Sinopse

A trama começa em 1922, quando o passado imperial e escravocrata do Brasil ainda era muito recente. O país vivia seus primeiros tempos como república. A economia era essencialmente agrária e a maior fonte de riqueza do país era o café. Assim os cafeicultores paulistas dominavam o país, como se não bastasse o fato de toda a população já depender direta ou indiretamente da economia cafeeira.

A protagonista é a personagem real Yolanda Penteado, que com sua determinação, inteligência e beleza provocou escândalo na sociedade paulista da época: após descobrir a traição do marido, o personagem fictício Fernão, decide pelo desquite num tempo em que muitas se resignavam. Admirada por todos por sua beleza e personalidade, Yolanda tem entre seus pretendentes Santos Dumont, o “Pai da Aviação”, e o jornalista Assis Chateaubriand.

Quando Yolanda e Martim se conhecem, no início da década de 20, ela é uma princesinha do café e ele é filho de uma família tradicional empobrecida. Martim é um jovem estudante de medicina que simpatiza pelo movimento anarquista. Sua atividade política, totalmente clandestina, acaba lhe rendendo problemas. Quando ele e Yolanda se apaixonam, Guiomar, a mãe da moça, é terminantemente contra o namoro da filha com um anarquista. Pior: ela decide casá-la com o primo Fernão, como era o desejo de seu falecido marido. A partir daí, uma série de intrigas e mal-entendidos separam Yolanda de Martim. Mas uma coisa é certa: um jamais conseguirá esquecer o outro.

Após o casamento fracassado com Fernão, Yolanda encontra Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo, dono do maior parque industrial de São Paulo e fundador do MAM (Museu de Arte Moderna), em 1948. Ambos manterão uma relação de admiração e respeito mútuos, além do espírito empreendedor nas artes. As aventuras amorosas de Ciccillo e o amor de Yolanda por Martim não afetam a amizade do casal.

Os outros núcleos mostram perfis e histórias de outros personagens, históricos ou fictícios. A família Sousa Borba representa a decadência da sociedade paulista após o crack da Bolsa de Nova York, em 1929. Morador de um casarão no bairro de Campos Elíseos, coronel Totonho é um dos donos de fazenda de café da época que perdem tudo e se decide por um trágico desfecho: o suicídio. O casarão é um símbolo da transformação da cidade. Após a crise de 29, o palacete vira um bordel e, após a década de 30, uma pensão, que recebe imigrantes de toda parte.

O maior problema da vida de Maria Luísa, filha mais velha de Totonho, é seu pai. O viúvo conservador obriga a filha se vestir como se fosse mais velha do que realmente é, embora tenha dinheiro para comprar o que há de mais bonito no mundo. Além disso, o coronel a acha jovem demais para namorar, e quando isso acontecer, será com quem ele escolher.

Se tais proibições já causavam a infelicidade da moça, tudo fica ainda mais difícil depois que ela se apaixona por Madiano Mattei, um pintor anarquista e pobretão, filho de imigrantes italianos. Mas o destino também separa Maria Luísa de seu pintor. Grávida de Madiano, ela o deixa partir para tentar uma vida melhor na França e esconde dele a filha que espera. Enquanto isso, Maria Luísa aceita casar-se com Samir, um libanês cristão que enriquecera com o comércio de tecidos. Mas essa união encontra uma série de percalços, como a oposição de Sálua, mãe de Samir, contra o casamento. E o fato de Maria Luísa esconder do marido que tivera uma filha com Madiano, agora adotada por Yolanda Penteado.

Na família Sousa Borba, tudo é permitido a Rodolfo. Ele é um homem sem escrúpulos, mau-caráter e desperdiça o dinheiro da família no jogo. Mas é extremamente másculo, o que não se pode dizer de seu irmão, Bernardo, outro filho do Coronel Totonho. Bernardo é inteligente, íntegro e sensível. Portanto, não segue o modelo de masculinidade valorizado pelo pai. Por isso, o coronel se envergonha do rapaz e chega ao ponto de contratar uma governanta com o intuito de convencê-la a seduzir o filho. Esta mulher é Ana Schmidt, uma beldade que não despertará o desejo de Bernardo, mas que será fundamental para o jovem. O desprezo do coronel pelo filho tem um motivo maior: a desconfiança da traição de sua falecida mulher.

