Sinopse

O romance proibido entre Santo dos Anjos (Domingos Montagner) Maria Tereza (Camila Pitanga), que começa com seus antepassados na década de 1960, passa por conflitos entre famílias rivais na disputa por posse de terras e poder, e culmina na atualidade em meio à luta pelo renascimento do Rio São Francisco, o Velho Chico.

Final da década de 1960, fictícia Grotas de São Francisco, Nordeste brasileiro. O poderoso Coronel Jacinto (Tarcísio Meira), conhecido como Coronel Saruê, comanda a política, a economia e quem aparecer pela sua frente. E também está de olho nas terras do Capitão Ernesto Rosa (Rodrigo Lombardi). Dono da fazenda Piatã, o capitão tem moral e coragem para enfrentar a figura do “todo-poderoso” coronel, e isso é o que provoca o início do duelo que vai atravessar gerações até os dias de hoje.

Jacinto é casado com Encarnação (Selma Egrei), uma mulher amargurada, marcada pela morte trágica do primogênito. O único herdeiro do casal que restou é Afrânio (Rodrigo Santoro), que partiu para estudar Direito em Salvador, mas nunca deixou de viver às custas da rica família. Lá ele apaixonou-e pela cantora Iolanda (Carol Castro), uma jovem à frente de seu tempo. A morte súbita do pai, porém, faz Afrânio retornar à casa para assumir os negócios – deixando de lado a amada e seu posto de doutor para se tornar o mais novo Coronel Saruê.

A mando de sua mãe, o novo coronel começa a visitar os parceiros de seu pai pela região. É num destes encontros que ele acaba se envolvendo com Leonor (Marina Nery), filha de Aracaçú (Carlos Betão). Descobertos, são obrigados a se casarem. Desta união à base do facão, nasceu Maria Tereza (Isabella Aguiar) pelas mãos da própria avó, que amaldiçoa a nora pois esperava, minimamente, um neto varão.

Do outro lado da história, o Capitão Ernesto Rosa é um homem correto e vive um casamento feliz com Eulália (Fabiula Nascimento). Os dois adotaram Luzia (Carla Fabiana), encontrada ainda bebê em meio à plantação de algodão. Na mesma época, o casal acolheu em sua casa os retirantes Belmiro dos Anjos (Chico Diaz), Piedade (Cyria Coentro) e o filho bebê Santo (Rogerinho Costa). As crianças tornaram-se irmãos de leite, ambos amamentados por Piedade, mas, com o passar do tempo, a menina acabou se apaixonando pelo menino.

Em uma procissão de São Francisco de Assis na cidade de Grotas, as vidas de Maria Tereza e Santo se cruzam. Representando Nossa Senhora e São José, os dois se jogam nas águas do rio e, ali, o Velho Chico une seus caminhos. O amor proibido acaba sendo descoberto pelo pai da jovem, Afrânio. Diante da situação, ele tranca a filha em um internato em Salvador bem longe de seu amado. De lá, Maria Tereza começa a enviar cartas ao seu amado informando que dali a um tempo nasceria o filho deles: Miguel. Mas Santo nunca recebeu tais cartas, que foram interceptadas por Luzia, desde sempre apaixonada pelo irmão postiço.

Vinte anos depois, Grotas de São Francisco recebe novamente Maria Tereza (Camila Pitanga), agora casada com o ambicioso político Carlos Eduardo, uma “cria” do Coronel Saruê (Antônio Fagundes) . E é ali que o Velho Chico torna a guiar o curso desta história e deste amor, quando o reencontro de Maria Tereza e Santo (Domingos Montagner) é inevitável, mesmo tendo cada qual trilhado seu caminho e constituído suas famílias, que voltam a travar batalhas ancestrais.

