Rainha da sucata















Novela anterior no horário: Tieta
Novela posterior: Meu Bem Meu Mal

Silvio de Abreu era convocado para fazer rir no horário nobre, depois de sucessivos êxitos às sete da noite. Ironizando sobre os novos-ricos, os emergentes, e a decadência das elites brasileiras, o autor trouxe diversão das boas para os telespectadores.

A novela no início sofreu uma campanha negativa da mídia, que preferia endossar as novidades da novela Pantanal da TV Manchete, lançada na mesma época.
Há de se ressaltar que Pantanal nunca concorreu diretamente com Rainha da Sucata no horário: a novela da Manchete só começava depois que terminava a novela da Globo.

Silvio de Abreu constatou que o horário nobre não era exatamente o espaço para comédia e sabiamente transformou Rainha da Sucata num grande e irresistível drama.

Rainha da Sucata estreou em plena efervecência do sumiço do dinheiro através do Plano Collor. E os fatos entraram no cotidiano dos personagens com muita propriedade. O autor comentou numa entrevista:
"Entrei no horário das 20 horas com uma novela de enorme aparato e grandes estrelas. Foi na época em que o Collor assumiu a presidência e prendeu o dinheiro de todo mundo, e todos estavam com raiva dele. Por uma enorme coincidência, a novela tratava do dinheiro que estava mudando de mão no país. Era a história de uma família fina e tradicional, sem dinheiro, e uma família cafona, com muito dinheiro. Eu já havia escrito uns 30 capítulos, e os primeiros estavam gravados. Na trama todos negociavam com dólar, aplicavam no over e isso tinha acabado; e eu precisei reescrever os capítulos iniciais para a novela estrear dentro da nova realidade econômica do país. Isso aconteceu numa quarta-feira, e a novela estreou na segunda-feira seguinte falando sobre o dinheiro preso e os personagens reclamando. No outro dia, os jornais publicaram que a Rede Globo já sabia do Plano Collor e não avisou o público, pois até a novela das oito falava no plano. Isso criou uma má vontade espantosa com a novela."

Daniel Filho menciona em seu livro O Circo Eletrônico:
"Não existe regra para o sucesso, mas alguns aspectos são fundamentais. Temos que ser simples na maneira de apresentar a história (...) Quando a novela abre com muitos personagens, confunde o espectador (...) Rainha da Sucata é um exemplo disso. (...) o elevado número de personagens e a mistura de gêneros tumultuaram o início da novela. (...) O público reagiu, no início, com audiência abaixo do desejável. Detectado o problema, Silvio definiu bem os núcleos. Dividiu o humor, o drama e o romance, conseguindo atingir níveis excelentes nos números de audiência. (...) Agora Rainha da Sucata é lembrada como bem sucedida, mas nós sabemos do sufoco que foi no começo."

No meio da trama, por problemas pessoais, Silvio de Abreu teve que se afastar da redação dos capítulos, sendo substituído durante duas semanas por Gilberto Braga.

Muitos foram os destaques de Rainha da Sucata. O público se divertiu com o triângulo amoroso formado por Cláudia Raia, Antônio Fagundes e Marisa Orth: a desastrada Adriana (a "bailarina da coxa grossa"), o gago Professor Caio Szemansky e Nicinha (o "purgante" que, mais tarde, virou a "biscate").

Regina Duarte e Glória Menezes, apesar dos exageros, no excesso de cafonice de uma e de finesse da outra, defenderam bem suas personagens.

Mas sem dúvida o grande destaque foi Aracy Balabanian em sua memorável criação: Dona Armênia, dona de um visual extravagante e de um sotaque carregado que misturava armênio e português (sempre às voltas com "os seus três filhinhas"), que para provar sua autoridade como proprietária do edifício na Avenida Paulista, resolve promover a implosão do mesmo, fazendo todo o público rir com o seu hilariante bordão "na chon".