Filha do anarquista Ernesto da Silva, perseguido pela polícia e por Totonho, Ana aceita trabalhar na casa do coronel em troca da liberdade do pai. Mas ela se tornará uma obsessão para Rodolfo, que fica boquiaberto com sua beleza fenomenal. A bela Ana é uma jovem humilde mas determinada, que também é perseguida pelas críticas de conservadores por posar para pintores. Ana encontra a paixão nos braços de Joaquim, um padeiro português arrebatado pela moça. A união dos dois causa a ira de Rodolfo, que não mede esforços para ter seu objeto de desejo.

Em meio a todos esses dramas, os artistas da época se unem para a Semana de Arte Moderna de 1922, de onde despontam figuras importantes como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Tarcila do Amaral e Anita Malfatti, entre outros.

Globo – 23h
de 6 de janeiro a 8 de abril de 2004
54 capítulos

minissérie de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira
escrita com Lúcio Manfredi
colaboração de Rodrigo Arantes do Amaral
direção de Marcelo Travesso, Ulisses Cruz e Gustavo Fernandez
direção geral de Carlos Araújo
núcleo Carlos Manga

ANA PAULA ARÓSIO – Yolanda Penteado
EDSON CELULARI – Ciccillo Matarazzo
ERIK MARMO – Martim Paes de Almeida
TARCÍSIO MEIRA – Coronel Totonho Sousa Borba
MARCELLO ANTONY – Rodolfo
MARIA FERNANDA CÂNDIDO – Ana Schmidt
RENATO SCARPIM – Joaquim
CÁSSIA KISS – Guiomar
HERSON CAPRI – Fernão Queiróz Chaves
DANIEL DE OLIVEIRA – Bernardo
LETÍCIA SABATELLA – Maria Luisa
LEOPOLDO PACHECO – Samir Schaim
CELSO FRATESCHI – Ernesto da Silva
ANTONIO CALLONI – Chatô (Assis Chateaubriand)
JOSÉ RÚBENS CHACHÁ – Oswald de Andrade
ELIANE GIARDINI – Tarsila do Amaral
MÍRIAM FREELAND – Pagu (Patricia Galvão)
PASCOAL DA CONCEIÇÃO – Mário de Andrade
BETTY GOFMAN – Anita Malfatti
ÂNGELO ANTÔNIO – Madiano Mattei
PAULA MANGA – Gilda
JÚLIA FELDENS – Maria Laura
MAX FERCONDINI – Candinho (João Cândido)
LEANDRA LEAL – Ucha (Úrsula)
MURILO ROSA – Frederico
HELENA RANALDI – Lidia
CARLOS VEREZA – David Rosemberg
DEBORA FALABELLA – Raquel
PEDRO PAULO RANGEL – Freitas Valle
SELMA EGREI – Olívia Penteado
TATO GABUS – Paulo Prado
TUNA DWEK – Marinette
CÁSSIO SCAPIN – Santos Dumont
MARCOS WINTER – Luís Martins
PAULO GOULART – Avelino
MIKA LINS – Elvira
CÁSSIO GABUS MENDES – Juvenal
CLÁUDIO FONTANA – Jayme
FERNANDA PAES LEME – Elisa
GLÓRIA MENEZES – Camila Matarazzo
DANIELA ESCOBAR – Soledad
ARICLÊ PEREZ – Madame Claire
MAURO MENDONÇA – Coronel Bento
MILA MOREIRA – Lola Flores
SÉRGIO VIOTTI – Samuel
ETTY FRASER – Dona Ita
PAULO JOSÉ – Dr. Varela
ANA LÚCIA TORRE – Sálua
GABRIELA HESS – Guiomarita
NINA MORENO – Odila
LU GRIMALDI – Frida
FERNANDA DE SOUZA – Dulce
CAIO JUNQUEIRA – Nonê
JÚLIA ALMEIDA – Adelaide
DANIEL ÁVILA – Rudá
JULIANA LOHMAN – Antônia
OMAR DOCENA – Caio
AMANDA LEE – Moema
MARIA LUÍSA MENDONÇA – Maria Bonomi
CAMILA MORGADO – Cacilda Becker
RANIERI GONZALEZ – Menotti del Pichia
MARCELO VÁRZEA – Guilherme de Almeida
JULIANO RIGHETTO – Waldemar Belisário
