Renascer













Novela anterior no horário: De Corpo e Alma
Novela posterior: Fera Ferida

Em 1981, Benedito Ruy Barbosa apresentou a sinopse de uma novela para a direção da Globo, que a recusou. A novela foi então produzida pela TV Bandeirantes e tornou-se o maior sucesso dessa emissora: Os Imigrantes. Em 1990, a Globo recusou a sinopse de Pantanal, fazendo com que Benedito a levasse à TV Manchete. E a Globo teve que se desdobrar para vencer a audiência que esse sucesso alcançou.

Após o grande êxito de Pantanal, a Globo tratou logo de resgatar Benedito Ruy Barbosa para sua equipe de autores e colocou no horário nobre mais uma superprodução. O autor conseguia, finalmente, apresentar o seu trabalho em grande estilo, contando com a repercussão global. Antes a emissora só havia lhe dedicado os horários considerados de segundo plano.

Benedito mostrou-se à altura do compromisso e exibiu seu talento de maneira sedutora. O ritmo lento da narrativa não foi obstáculo aos telespectadores.

A primeira semana de exibição de Renascer, onde era contado o passado dos personagens, marcou a novela, com imagens belíssimas e a direção cinematográfica de Luiz Fernando Carvalho.

Nessa fase, Patrícia França, revelada na minissérie Tereza Batista, estreava em novelas.
E também Leonardo Vieira, que interpretou o protagonista José Inocêncio quando jovem, e se tornou o novo galã da casa. Os dois atores formavam um casal romântico que, de tanto sucesso, estrelariam a próxima novela das seis, Sonho Meu.

Também a primeira novela de Jackson Antunes, Maria Luísa Mendonça, Marco Ricca, Paloma Duarte e Isabel Fillardis.

Benedito Ruy Barbosa iniciaria aqui uma parceria de sucesso com Antônio Fagundes, que viveu o Coronel Zé Inocêncio velho. O ator trabalharia ainda em O Rei do Gado, em 1996, Terra Nostra, em 1999, e numa participação em Esperança, em 2002.

Uma das cenas mais emocionantes da novela foi a morte de Zé Inocêncio. Ele pede ao filho, João Pedro (Marcos Palmeira), que o abrace para desculpá-lo por tantos anos de indiferença.

Benedito ousou falar sobre hermafroditismo, através da personagem Buba (Maria Luísa Mendonça).
Também discutiu o celibato religioso: o Padre Lívio (Jackson Costa) se apaixona pela sensual Joaninha (Tereza Seiblitz).
E a questão dos meninos de rua - tema sugerido num congresso da Unicef para autores latino-americanos de telenovelas. Na história, a menina Teca (Paloma Duarte) engravida precocemente e é acolhida na casa de Zé Inocêncio.

Um dos personagens de maior destaque foi Tião Galinha, interpretado por Osmar Prado. O ator desentendeu-se com a produção da novela e foi afastado, apesar do excelente trabalho como o caricato matuto.

Comparações nas tramas de Renascer e Pantanal foram inevitáveis.
Marcos Palmeira viveu o filho enjeitado do protagonista nas duas novelas (Tadeu e João Pedro).
O protagonista de ambas as tramas era dono de uma vasta propriedade e possuía um vizinho inimigo cuja filha se apaixonou pelo filho enjeitado.
Havia também a submissa mulher que era tratada pelo marido truculento com um apelido depreciativo (Maria Bruaca/Ângela Leal e Dona Patroa/Eliane Giardini).
E nas duas novelas havia uma estranha que aparecia do nada para se vingar do protagonista, e que descendia de um antigo inimigo dele (Muda/Andrea Richa e Mariana/Adriana Esteves).

O diabo preso na garrafa por Zé Inocêncio já foi um filão explorado pelo autor em sua novela Paraíso, em 1982. O Coronel Eleutério (Cláudio Corrêa e Castro) também possuía um diabo na garrafa.

Os cenários de Renascer - que teve muitas cenas gravadas em Ilhéus, na Bahia - reproduziam o interior de quatro casas de fazendas de cacau.
As cenas que mostravam as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo foram gravadas nos estúdios da TV Globo, no Rio de Janeiro.
Apenas um cenário foi montado na cidade cenográfica montada em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio (atual Projac): a casa de Jacutinga (Fernanda Montenegro), dona do bordel, mais tarde transformada em uma pensão que abrigou diversos personagens da trama.
Fonte: site Memória Globo.

O bordão do personagem de José Wilker (Belarmino) - "É justo, é muito justo, é justíssimo" - nasceu de um improviso. O ator esquecera sua fala durante a gravação de uma cena trabalhosa, que envolvia o diretor de fotografia, Wálter Carvalho, e, sem graça de ficar em silêncio, criou a fala que se tornou marca de seu personagem.
Fonte: site Memória Globo.

A apresentação do último capítulo da novela fugiu ao esquema habitual. Como haveria a exibição de um jogo de futebol na sexta-feira (12/11/1993), parte do capítulo foi ao ar naquele dia e outra parte no sábado. No domingo (dia 14), depois do Fantástico, o último capítulo foi reprisado na íntegra.

Renascer ganhou todos os prêmios de televisão referentes ao ano de 1993. A APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) a elegeu melhor novela, melhor ator (Antônio Fagundes), melhor ator coadjuvante (Osmar Prado), melhor atriz coadjuvante (Regina Dourado) e ator revelação (Jackson Antunes).

Bumba-Meu-Boi foi o primeiro título pensado para a novela.

A partir de 1993, o tema de abertura das novelas apresentadas naquele ano (Mulheres de Areia às seis horas, O Mapa da Mina às sete, e Renascer às oito) deixou de ser apresentado no encerramento, sendo substituído por alguma outra música de sua trilha sonora. Esse expediente foi usado até 2001, em O Clone.

A novela foi reapresentada no Vale a Pena Ver de Novo entre 14/08/1995 e 01/03/1996.
Reprisada também no canal Viva (canal de TV por assinatura pertencente à Rede Globo), entre 07/11/2012 e 05/09/2013, às 16h15.

Veja também:
Paraíso (1982-1983)
Pantanal
O Rei do Gado
Terra Nostra

 




   


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