Globo – 21h
de 14 de março a 1º de outubro de 2016
173 capítulos

novela de Benedito Ruy Barbosa
escrita por Edmara Barbosa e Bruno Barbosa Luperi
supervisão de texto de Benedito Ruy Barbosa
colaboração de Luis Alberto de Abreu
direção de Luiz Fernando Carvalho, Carlos Araújo, Gustavo Fernandez e Philippe Barcinski
direção geral de Luiz Fernando Carvalho

Novela anterior no horário
A Regra do Jogo

Novela posterior
A Lei do Amor

DOMINGOS MONTAGNER – Santo dos Anjos
CAMILA PITANGA – Maria Tereza
ANTÔNIO FAGUNDES – Afrânio de Sá Ribeiro (Coronel Saruê)
CHRISTIANE TORLONI – Iolanda
MARCELO SERRADO – Carlos Eduardo Cavalcanti
LUCY ALVES – Luzia
IRANDHIR SANTOS – Bento dos Anjos
DIRA PAES – Beatriz
LEE TAYLOR – Martim
SELMA EGREI – Dona Encarnação
MARCOS PALMEIRA – Ciço (Cícero)
GABRIEL LEONE – Miguel
GIULLIA BUSCACIO – Olívia
LUCAS VELOSO – Lucas
ZEZITA MATOS – Piedade
CARLOS VEREZA – Padre Benício
GÉSIO AMADEU – Chico Criatura
SUELY BISPO – Doninha
MARIENE DE CASTRO – Dalva
LUCI PEREIRA – Ceci
JOSÉ DUMONT – Zé Pirangueiro
MARCÉLIA CARTAXO – Zefa
SAULO LARANJEIRA – Prefeito Raimundo
IVANN GOMES (BATORÉ) – Queiroz
ANA RAYZA – Isabel
YARA CHARRY – Sophie
CLÁUDIO JABORANDY – Delegado Germano

primeiras fases
RODRIGO SANTORO – Afrânio de Sá Ribeiro
TARCÍSIO MEIRA – Jacinto de Sá Ribeiro (Coronel Saruê pai)
RODRIGO LOMBARDI – Capitão Ernesto Rosa
FABÍULA NASCIMENTO – Eulália
CHICO DIAZ – Belmiro dos Anjos
CYRIA COENTRO – Piedade
CAROL CASTRO – Iolanda
MARINA NERY – Leonor
UMBERTO MAGNANI – Padre Romão
JÚLIO MACHADO – Clemente
BÁRBARA REIS – Doninha
JÚLIA DALLAVIA – Maria Tereza (jovem)
RENATO GÓES – Santo (jovem)
PABLO MORAIS – Ciço (jovem)
LARISSA GÓES – Luzia (jovem)
DIYO COELHO – Bento (jovem)
RAFAEL VITTI – Carlos Eduardo (jovem)
BERTRAND DUARTE – pai de Carlos Eduardo
LEOPOLDO PACHECO – Dr. Emílio (médico de Grotas)
CARLOS BETÃO – Aracaçu (pai de Leonor)
VERÔNICA CAVALCANTI – Zilu (mulher de Aracaçu, mãe de Leonor)
FERNANDO TEIXEIRA – Coronel Floriano (amigo de Jacinto)
CHICO DE ASSIS – Coronel Salgado (amigo de Ernesto Rosa)
THAÍSSA CAVALCANTI – Matilde (amiga de Iolanda em Salvador)
DENISE CORREIA – Neuza (empregada de Afrânio em Salvador)
ADRIANA GABRIELA – Marta (amiga de Tereza no internato)
FRANCISCO CARVALHO – Silvino (produtor de algodão em falência)
EDMILSON BARROS – testamenteiro questionado por Afrânio sobre a herança da fazenda do Capitão Rosa
FELIPE RODRIGUES – sacristão que auxilia o padre Romão
HARILDO DEDA – Dr. Amorim (médico chamado ao internato que diagnostica a gravidez de Tereza)
DADÁ VENCESLAU – Benedito
VÓ MERA – Dona Noca (parteira de Leonor)
as crianças
ISABELLA AGUIAR – Maria Tereza (filha de Afrânio e Leonor)
DAVI CAETANO – Martim (filho de Afrânio e Leonor, irmão de Maria Tereza)
LUCCA FONTOURA – Ciço (filho de Clemente e Doninha)
CARLA FABIANA – Luzia (filha adotiva de Ernesto e Eulália)
ROGERINHO COSTA – Santo (filho de Belmiro e Piedade)
VITOR ALEIXO – Bento (filho de Belmiro e Piedade, irmão de Santo)