ANDRÉ FRATESCHI – Flávio de Carvalho
DIRA PAES – Magnólia
MAGDA GOMES – Maria José
CHICA XAVIER – Isolina
NIZO NETTO – Camilo
RENATA SAYURI – Rita
CARLOS SATO – Kazuo
MIWA YANAGIZAWA – Harumi
EMILIANO QUEIRÓZ – Juca do Amaral
YONÁ MAGALHÃES – Lígia do Amaral
THEODORO COCHRANE – Mário Martins
RODRIGO PENNA – Miragaia
LEONARDO CARVALHO – Camargo
MARCO PIGOSSI – Dráusio
ELIAS GLEIZER – Padre
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Dr. Araújo
RUY REZENDE – Blaise Cendrars
GILLES GWIZDEC – Piérre
CHRISTIANA GUINLE – Gigi Guinle
STHEPAN NERCESSIAN – político
ADRIANO GARIB – Dr. Osório César
MARÍLIA PASSOS – Ana Maria
MARLY BUENO – Lúcia
EDGAR MÜLLER – Gutierrez
TONY CORRÊA – Miguel
MARIA CLARA MATTOS – Rosa
IRVING SÃO PAULO – Ferraz
MARCELO TORREÃO – Villa-Lobos
GUSTAVO MORAES – Paulo Bomfim
CHARLE MYARA – Raul Bopp
VICENTINI GOMES – Graça Aranha
JOÃO VITTI – Abílio Pereira de Almeida
BRUNO GIORDANO – Franco Zampari
MARCO ANTÔNIO GIMENEZ – Lorival Gomes Machado
EMÍLIO ORCIOLLO – Cassiano Gabus Mendes
LUIGI BARICCELLI – Wálter Forster
ISABEL GUÉRON – Vida Alves
JONATHAN NOGUEIRA – Paulo Autran
BRÍGIDA MENEGHETTI – Tônia Carrero
MARCELO ESCOREL – Vianinha
VINÍCIUS MARQUEZ – Di Cavalcanti
FERNANDO ALVES PINTO – Alberto Cavalcanti
ANDRÉ CORRÊA – Jorge Andrade
CLARISSA FREIRE – Damiana
GUILHERME CORRÊA – Padre
FRANCISCO MILANI – Ministro
THIAGO RODRIGUES – Archângelo
TARCIANA SAAD – amiga de Ana Maria
VIVANE ARAÚJO – Escolástica / Eglantine
BRUNA DE TÚLIO – Margarida (mulher de Totonho)
EDWARD BOGGIS
CLÁUDIO CAPARICA – militar batendo palmas saudando o presidente Arthur Bernardes
e
ZÉLIA GATTAI
TÔNIA CARRERO
PAULO AUTRAN
VIDA ALVES
FERNANDA MONTENEGRO
FERNANDA TORRES
CLEYDE YÁCONIS
EVA WILMA
JOHN HERBERT
as crianças
MARIA EDUARDA MANGA – Maria Laura
JOÃO CÂNDIDO – Candinho
IGOR ADAMOVICH – Candinho
TAMARA RIBEIRO – Érica
ISABELA CUNHA – Ucha
THADEU TORRES – Frederico
LUCAS MAIA – Nonê
ÉRICA OLIVIERO – Antônia
THIAGO DE OLIVEIRA – Alfredinho
– núcleo de YOLANDA PENTEADO (Ana Paula Arósio):
a mãe GUIOMAR (Cássia Kiss)
a tia OLÍVIA (Selma Egrei), irmã de Guiomar
o primo FERNÃO (Herson Capri), com quem casou-se
os irmãos JUVENAL (Cássio Gabus Mendes), GUIOMARITA (Gabriela Hess) e JAYME (Cláudio Fontana)
a cunhada ODILA (Nina Moreno), mulher de Juvenal
os amigos SANTOS DUMONT (Cássio Scapin) e ASSIS CHATEAUBRIAND (Antônio Calloni), apaixonados por Yolanda
a amiga ELISA (Fernanda Paes Leme), que tornou-se amante de Fernão
os empregados ISOLINA (Chica Xavier) e CAMILO (Nizo Neto).

– núcleo de CICCILLO MATARAZZO (Edson Celulari), ricio industrial que apaixona-se por Yolanda:
a cunhada CAMILA (Glória Menezes)
a amante que sustentava antes de conhecer Yolanda, SOLEDAD (Daniela Escobar).

– núcleo de MARTIM (Erik Marmo), o grande amor de Yolanda:
a mulher GILDA (Paula Manga), com quem casou-se por não ter conseguido se unir a Yolanda
o filho CAIO (Omar Docena)
o sogro DR. VARELA (Paulo José), famoso médico carioca.

