha e tecidos caminhavam pelas ruas da cidade carregando os objetos arrumados pela produção de arte. Para as cenas de fabricação de queijo na fazenda, a equipe recorreu a uma cooperativa para reservar 30 queijos prontos por dia, além de 60 litros de leite líquido e 60 litros de leite coalhado, usados nas várias seqüências. Isto sem falar nos vasos, bandejas e bibelôs que Catarina atirava no chão e contra seus pretendentes.

O figurino, assinado por Beth Filipecki, contou com aproximadamente 1000 peças, entre roupas masculinas e femininas - sendo que 600 confeccionadas especialmente para a novela. As demais, aproveitadas do acervo da Rede Globo, tiveram a modelagem redimensionada. Foram cerca de 200 chapéus femininos e 120 masculinos, além de 140 pares de sapatos, acessórios e sombrinhas.

Muitos foram os destaques do elenco, com atores mostrando o seu lado cômico: Adriana Esteves e Eduardo Moscovis, Ney Latorraca e Maria Padilha, Drica Moraes e Luís Mello, Pedro Paulo Rangel e Suely Franco, Eva Todor e Carlos Vereza, Taumaturgo Ferreira.

A menina Thaís Müller (a Fátima, filha da lavadeira Joana) é filha dos atores Marcela Muniz e Anderson Müller (irmão de Otávio Müller).

A novela foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo de 13/01 a 01/08/2003.
E ganhou uma nova reprise nesta faixa entre 05/08/2013 e 17/01/2014.

Veja também:
A Indomável
O Machão
Xica da Silva
A Padroeira

 




   


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