Sinopse

O fio condutor são dois triângulos amorosos. O primeiro formado por Aragão (Jackson Antunes), a mulher Arlinda (Letícia Sabatella) e o amante dela, Chico (Daniel de Oliveira). O segundo, por Malvina (Marina Ruy Barbosa), Lena (Arianne Botelho) e Gabriel (Johnny Massaro), fruto do relação extraconjugal de Arlinda e Chico, mas criado como filho por Aragão. Gabriel nasceu sob o signo da morte, numa Recife do início do século XX. Foi concebido minutos antes de seu pai ser morto por Aragão num rompante de ciúme ao flagrar a traição em sua própria cama. Mas para Chico, a morte não foi o seu fim. E, mesmo morto, se fez presente dia após dia na vida daquela família.

Anos mais tarde, Gabriel vê novamente a morte enredar seu destino. Apaixonado desde a infância por Lena, o rapaz foi obrigado a casar com Malvina, filha misteriosa e sombria de um agiota da cidade que salvaria sua família da ruína financeira. Para impedir o enlace entre Lena e Gabriel e garantir o casório, Aragão fez ainda Gabriel e Lena pensarem que são irmãos. Vendo o sofrimento do filho, Arlinda conta a verdade sobre a origem de Gabriel. Diante disso, ele se vê livre para viver seu verdadeiro amor e abandona Malvina na porta da igreja.

Malvina, abatida por um histórico de abandono, se atira da ponte da cidade e morre afogada. Massacrado pelo remorso, Gabriel viola o túmulo de sua noiva e leva seu corpo para casa, trazendo consequências funestas: Malvina volta à vida e traz com ela todos os mortos da cidade. Num primeiro momento, os reencontros com os devolvidos da morte trazem alívio e felicidade para quem sofria suas perdas. Mas o povo não demora a descobrir que não se muda o curso natural da vida impunemente.

Globo – 23h15
de 8 de maio a 5 de junho de 2015
5 episódios

série de Cláudio Paiva, Guel Arraes e Newton Moreno
direção geral de Flavia Lacerda

JACKSON ANTUNES – Aragão
LETÍCIA SABATELLA – Arlinda
DANIEL DE OLIVEIRA – Chico
JOHNNY MASSARO – Gabriel
MARINA RUY BARBOSA – Malvina
ARIANNE BOTELHO – Lena
ÍSIO GHELMAN – Isaac (pai de Malvina)
FABIANA GUGLI – Esmeralda (mãe de Malvina, falecida)
GHUEZA SENA – Zefa (mãe de Lena)
ADÉLIO LIMA – Tião (capataz de Aragão)
TONICO PEREIRA – Zé (coveiro amigo de Gabriel)
MARIA LUIZA MENDONÇA – Dora (dona do bordel, amiga de Aragão)
LÍVIA FALCÃO – Maria (amiga de Dora)
ARAMIS TRINDADE – Manoel (dono do bar)
GUTA STRESSER – Cândida (mulher de Manoel)
BRUNO GARCIA – Jeremias (primeiro marido de Cândida, falecido)
GILLRAY COUTINHO – Padre Lauro
GUSTAVO FALCÃO – Padre Joaquim (substituto do Padre Lauro)
CÉSAR CARDADEIRO – Júlio (amigo de Gabriel)
PAULO HAMILTON – advogado que tenta tirar Aragão da cadeia
FELIPE KOURY – médico que faz o parto de Gabriel
Série exibida às sextas-feiras, após o Globo Repórter.

Sobre a proposta de Amorteamo, comentou o idealizador, Newton Moreno:
Apresentei um projeto inspirado nas lendas urbanas da cidade do Recife, uma cidade famosa pela sua paixão pelo sobrenatural. Guel [Arraes] e Cláudio [Paiva] aderiram à ideia, ao universo, e trouxeram seus imaginários. A história foi então se abrindo.”

Comentou Cláudio Paiva:
“Ao unir esses dois temas, amor e morte, inevitavelmente chegamos ao melodrama. E essas duas forças potentes é que vão regar a história da série, somados ao universo popular dessa Recife do início do século XX.”

Para narrar esse melodrama do sobrenatural, a diretora Flávia Lacerda resgatou referências clássicas do audiovisual, mesclando técnicas tradicionais do cinema e efeitos visuais contemporâneos que potencializaram a estética romântica e misteriosa de Amorteamo.
“O texto trabalha com elementos mais fantásticos e a gente se inspirou muito no que acontecia culturalmente no mundo no início do século XX. Trouxemos tudo isso para contar nossa história de amor, que é um melodrama”, explicou Flavia.

Associando linguagens do expressionismo, do cinema mudo e do teatro circense, nas quais as distorções e exageros dão o contorno das inquietações das personagens.
“É um produto sofisticado, mas ao mesmo tempo popular. O cinema do início do século passado era exibido nas feiras públicas. A ideia é realçar, a partir da recriação dessas referências, o melodrama, a arte popular”, ressaltou Guel Arraes, um dos criadores.