e
ADILSON MAGHÁ – cego tocador que deu informações a Martim sobre sua família materna quando ele pesquisava suas origens
ALEX TEIX – Macedo (conversa com Carlos Eduardo no gabinete dele em Brasília)
ALFREDO MARTINS – participa de uma reunião em Brasília com Carlos Eduardo
ALICE ASSEF – produtora de moda que organiza as fotos com os vestidos feitos por Sophie e Isabel
ANTÔNIO CARLOS FEIO – Djalma (membro da cooperativa)
ANTÔNIO ISMAEL – assistente do delegado Germano
BETH ZALCKMAN – entrevista Miguel no último capítulo
BETO QUIRINO – Bastião (membro da cooperativa)
BRUCE BRANDÃO – Raulino
CHAMBINHO DO ACORDEON – músico que se hospeda no bar de Chico Criatura
CHICO EXPEDITO – presidente da câmara de Grotas
CHICO TERRAH – participa de uma reunião em Brasília com Carlos Eduardo
DUDHA MOREIRA – do trio de senhoras que bajulam Afrânio
ED OLIVEIRA – segurança do Prefeito Raimundo
EVANA JEYSSAN – Wanda
FLÁVIO ROCHA – Edenilson (membro da cooperativa de Santo que vende sua colheita para Afrânio)
GUTTI FRAGA – presidente da Câmara de Vereadores de Grotas
J. LOPES ÍNDIO – pajé Moacir (atende Beatriz e Martim quando eles vão procurar Cauré, aluno dela)
JAEDSON BAHIA – Geremias (peão que trabalha na fazenda de Santo)
JÔ SALGADO – do trio de senhoras que bajulam Afrânio
JOSÉ ARAÚJO – Seu José (faxineiro da boate Dália Azul que recebe Iolanda)
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – amigo de Afrânio
JOSÉ NEGREIROS – Galego (membro da cooperativa)
JUAN ALBA – Amadeu (pianista que acompanha Iolanda quando ela canta)
JURANDIR DE OLIVEIRA – Abdias
KARLA KARENINA – do trio de senhoras que bajulam Afrânio
KENNYA COSTA – secretária do promotor a quem Afrânio faz denúncias
LEONARDO JOSÉ – advogado testamenteiro dos Sá Ribeiro
LUCA DE CASTRO – amigo de Afrânio
LUCCI FERREIRA – Ernani (empregado da fazenda de Afrânio questionado por Tereza sobre as mangas com agrotóxico)
LUIZ FELIPE PEREIRA – Cauré (aluno índio de Beatriz que foge da escola por ser maltratado pelos colegas)
LUIZA BRUNET – Madá (cafetina apaixonada por Afrânio)
MACIEL MELO – Egídio (da dupla de cordelistas)
MÁRCIO ERLISCH – participa de uma reunião em Brasília com Carlos Eduardo
MARCOS ACHER – Dr. Levi (advogado de Afrânio que conversa com Edenilson)
MARCOS HOLLANDA – Seu Firmino (conversa com Tereza na rua) / Décio (da Secretaria de Educação, comunica a transferência de Beatriz)
MARCOS SUCHARA – Rodrigo (passageiro do avião em que Miguel volta de Paris)
NÁDIA NARDINI – Matilde (amiga de Iolanda em Salvador)
PRAZERES BARBOSA – Dona Filó (ouviu uma conversa na feira de Grotas e passou adiante)
RAUL LABANCA – participa de uma reunião com Carlos Eduardo em Brasília
RÉGIS DE SÓRIS – Gilmárcio (tenta impedir a entrada de Santo nas terras de Edenilson)
ROBERTO BIRINDELLI – Jailton (presidente do partido de Bento que sugere a candidatura de Beatriz à prefeitura de Grotas)
ROGÉRIO FREITAS – médico que atende Tereza quando ela está delirando com o desaparecimento de Santo
ROSE GERMANO – funcionária da cooperativa
SEVERO D´ACELINO – Eugênio Etore (capitão que conduz a embarcação Gaiola do Encantado pelo rio São Francisco)
SHIMON NAMIAS – promotor a quem Afrânio faz as denúncias de suas falcatruas com Carlos Eduardo
VÂNIA DE BRITTO – secretária de Carlos Eduardo em Brasília
XANDO GRAÇA – inspetor da prefeitura que vai à escola de Beatriz tratar da reforma, mais tarde torna-se secretário de obras do município
XANGAI – Avelino (da dupla de cordelistas)
apoio
ADRIANA VALDEVINA
ALBERTA BARROS
ALBERTO BRIGADEIRO
ALÉSSIO ABDON
ANDERSON VIANNA
ARIANE SOUZA
CRISTIANE FERREIRA
DARÍLIA OLIVEIRA
EDUARDO CARNEIRO
FABIANO LEANDRO
FERNANDO LEÃO
FRANCISCO TORRES
GERÔNIMO SANTANA
GISELA PRADO
HALBERT MENDES
IRANI CARNEIRO
IVANILDE RODRIGUES
JORGE FLORÊNCIO
JOSÉ WENDELL
LÍGIA KISS
LÚCIA DITIMAR
MANOEL FERNANDO
MARCELINO BURÚ
MARIA TEREZA ARAGÃO
MARIA ZENAIDE
MARINA RIBEIRO
NATÁLIO MARIA
PATRÍCIA OLIVEIRA
RAVI LACERDA
ROGÉRIO RIMES
SAMUEL PAES DE LUNA
STAIN CANIDI
VALQUÍRIA SANTANA