– núcleo do CORONEL TOTONHO (Tarcísio Meira):
os filhos RODOLFO (Marcello Antony), MARIA LUÍSA (Letícia Sabatella),
BERNARDO (Daniel de Oliveira), MARIA LAURA (Júlia Feldens) e JOÃO CÂNDIDO (Max Fercondini)
a empregada MARIA JOSÉ (Magda Gomes).

– núcleo de Maria Luísa:
o pintor MADIANO (Ângelo Antônio), por quem apaixonou-se quando era jovem
o libanês SAMIR (Leopoldo Pacheco), com quem se casa
a mãe de Samir, SÁLUA (Ana Lúcia Torre), contra a união de seu filho com Maria Luísa
a filha de Maria Luísa e Madiano, ANTÔNIA (Juliana Lohman), criada por Yolanda, vai morar com a mãe, na casa de Samir.

– núcleo do anarquista ERNESTO (Celso Frateschi), perseguido pelo Coronel Totonho:
a mulher FRIDA (Lu Grimaldi)
os filhos ANA (Maria Fernanda Cândido), que desperta o desejo de Rodolfo,
FREDERICO (Murilo Rosa), UCHA (Leandra Leal), que apaixona-se por João Cândido,
e ÉRICA (Tamara Ribeiro), que morre pequena.

– núcleo de JOAQUIM (Renato Scarpin), português que se apaixona por Ana:
o tio AVELINO (Paulo Goulart)
a prima ELVIRA (Mika Lins), apaixonada por ele, mas alia-se a Rodolfo.

– núcleo dos artistas da Semana de Arte Moderna:
o escritor OSWALD DE ANDRADE (José Rúbens Chachá)
a pintora TARCILA DO AMARAL (Eliane Giardini), que envolveu-se com Oswald
o escritor MÁRIO DE ANDRADE (Pascoal da Conceição)
a pintora ANITA MALFATTI (Betty Gofman), apaixonada por Mário
os mecenas FREITAS VALLE (Pedro Paulo Rangel) e PAULO PRADO (Tato Gabus)
a francesa MARINETTE (Tina Duek), mulher de Paulo Prado
os escritores MENOTTI DEL PICCHIA (Ranieri Gonzalez) e GUILHERME DE ALMEIDA (Marcelo Várzea).

– núcleo de Oswald:
o filho do primeiro casamento, NONÊ (Caio Junqueira)
a anarquista PAGU (Míriam Freeland), com quem casou-se
o filho com Pagu, RUDÁ (Daniel Ávila)
a mulher de Rudá, ADELAIDE (Júlia Almeida)
FERRAZ (Irving São Paulo), que se casa com Pagu.

– núcleo de Tarcila:
a filha do primeiro casamento, DULCE (Fernanda de Souza)
os pais JUCA (Emiliano Queiróz) e LÍGIA (Yoná Magalhães)
o escritor LUÍS MARTINS (Marcos Winter), com quem se envolveria
a prima ANA MARIA (Marília Passos), por quem Luís se apaixonaria.

– núcleo de LÍDIA ROSEMBERG (Helena Ranaldi), judia alemã que vem ao Brasil fugindo do nazismo após a suposta morte do marido. Apaixona-se por Frederico:
o marido DAVID (Carlos Vereza), que não morreu e vem ao Brasil à procura da família
a filha RACHEL (Débora Falabella), que torna-se atriz. Envolve-se com Bernardo
o sogro SAMUEL (Sérgio Viotti)
a amiga DONA ITA (Etty Fraser).

– núcleo do japonês KAZUO (Carlos Sato), ex-funcionário na fazenda de Yolanda, vai abrir uma tinturaria am São Paulo:
a mulher HARUMI (Miwa Yanagizawa)
a filha RITA (Renata Sayuri), que apaixona-se por João Cândido.

– demais personagens fixos:
a cafetina MADAME CLAIRE (Ariclê Perez)
o fazendeiro CORONEL BENTO (Mauro Mendonça), que se casa com Claire
a modista LOLA FLORES (Mila Moreira)
MOEMA (Amanda Lee), amiga de vários personagens, vai trabalhar com Ana
o pintor BELISÁRIO (Juliano Righetto), amigo de Madiano e Frederico
o casal nordestino que vai morar na pensão de Rodolfo, RAIMUNDO e MAGNÓLIA (Dira Paes), que tem um caso com Rodolfo.