O figurino é marcado pelo encontro do tradicional com o moderno. Peças clássicas do final do século XIX e início do XX ganharam uma releitura atual com formas pontudas e proporções irregulares, criada pela equipe de figurino conduzida por Cao Albuquerque, que reforçaram a estética disforme da série. Vestidos, calças e até chapéus foram customizados para integrar esse universo pouco tradicional.
“Queríamos gerar um interesse visual. É um figurino fabular, o que pode ser divertido. Usamos itens mais antigos com mais contemporâneos”, explicou o figurinista.

Foram produzidas 560 peças pela área de confecção de figurino do Projac, sem contar modelos novos ou repaginados do acervo da Globo com aplicação de tachas, ilhós, itens de metal, fitas e pedaços de couro para dar um toque de modernidade. A equipe de Cao trabalhou com envelhecimento e texturas em adereços e acessórios. Bijuterias modernas e exuberantes, por exemplo, ganharam tratamento para parecerem de época.

Além disso, a origem social dos personagens ficou evidenciada pelo tipo de tecido que usavam. Quando financeiramente abastada, Arlinda (Leticia Sabatella) usava muitas roupas em veludo. Já Cândida (Guta Stresser), representante da classe média que trabalhava em uma taverna, usava um tecido mais rústico. E Dora (Maria Luiza Mendonça), uma das integrantes do bordel da cidade, vestia trajes inspirados no século XVIII, como espartilhos. Já o jeans é uma peça neutra, que estava presente no vestuário de Gabriel (Johnny Massaro) e Lena (Arianne Botelho).

O crescimento dos cabelos dos personagens apontou a passagem de tempo. Com essa premissa, a equipe de caracterização criou, no total, 36 perucas.
“Em vez de os personagens envelhecerem com látex e rugas no rosto e terem fios brancos, os cabelos crescem”, explicou a caracterizadora Lu Moraes.
Arlinda, por exemplo, começou com os cabelos na altura do colo e, 18 anos depois, eles chegaram a arrastar no chão.

Uma estética sombria reforçou o tom melodramático de Amorteamo e o clima fúnebre ganhou evidência com os recursos de luz e sombra que conduziram as cenas. Essas referências, que também foram inspiradas no início do século XX, época em que a trama se passava, serviram como premissa visual para o trabalho das equipes de cenografia, direção de arte e efeitos visuais.
“Os claros e escuros favorecem a história que está sendo contada. O período também influenciou bastante, principalmente pela ausência de energia elétrica. Estamos usando muita lamparina e vela”, explicou a cenógrafa Cris de Lamare.
A equipe ainda trabalhou com realismo nas texturas, que complementaram a estética contrastante em um acabamento preciso: paredes, ruas e calçadas ganharam uma aparência de envelhecidas, descascadas e úmidas.

As gravações foram exclusivamente em estúdio. Cemitério, ruas, fachadas, ponte e até efeitos como chuva, fogo e lama foram realizadas em ambientes internos.
“Esse projeto é todo em estúdio porque a gente queria ampliar os espaços. Nosso limite nunca é a parede. Há um pouco de realismo fantástico”, informou a diretora de arte Yurika Yamasaki. A complementação aconteceu tanto com pintura quanto com cenografia virtual.

O cemitério, por exemplo, tinha o céu formado por um ciclorama (painel) de 360 graus pintado à mão em tons de preto, cinza e branco. Ele permitiu que, através da iluminação, se ajustasse a tonalidade de acordo com cada cena. O espaço, de 1000 m², possuía 15 esculturas em isopor, árvores cenográficas, areia lavada misturada com pó xadrez, além dos túmulos por onde os personagens saíram como mortos-vivos.

Já as construções com mais de um andar, como a casa de Aragão (Jackson Antunes), contaram com o recurso de cenografia virtual. Os primeiros pavimentos foram construídos e os demais, finalizados na pós-produção.
“Há três sets que dependem muita da complementação: a ponte, a rua e a fachada da mansão. Sempre que têm esses cenários, haverá extensão [virtual] de cenário”, detalhou o produtor de efeitos visuais Gustavo Garnier.

Para evidenciar a estética expressionista e causar estranhamento aos olhos do telespectador, parte dos cenários foram estilizados e deformados, como as colunas da igreja e as escadas da casa de Aragão (Jackson Antunes).

Sobre a trilha sonora, comentou a diretora Flávia Lacerda:
“A trilha tem função narrativa também dentro da história. João Falcão desenvolveu a concepção musical junto com o produtor musical Juliano Holanda e os dois trouxeram uma música contemporânea para uma série de época. Esse contraste traz uma sonoridade bem peculiar.”

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