O projeto de Velho Chico estava guardado há anos e seria para uma novela do horário das seis. Com a necessidade de realocar as ambientações do horário das nove (que há uma década não saía do eixo Rio-São Paulo), optou-se pelo resgate dessa trama de Benedito Ruy Barbosa, em caráter de urgência, já que a novela que substituiria A Regra do JogoA Lei do Amor, de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari – havia sido protelada e acabou entrando depois de Velho Chico.

Benedito – em idade avançada – começou trabalhando aqui como supervisor de texto. A princípio, quem escreveu Velho Chico foram a filha Edmara Barbosa (que já trabalhou com o pai em várias outras novelas) e o neto Bruno Barbosa Luperi, filho dela. Logo após a finalização das primeiras fases da trama, Edmara pediu afastamento. Benedito e Bruno concluíram o trabalho.

Lamentavelmente, Velho Chico ficou marcada por uma tragédia. Na tarde do dia 15/09/2016 (faltando duas semanas para acabar a novela), os atores Domingos Montagner e Camila Pitanga, num intervalo de gravação, foram nadar no Rio São Francisco, na região de Canindé de São Francisco, em Sergipe. Camila conseguiu escapar da forte correnteza, mas Domingos não teve a mesma sorte. Quatro horas depois, seu corpo foi encontrado, sem vida. Numa infeliz coincidência, na trama da novela, um mês antes, seu personagem, o protagonista Santo dos Anjos, havia desaparecido no rio. Porém, dessa vez, a vida não imitou a arte. Santo foi encontrado vivo, Domingos não. O ator tinha 54 anos de idade.
O personagem continuou nas últimas semanas da novela por meio de um artifício de direção: a câmera subjetiva. Em vez de interagir com Montagner, os atores “contracenaram” com a câmera, e o espectador via as sequências pelos olhos do protagonista.

O elenco já havia perdido o ator Umberto Magnani (o Padre Romão da trama), que faleceu em 27/04/2016, aos 75 anos, dois dias depois de sofrer um acidente vascular encefálico hemorrágico durante uma gravação da novela. O ator Carlos Vereza foi chamado para viver um outro padre (Benício) que fez as vezes do personagem de Magnani.
No dia 31/12/2016, três meses após o término da novela, faleceu o ator Adilson Maghá, que havia feito uma pequena mas importante participação na trama, como um cego que informa Martim (Lee Taylor) sobre sua família materna. Maghá era mineiro, faleceu aos 68 anos e sofria com um câncer no pulmão.

