A próxima vítima















Novela anterior no horário: Pátria Minha
Novela posterior: Explode Coração

Silvio de Abreu não se limitou a criar uma trama de suspense onde o único mistério era a identidade do assassino. O grande desafio colocado para o público era saber quem seria a próxima vítima.

Com uma história bem construída, e tramas que se intercalavam, a maioria dos personagens estava na lista de suspeitos. Mas a qualquer momento, qualquer um deles poderia ser eliminado da história.

Além do suspense, Sílvio de Abreu abordou temas polêmicos, como as drogas, com o personagem Lucas (Pedro Vasconcellos); a homossexualidade, com Sandrinho e Jeferson (André Gonçalves e Lui Mendes); a prostituição por vocação, com Quitéria Quarta-Feira (Vera Holtz); o amor com diferença de idade entre Cacá e Adriano (Yoná Magalhães e Lugui Palhares) e entre Zé Bolacha e Irene (Lima Duarte e Vivianne Pasmanter); e colocou no ar uma família de negros de classe média-alta.

Também criou tipos inesquecíveis, como a maquiavélica Isabela (Cláudia Ohana) e a chefe da família Ferreto, Filomena (Aracy Balabanian), uma espécie de Don Corleone "de saias".

Suspense paralelo foi guardar o segredo da imprensa, gravando-se cenas que não foram ao ar, sequências no roteiro numeradas em código onde nem os atores conheciam a ordem certa das cenas. Apesar de todo, foram raros os momentos em que o telespectador não soubesse, pelos resumos dos jornais, quem na verdade seria a próxima vítima. Porém, a morte de Josias (José Augusto Branco) não chegou a ser noticiada, pois pistas falsas induziram a que jornais como "O Globo" noticiassem que, em vez daquele, Quitéria (Vera Holtz) seria morta. O resumo do capítulo diz mesmo: Quitéria é esfaqueada.

Silvio de Abreu comentou em entrevista como foram guardados os segredos finais da novela:
"Escrevi os últimos seis capítulos numerando todas as cenas em código. Um código que só quem sabia decifrar era o diretor da novela. Se cada capítulo tinha, digamos, 50 cenas, eram 300 cenas misturadas. O próprio ator não sabia o que vinha depois. Ele ia lá e gravava. O diretor sabia porque tinha que orientar o ator. As últimas cenas, que revelavam quem era o assassino, a gente gravou às 19 horas e a TV Globo pôs no ar às 20h30. Não podia dar errado."

O país parou para assistir ao último capítulo, que atingiu entre 62 e 64 pontos no Ibope, gravado meia-hora antes de sua exibição. A identidade do assassino foi finalmente revelada: Adalberto (Cecil Thiré). Todas as vítimas tinham uma ligação entre si, num fato ocorrido no passado.

Além disso, visando sua exportação, foi criado um novo desfecho com assassino diferente, tudo com plena coerência. Esse final foi apresentado na reprise da novela no Vale a Pena Ver de Novo: o assassino dessa vez foi Ulisses (Otávio Augusto).

O autor comentou sobre a novela numa entrevista:
"A Próxima Vítima teve uma audiência tão grande na Rússia, que parou o país no horário de sua exibição. Isso foi até comentado no jornal New York Times, dos Estados Unidos. Em Cuba foi a mesma coisa. O Silvio Santos esteve lá, na época, e me contou que todo mundo perguntava a ele quem era o assassino da história."

Numa das cenas mais fortes da trama, Diego (Marcos Frota) espanca Isabela (Cláudia Ohana) e a empurra do alto da escada da mansão dos Ferreto no dia de seu casamento com a moça, pois descobriu que ela o traía com o próprio tio, Marcelo (José Wilker). Logo depois, é a vez de Marcelo sentir-se traído e esfaquear a adúltera no rosto. Membros do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher condenaram as imagens, que qualificaram como estímulo ao machismo.

Numa homenagem de Sílvio de Abreu ao amigo Gilberto Braga, a personagem Isabela, após ser esfaqueada, é operada pelo cirurgião plástico Felipe Barreto, numa alusão ao personagem que Antônio Fagundes viveu na novela O Dono do Mundo, de Gilberto. Mas Felipe Barreto apenas foi citado. O ator Antônio Fagundes acabou fazendo uma participação especial no último capítulo, como Astrogildo, um pretendente de Nina (Nicette Bruno).

Depois de muitas reclamações, inclusive publicadas na imprensa, Silvio de Abreu suprimiu o bordão "socorro!" abusivamente utilizado pela personagem Carina (Deborah Secco).

Na abertura, os nomes de Tony Ramos e José Wilker alternavam diariamente a ordem de aparição.

O ator André Gonçalves, que fazia o homossexual Sandrinho, foi covardemente agredido por um grupo de homofóbicos na época da novela.

Primeira novela na Globo do ator Alexandre Borges.

Reprisada no Vale a Pena Ver de Novo entre 10/07 e 08/12/2000.
Ganhou uma nova reprise, no canal Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo), entre 09/09/2013 e 19/06/2014, às 16h15 (depois 14h30).

Veja também:
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Deus Nos Acuda
Torre de Babel

 




   


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