Aracy Balabanian, apesar de nascida em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, é filha de armênios, que vieram para o Brasil fugindo da Primeira Guerra Mundial. Dessa forma, a atriz pôde emprestar o sotaque e alguns costumes de seu povo de origem à sua personagem.
Fonte: site Memória Globo.

O sucesso de Dona Armênia foi tanto que Silvio de Abreu "ressuscitou" a personagem e seus três filhos em sua próxima novela, Deus Nos Acuda, em 1992.

O bairro Ponte Pequena em São Paulo, reduto de armênios na cidade, passou a ter um interesse maior por causa da novela. Por conta disso, a estação de metrô da região foi rebatizada de Ponte Pequena para Armênia, tendo a presença de Aracy Balabanian em sua reinauguração.

Participação especial de Marília Pêra, interpretando ela mesma: no início da novela, a atrapalhada bailarina Adriana (Cláudia Raia) entrava em seu espetáculo Elas Por Ela, na inauguração da casa de shows Sucata. Jorge Fernado também apareceu, como diretor do espetáculo.

A humilhação sofrida por Maria do Carmo no baile de finalistas do liceu - em que lhe jogaram um monte de lixo no momento em que foi coroada rainha da festa - foi inspirada no clássico de terror Carrie, a Estranha, de Brian De Palma. No filme, a protagonista era coberta com sangue de porco.
A mesma referência foi usada na novela Chocolate com Pimenta, de Walcyr Carrasco (2003-2004), em que a personagem Ana Francisca (Mariana Ximenes) passava pela mesma humilhação.

A cena do suicídio de Laurinha, em que ela se joga do alto do prédio da Sucata arrancando um brinco de Maria do Carmo para incriminá-la, é uma das mais marcantes da novela.

Um outro bordão de sucesso lançado pela novela foi "coisas de Laurinha", proferido por Betinho (Paulo Gracindo), sempre se referindo à mulher, Laurinha Figueroa.

As roupas extravagantes da personagem Maria do Carmo viraram moda na época. Entre os adereços mais desejados pelas mulheres estavam os chapéus, os laçarotes para os cabelos e as bolsas Chanel com alças de corrente.
Fonte: site Memória Globo.

Construída em Guaratiba, na zona oeste do Rio de Janeiro, a cidade cenográfica de Rainha da Sucata reproduzia um quarteirão do bairro paulistano de Santana; e a mansão dos Figueroa, no bairro de Jardim Europa.
Um dos destaques dos cenários de estúdio da novela era a mesa do escritório de Maria do Carmo, feita com a parte da frente de um Chevrolet 1958.
Fonte: site Memória Globo.

O músico Guilherme Dias Gomes, filho de Janete Clair e Dias Gomes, era quem dublava Daniel Filho nas cenas em que seu personagem, Renato, tocava trompete.
Fonte: site Memória Globo.

A abertura da novela, desenvolvida pelos designers Hans Donner e Nilton Nunes, mostrava uma boneca de sucata interagindo com bailarinos reais ao som da música Me Chama que Eu Vou, uma lambada cantada por Sidney Magal que consagrou o ritmo no país.

Durante a exibição da novela, a Globo decidiu acabar com as "cenas do próximo capítulo". Comprovado que durante o intervalo entre o final do capítulo e a rápida edição que antecipava trechos das cenas que seriam apresentadas no dia seguinte, o público mudava de canal para a Manchete (para assistir Pantanal) e não voltava para a Globo. A emissora passou a encerrar a novela em seu clímax e jogar no ar direto a programação seguinte.

Primeira novela na Globo dos atores Gerson Brenner e Marisa Orth, e a estreia na emissora da veterana atriz Cleyde Yáconis.

A novela foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre 28/02 e 16/09/1994.
E também no canal Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo) entre 21/01 e 27/09/2013, à 0h15 com reprise ao meio-dia do dia seguinte.

Veja também:
Sassaricando
Deus nos Acuda
A Próxima Vítima

 




   


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