Independentemente da tragédia da morte de Domingos Montagner, que abalou o país, Velho Chico deu o respiro que o horário das nove da Globo precisava, vindo de uma sequência de tramas realistas focadas na violência urbana. Com temáticas regionais, a produção mudou a paisagem e o sotaque do horário nobre. Alicerçada em um elenco mais enxuto do que o habitual, trouxe vários nomes desconhecidos do grande público. Tratou de questões sociais importantes, relacionadas ao Rio São Francisco e à agricultura, meio ambiente e sustentabilidade, bem como coronelismo e política. Porém, questões embaladas por uma boa dose de lirismo. Também a incontestável qualidade técnica e artística, da direção à fotografia, trilha sonora e interpretação dos atores.

Desde sua estreia, a novela dividiu opiniões e provocou discussões. As metáforas propostas no texto encontraram ressonância na concepção estética do diretor, Luiz Fernando Carvalho. Ele ofereceu ao público do horário o respiro ansiado, mas em uma embalagem à qual este público não estava acostumado. Viraram alvo de críticas a fotografia estilizada da novela (que a deixava com uma imagem “barroca” que salientava a aparência suada e encardida dos atores) e algumas caracterizações que destoavam da realidade (como o traje de época de Dona Encarnação/Selma Egrei e o figurino espalhafatoso e a peruca do Coronel Saruê/Antônio Fagundes).
Todavia – e felizmente – nem os autores nem o diretor se deixaram abater diante das críticas ou tentaram ajustar a novela ao gosto do telespectador médio.

A repentina mudança visual e psicológica do protagonista Afrânio das primeiras fases (o jovem Coronel Saruê vivido por Rodrigo Santoro) para a fase definitiva (o velho Saruê de Antônio Fagundes) causaram um grande estranhamento no público, já que, a princípio, não foi apresentada nenhuma razão para tanto. O novo personagem em absolutamente nada lembrava o antigo. O visual bufão, com peruca e roupas coloridas, o jeito bonachão e caricato de coronel arrogante (que remetia à folclórica figura de Odorico Paraguaçu) estava longe da imagem humanizada criada por Santoro. A peruca do velho Saruê acabou virando pauta para discussões. A explicação para o Afrânio de Fagundes estava no embrutecimento que a vida lhe causou ao longo dos anos, representando ele, na atualidade, todo o anacronismo dos coronéis do sertão e suas práticas.

Velho Chico foi uma obra acima da média na TV brasileira. Ainda que o texto tenha cansado em vários momentos, ou os autores tenham sido didáticos em outros, ainda que o ritmo lento da narrativa tenha afugentado telespectadores, a novela teve o grande mérito de provocar e estimular o público. A proposta estética do diretor, o figurino de época de Dona Encarnação ou a peruca do Saruê faziam parte do conjunto de metáforas da narrativa que disfarçaram a crítica social e política do texto.

Perguntado sobre como nasceu a ideia de Velho Chico, Benedito afirmou:
“Nasceu há muitos anos, na década de 1970, quando eu era repórter. Na época fui conhecer o Rio São Francisco. Fui pra lá e levei apenas uma câmera. Fui sozinho. Fiz essa viagem numa gaiola – um barco grande, característico do local. Lá, fiz amizade com o comandante (…) Naveguei por tudo aquilo. Fiquei apaixonado pelo rio. Conversei com esse senhor, que conhecia muitas histórias. (…) Eu conto o rio de antigamente, que eu conheci. E minha filha e meu neto contam o rio de hoje, eles são representantes da nova geração. Temos três olhares distintos e críticos. E assim os afluentes destas histórias foram nascendo e ganhando forma.”

O trabalho de pesquisa empírica realizado por Edmara Barbosa e Bruno Luperi ao longo do Rio São Francisco também foi fundamental para dar o tom realista e, ao mesmo tempo, lúdico da novela.
“Encontrar com as pessoas que vivem lá, estar em contato com esse rio tão gigante mudou muita coisa”, lembrou Edmara.

“É um reencontro com a brasilidade, com a história do nosso país e de sua gente, dos amores puros e dos desencontros, uma declaração de amor à nossa terra, contada com uma emoção brasileira, nossa! Um romance que começa na década de 60 e desemboca numa atualidade cercada de contradições. Uma novela de amor, mas também emoldurada por uma crítica social”, destacou Luiz Fernando Carvalho.