A protagonista da minissérie é Yolanda Penteado (Ana Paula Arósio), uma das mais famosas damas da alta sociedade paulistana nos anos 1950, e que escreveu o livro Tudo em Cor de Rosa, adaptado por Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira.

Yolanda Penteado foi fundadora do Museu de Arte Moderna, ao lado de Ciccillo Matarazzo (Edson Celulari), seu segundo marido. E conviveu com personalidades como Santos Dumont (Cássio Scapin), Assis Chateaubriand (Antônio Calloni), Mário de Andrade (Paschoal da Conceição), Anita Malfatti (Betty Gofman), Oswald de Andrade (José Rúbens Chachá), Tarsila do Amaral (Eliane Giardini) e Pagu (Mírian Freeland). Yolanda fazia parte da família Penteado, uma das famosas “famílias quatrocentonas” (as mais antigas de São Paulo).

Com o slogan “Globo e São Paulo: Um Só Coração”, a minissérie fez parte das comemorações dos 450 anos de São Paulo, considerada pela emissora como sua maior contribuição para a festividade, além da série de matérias jornalísticas realizadas pelo SPTV. Sem falar no show da virada e da chuva de prata na Avenida Paulista, no reveillón e no dia 25 de janeiro (aniversário da cidade), onde a emissora é uma das responsáveis.

Um Só Coração contou a história da cidade do início da década de 1920 até o ano de 1954, na Festa do IV Centenário de São Paulo, por se tratar de um período de transformações, em que São Paulo passou de potência rural a grande metrópole. A Semana de Arte Moderna, a Revolução de 1924, a crise de 1929, a Revolução de 1932, a adaptação às diretrizes da era Vargas, os ecos do nazismo e do fascismo, os refugiados da Segunda Guerra, a influência americana, a inauguração da TV no Brasil – todos estes momentos históricos foram abordados.

Os realizadores da minissérie também fizeram questão de retratar São Paulo sob o ponto de vista cultural, mostrando a importância dos movimentos artísticos para o desenvolvimento da cidade.
“A projeção de São Paulo se deve à cultura, que contribuiu na transformação dos ares provincianos em cidade industrial”, disse o diretor de núcleo, Carlos Manga.
“Muita coisa que temos hoje não existiria se não fosse a Semana de 22”, completou o diretor geral, Carlos Araújo.

Uma das curiosidades de Um Só Coração fica por conta de sua data de estreia: se fosse viva, Yolanda Penteado faria aniversário exatamente em 6 de janeiro, dia em que o diretor Carlos Manga e a atriz Cássia Kiss – a mãe da protagonista na trama – também completaram mais um ano de vida.

Para compor personagens que de fato existiram, autores e atores muitas vezes contaram com a ajuda de parentes dos personagens reais, que puseram à sua disposição memórias e documentos.
“Só a filha de um dos amantes de Yolanda, um homem casado da sociedade paulistana, se recusou a ajudar”, contou Maria Adelaide Amaral.

Uma sobrinha-bisneta de Yolanda Penteado, a atriz Gabriela Hess, acabou fazendo o papel de Guiomarita Penteado, irmã de Yolanda e sua bisavó na vida real. Em um dos capítulos, Gabriela deu à luz a sua tia-avó, Antonieta Penteado da Silva Prado Cintra, – que, portanto, assistiu na vida real ao seu próprio nascimento na TV.

A emissora gastou 10,5 milhões de reais na produção de Um Só Coração. A caracterização física dos personagens reais foi impecável. Atores como Paschoal da Conceição e Cássio Scapin, que interpretaram Mário de Andrade e Santos Dumont, ficaram a cara dos originais.

O esmero se repetiu em reconstituições como a da Semana de Arte Moderna de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Cerca de 300 pessoas participaram das gravações e mais de trinta obras de arte foram reproduzidas para a ocasião, de esculturas como a “Pietá”, de Victor Brecheret, a pinturas como “O Homem Amarelo”, de Anita Malfatti, e “Mulher com Chapéu”, de Di Cavalcanti.

A minissérie teve cenas gravadas em São Paulo, Santos, Campinas, Bananal e em Rio das Flores, no interior do Rio de Janeiro.

