Novela posterior no horário (na Globo): Bicho do Mato

Meu Pedacinho de Chão foi uma co-produção da TV Globo do Rio de Janeiro com a TV Cultura de São Paulo. Foi a primeira novela original exibida no horário das seis da Globo.
Foi também a primeira novela educativa da TV brasileira. Seu cunho era rural e discutia os problemas de um pequeno vilarejo.

A trama foi exibida simultaneamente pelas duas emissoras (Globo e Cultura). O projeto sócio-educativo nasceu a partir de uma pesquisa de marketing que apontou o formato de telenovela como o melhor para atingir o grande público.

O autores (Benedito Ruy Barbosa e Teixeira Filho, como colaborador) transmitiram ensinamentos úteis aos trabalhadores e às populações mais pobres, com base em dados das secretarias da Agricultura e da Saúde. Em 185 capítulos foram abordados assuntos como desidratação, vacinação, higiene e técnicas agrícolas, além de abordar o problema do analfabetismo no campo, levando personagens adultos às salas de aula.

Na época, o governador Laudo Natel, ao assumir o governo de São Paulo, convidou Benedito Ruy Barbosa para exercer o cargo de assessor especial do governo junto à presidência da TV Cultura. Assim Benedito teve a oportunidade de escrever essa novela rural e educativa.
Meu Pedacinho de Chão foi o primeiro trabalho do autor exibido na Globo - ainda que ele não fosse contratado da emissora.

Benedito Ruy Barbosa declarou sobre Meu Pedacinho de Chão:
"A proposta de Pedacinho foi mostrar o problema do homem do campo, ensiná-lo sobre as doenças (tracoma, tétano, verminose), levá-lo para uma sala de aula, dar-lhe melhores condições de higiene e ao mesmo tempo mostrar o interesse das classes patronais (fazendeiros e autoridades) pelo camponês analfabeto, sem questionar nunca sua miséria e seus problemas. Como este foi o período de desenvolvimento do Mobral, eu tentei com Pedacinho ajudar este projeto de ensino no qual na época eu acreditava."

"Fiz a novela com pouco dinheiro em 1971. Não usei nenhum ator que estava empregado. Havia dois tipos de salário: o equivalente a R$ 3 mil para o ator de primeira linha e R$ 1.500 para o de segunda. A gente gravava numa fazenda cedida pelo governo, em Itu, e tínhamos essa preocupação porque essa era uma das condições impostas pelas secretarias de educação e saúde para que a novela pudesse sair. Tive que colocar elementos como o Mobral ( Movimento Brasileiro de Alfabetização) e a vacinação infantil, que na época não era aceita pela população.

Segundo ao autor, ainda, a novela enfrentou diversos problemas com a censura. Como, por exemplo, na cena em que um personagem tocava violão e cantava o Hino Nacional para os caboclos. Depois disso, um aluno cantava o hino da escola, tendo a bandeira do Brasil estendida sobre a mesa. A censura cortou as cenas, alegando que o hino brasileiro não podia ser cantado naquele ambiente, e que a bandeira só podia aparecer em "cenas especiais".

A menina Patrícia Aires (filha do ator Percy Aires, que também estava no elenco), vinha do sucesso da novela A Pequena Órfã, exibida em 1968 pela TV Excelsior e reprisada na Globo pouco antes de Meu Pedacinho de Chão.

Grande parte da novela foi gravada em duas fazendas no município de Itu, interior do Estado de São Paulo.

Em 1983, Benedito Ruy Barbosa usou alguns personagens de Meu Pedacinho de Chão para estrelar sua novela Voltei Pra Você - uma espécie de continuação de Meu Pedacinho de Chão.
Assim, o trio de crianças Serelepe, Pituca e Tuim (Aires Pinto, Patrícia Aires e Pelezinho) reapareceram adultos em Voltei Pra Você, vividos por Paulo Castelli, Cristina Mullins e Cosme dos Santos, respectivamente.

Em 2014, Meu Pedacinho de Chão ganhou um remake, com direção geral de Luiz Fernando Carvalho.

Reapresentada pela TVE em 1977.

Veja também:
A Pequena Órfã
João da Silva
Voltei pra Você
Meu Pedacinho de Chão (2014)

 




   


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