Velho Chico teve um elenco escolhido a dedo, enxuto e com muitos nomes desconhecidos do público de televisão. A fase definitiva somava menos de trinta atores fixos (sem as participações esporádicas), em poucos núcleos – um dos menores elencos em uma novela global das oito/nove em mais de trinta anos. Isso possibilitou que todo mundo aparecesse e tivesse destaque.
Muitos eram estreantes em novelas: Lucy Alves (Luzia), Lee Taylor (Martim), Suely Bispo (Doninha), Mariene de Castro (Dalva), Saulo Laranjeira (Prefeito Raimundo), Ivann Gomes, o Batoré (Queiroz), Lucas Veloso (Lucas), Ana Rayza (Isabel).
Outros, experientes ou não, tinham poucas novelas em seus currículos: Irandhir Santos (Bento), Gabriel Leoni (Miguel), Giullia Buscacio (Olívia), Zezita Matos (Piedade), Luci Pereira (Ceci) e Marcélia Cartaxo (Zefa).
E os mais experientes, em atuações marcantes: Domingos Montagner (Santo dos Anjos), Camila Pitanga (Maria Tereza), Antônio Fagundes (Afrânio), Christiane Torloni (como Iolanda, pela primeira vez com sotaque nordestino), Selma Egrei (como a centenária Dona Encarnação, com uma caracterização pesada), Marcelo Serrado (Carlos Eduardo), Marcos Palmeira (Ciço), Dira Paes (Beatriz), Carlos Vereza (Padre Benício), Gésio Amadeu (Chico Criatura) e José Dumont (Zé Pirangueiro).
Vale citar o elenco das primeiras fases, com destaque para as interpretações de Rodrigo Santoro (Afrânio), Rodrigo Lombardi (Capitão Ernesto Rosa), Fabíula Nascimento (Eulália), Chico Diaz (Belmiro dos Anjos), Cyria Coentro (Piedade), Renato Góes (Santo), Júlia Dallavia (Maria Tereza), Carol Castro (Iolanda), Umberto Magnani (Padre Romão), Júlio Machado (Clemente) e Bárbara Reis (Doninha).

Rodrigo Santoro estava afastado das novelas há treze anos – a última foi Mulheres Apaixonadas, em 2003. Sua última participação na televisão brasileira foi no episódio “A Indomável do Ceará” da série As Brasileiras, em 2012.

Entre as locações escolhidas estavam São Francisco do Conde (onde ficava o casarão da família Sá Ribeiro, na Ilha de Cajaíba), Raso da Catarina e Cachoeira, na Bahia; Baraúna, no Rio Grande do Norte; Povoado Caboclo e Olho D´água do Casado, em Alagoas. As tomadas aéreas que representavam a cidade fictícia de Grotas do São Francisco são do município alagoano de Piranhas.
Dez caminhões saíram abastecidos do Rio de Janeiro rumo ao nordeste para as primeiras gravações. Só de figurino foram três toneladas divididas em três caminhões e outra parte que foi despachada por avião. Entre os itens estavam: vestuário, acessórios, máquina de costura e até fogão para tingimento.

A gravação da novela movimentou a cadeia de produção das cidades por onde passou. Em São Francisco do Conde (BA), por exemplo, a produção contratou todo tipo de mão de obra local, incluindo serralheiros, pescadores, barqueiros, entre outros. Isso sem contar com os profissionais de produção, técnica, atores, participações e figuração. Só para selecionar as participações especiais dos capítulos iniciais de Velho Chico foram realizados mais de 400 testes nas locações nordestinas, totalizando a escalação de 70 atores. Cerca de 70% do elenco da novela também é do Nordeste.

O figurino foi criado respeitando um processo artesanal, em que as roupas passaram por uma primeira etapa de descoloração do tecido e posterior tingimento para chegar na cor definida. A finalização foi realizada com técnicas de envelhecimento natural: exposição ao sol, aplicação de cera, desgaste com lixas, pedras e a até própria terra do sertão foi usada, em alguns casos.
No primeiro momento da novela, que começava no final da década de 1960 e se estendia até os dias atuais, destacou-se os tons mais pastéis para o figurino dos personagens sertanejos, e tons mais saturados, mais “tropicália”, para os personagens que viviam na capital, Salvador.