A cena que remonta a invasão de militares insatisfeitos com políticas do governo central, em 1924, contou com cerca de 350 figurantes que ocuparam o centro histórico de Santos, local escolhido para as gravações. Além de Santos, Campinas, Bananal e Rio das Flores (RJ) também serviram como locações para a minissérie.

Uma atenção considerável foi dada à arquitetura na produção da minissérie. Algumas fachadas de casarões eram reais, outras foram erguidas na cidade cenográfica da Globo. Foi o caso da mansão do Coronel Totonho (Tarcísio Meira). Suntuosa no começo da minissérie, a mansão virou bordel quando a família perdeu tudo na crise econômica de 1929, passou a abrigo de imigrantes num período posterior e, finalmente, a cortiço de migrantes nordestinos nos anos 1950.
“Foi isso o que aconteceu com muitos casarões de antigos bairros nobres de São Paulo, como os Campos Elíseos”, contou o autor Alcides Nogueira.

Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira fizeram uma breve participação na minissérie. Eles estavam no meio dos figurantes que assistiam à abertura da Semana da Arte Moderna. A cena foi exibida no terceiro capítulo, no dia 08/01/2004.

O autores não gostaram de ver o título da minissérie associado ao político Paulo Maluf, cuja camapanha eleitoral na época trazia os dizeres “Maluf e São Paulo: Um Só Coração”.
“Repudiamos a tentativa de associar a figura dele ao sucesso da série”, afirmaram os autores.

A escritora Zélia Gattai, mulher do falecido escritor Jorge Amado, fez uma participação especial na minissérie. No capítulo exibido em 11/03/2004, o então jovem Jorge Amado é homenageado num jantar no qual participa a pintora Tarsila do Amaral (Eliane Giardini). É Zélia quem levanta o brinde.

A minissérie foi prorrogada por causa do sucesso no Ibope. Ao invés de sair do ar dia 02/04/2004, como estava previsto, o último capítulo foi exibido dia 8. Na primeira semana, a atração registrou média de 38 pontos na Grande São Paulo. Na segunda e na terceira, 31 – audiência no horário considerada ótima para os padrões da época.

Até o penúltimo capítulo, personagens reais foram vividos por atores. No último capítulo, atores famosos que participaram da história nos anos 1950 viveram eles mesmos na minissérie.
Assim, Yolanda Penteado foi apresentada a Fernanda Montenegro e sua filha Fernanda Torres.
Na mesma ocasião estavam Cleyde Yáconis e o casal Eva Wilma e John Herbert.
A atriz Vida Alves apareceu no momento em que se transmitia o famoso capítulo do primeiro beijo na TV, na novela Sua Vida Me Pertence, da qual participou de fato.
E Tônia Carrero e Paulo Autran atuaram comentando uma nova dupla de jovens atores que surgia: Tônia Carrero e Paulo Autran.

A minissérie teve aberturas diferentes – pelo menos no final. Em cada uma, a chuva de fotos terminava num lugar diferente: em quadros, porta retratos, numa sala, etc.

Um Só Coração foi lançada em DVD ainda em 2004, ano de sua apresentação.

Reapresentada no Viva (canal de TV a cabo pertencente à Rede Globo) entre 07/01 e 19/03/2013.

Trilha Sonora

umsot
01. TOO YOUNG – Roger Henri (tema de Yolanda)
02. SOLEDAD – Roger Henri (tema de Soledad)
03. OS RIOS QUE CORREM PRO MAR – Thereza Cristina
04. FAMÍLIA ALEMÃ – Roger Henri (tema de Ana)
05. UM SÓ CORAÇÃO (adaptação da SINFONIA Nº 5 OP.64) – Roger Henri (tema de abertura)
06. TUM BALALAIKA – Gilbert (tema do núcleo judeu)
07. RAPAZIADA DO BRAZ – Jair Rodrigues
08. JOÃO DE BARRO / CABOCLA TEREZA – Trovadores Urbanos (tema de Mário de Andrade)
09. IN THE BLUE OF THE EVENING – Frank Sinatra & Tommy Dorsey (tema de Candinho e Rita)
10. CORAÇÃO SOZINHO (adaptação de APENAS UM CORAÇÃO SOLITÁRIO) – Roger Henri (tema de Madiano e Maria Luísa)
11. VIOLA QUEBRADA – Trovadores Urbanos
12. ÁRIA PAULISTANA (adaptação da SINFONIA Nº 5 OP.64) – Isabella Taviani (tema de Yolanda e Martim)

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