A maquiagem para os personagens era mínima, seguindo o conceito de realismo do diretor Luiz Fernando Carvalho. Mais do que base, blush ou sombras, Rubens Libório, o caracterizador da novela, usou matéria-prima do próprio sertão. Já para a centenária personagem de Selma Egrei, Dona Encarnação, a atriz usou uma máscara que a deixava coberta de rugas.

Com 10.000m² e construída em forma de arena (com 360º), a cidade cenográfica teve 73 construções, todas com micro interiores e espaços multiuso. Os 12 ambientes principais desta cidade fictícia tinham total acabamento interno, com móveis e adornos produzidos pela equipe de produção de arte. As referências das casas construídas na cidade cenográfica foram inspiradas nos pintores da década de 1940 e 1950, como Portinari, Di Cavalcanti, Carybé, Volpi e nas fotografias de Maureen Bisilliat.

A Globo assinou um termo de parceria com a Conservação Internacional, uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo era “trabalhar para garantir um planeta saudável e produtivo para todos”. A ONG atualizou os autores e o diretor a respeito dos temas de meio ambiente, um dos aspectos principais da novela.

Caetano Veloso regravou especialmente sua música Tropicália para a abertura, com arranjo novo de Tim Rescala, responsável pela produção musical da novela.

Em uma entrevista durante a festa de lançamento de Velho Chico, uma semana antes da estreia, Benedito Ruy Barbosa causou polêmica ao afirmar que “odeia histórias de bicha” quando foi questionado se haveria personagens homossexuais na novela. No esforço de atenuar a rejeição criada pelo autor em alguns ambientes, o diretor Luiz Fernando Carvalho se manifestou criticando a posição de Benedito. E o neto do autor, Bruno Luperi, procurou contextualizar as palavras do avô. A declaração pegou mal para a promoção da novela.

Outra polêmica envolvendo uma fala de Benedito Ruy Barbosa aconteceu em uma entrevista ao jornalista Maurício Stycer para o portal UOL. O autor afirmou que solicitou ao diretor-geral da Rede Globo, Carlos Henrique Schröeder, como condição para escrever Velho Chico que Silvio de Abreu, diretor de dramaturgia da emissora, não interferisse ou desse sugestões na trama: “(…) não quero que ele [Silvio de Abreu] leia sinopse minha. Não quero que ele palpite na minha novela. Não quero que ele leia e que ele ponha a mão na novela.” Benedito afirmou ainda que a indiferença com Abreu veio de anos atrás, quando o mesmo rejeitou uma sinopse sua para o horário das 18 horas.

Trilha Sonora Volume 1

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01. TROPICÁLIA – Caetano Veloso (tema de abertura))
02. GEMEDEIRA – Amelinha
03. ME LEVA – Renata Rosa
04. FLOR DE TANGERINA – Alceu Valença
05. ENQUANTO ENGOMA A CALÇA – Ednardo
06. VEJA (MARGARIDA) – Marcelo Jeneci
07. COMO 2 E 2 – Gal Costa
08. L´ÉTRANGER (FORASTEIRO) – Thiago Pethit, participação de Tiê
09. I-MARGEM – Paulo Araújo
10. INCELENÇA PRO AMOR RETIRANTE – Xangai, participação de Elomar
11. SERENATA (STANDCHEN) – Chico César
12. SUÍTE CORRENTEZA: BARCAROLA DO SÃO FRANCISCO / TALISMÃ / CARAVANA – Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai
13. TRISTE BAHIA – Caetano Veloso
14. SENHOR CIDADÃO – Tom Zé

Trilha Sonora Volume 2

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01. MORTAL LOUCURA – Maria Bethânia
02. DA AURORA ATÉ O LUAR – Dadi participação de Marisa Monte
03. NÃO HÁ CABEÇA – Pélico
04. A OLHOS NUS – Ná Ozzetti e Zé Miguel Wisnik
05. O CIÚME – Caetano Veloso
06. ENCARNAÇÃO – Elba Ramalho
07. ONDAS DO MAR DE VIGO (ONDAS DO OPARÁ) – Fortuna
08. PERFUME DO INVISÍVEL – Céu
09. RÉQUIEM PARA MATRAGA – Geraldo Vandré
10. MOÇA BONITA – Alceu Valença
11. LA BELLE DE JOUR – Alceu Valença
12. UM OH! E UM AH! – Tom Zé
13. DOR E DOR – Tom Zé
14. VITTA, IAN, CASSALES – Apanhador Só
15. CORAÇÃO – Bárbara Eugênia
16. METAMORFOSE AMBULANTE – Raul Seixas
17. MONTE CASTELO – Legião Urbana
18. MEU PRIMEIRO AMOR (LEJANIA) – Maria Bethânia

ainda
A CIGANA – Roberto Carlos
ACABOU CHORARE – Novos Baianos
CORDA DE AÇO – Fagner
FRANCISCO FRANCISCO – Maria Bethânia
LE VENT NOUS PORTERA – Sophie Hunger
PEDRAS DE SAL – Ylana Queiroga
PEIXE – Doces Bárbaros
POR DEBAIXO DOS PANOS – Os Três do Nordeste
QUIZAS QUIZAS QUIZAS – Sara Montiel
RIACHO DO NAVIO – Luiz Gonzaga
SABIÁ – Luiz Gonzaga
TALISMÃ – Alceu Valença e Geraldo Azevedo

Trilha Sonora Instrumental: música original de Tim Rescala

velhochicot2
01. DESPERTAR DO VELHO CHICO
02. ÁGUAS CRISTALINAS
03. ALEGRIA NO VILAREJO
04. RETIRANTES
05. NORDESTE MEDIEVAL
06. BATALHA 1
07. O PODER
08. ENCANTAMENTO
09. FELICIDADE E FARTURA
10. SANTO E MARIA TEREZA
11. O AMOR DE LUZIA
12. SEGUNDO ENCANTAMENTO
13. ABENÇÃO
14. DESAFIO AGALOPADO
15. DESOLAÇÃO
16. ESPERANÇA E LUTA
17. O VELHO CHICO COM ÁGUAS CLARAS
18. SOLIDÃO E REMORSO
19. BATALHA 2
20. SOMBRAS DO PASSADO
21. O VELHO CHICO COM ÁGUAS TURVAS
22. SUBTERRÂNEOS 2
23. NO BAR DO CHICO CRIATURA
24. BENTO E BEATRIZ
25. PASSARINHOS
26. ORAÇÃO
27. ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO

Tema de Abertura> TROPICÁLIA – Caetano Veloso

“Quando Pero Vaz Caminha
Descobriu que as terras brasileiras
Eram férteis e verdejantes,
Escreveu uma carta ao rei:
Tudo que nela se planta,
Tudo cresce e floresce.
E o Gauss da época gravou”.

Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
Aponta contra os chapadões
Meu nariz
Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do país

Viva a Bossa, sa, sa
Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça
Viva a Bossa, sa, sa
Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça

O monumento
É de papel crepom e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde
Atrás da verde mata
O luar do sertão
O monumento não tem porta
A entrada é uma rua antiga
Estreita e torta
E no joelho uma criança
Sorridente, feia e morta
Estende a mão

Viva a mata, ta, ta
Viva a mulata, ta, ta, ta, ta
Viva a mata, ta, ta
Viva a mulata, ta, ta, ta, ta

No pátio interno há uma piscina
Com água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa e fala nordestina
E faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E no jardim os urubus passeiam
A tarde inteira entre os girassóis

Viva Maria, ia, ia
Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia
Viva Maria, ia, ia
Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia

No pulso esquerdo o bang-bang
Em suas veias corre
Muito pouco sangue
Mas seu coração
Balança um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores
Ele põe os olhos grandes
Sobre mim

Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma
Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma

Domingo é o fino-da-bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça
Porém…
O monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo
Do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem

Viva a banda, da, da
Carmem Miranda, da, da, da, da
Viva a banda, da, da
Carmem Miranda, da, da, da, da

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