Sinopse

Dalva de Oliveira e Herivelto Martins marcaram a época de ouro da rádio. Esta é a história de dois dos maiores nomes do samba-canção brasileiro, e suas trajetórias de grandes conquistas e perdas significativas.

O rádio, nas décadas de 1930 a 1960, foi responsável pelo lançamento de muitos ídolos. Ser artista ou cantor de rádio era um desejo latente em milhares de pessoas, pois pertencer a este cast era garantia de sucesso em todo o país, além de grande prestígio. O público chegava a formar filas em frente à sede da Rádio Nacional, na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, para assistir a programas como o de César Ladeira. No auge da época de ouro da rádio e do Cassino da Urca, o Rio de Janeiro transbordava glamour e elegância. Estrelas de cinema internacionais, personalidades políticas e cantores consagrados circulavam pela cidade, contribuindo para uma atmosfera extremamente charmosa.

Dalva de Oliveira sempre teve uma bela voz e o apoio de sua mãe Alice para tentar seguir a profissão de artista. Mas sua carreira deslanchou mesmo quando conheceu Herivelto Martins, memorável compositor e o grande amor de sua vida. Ele, rígido e disciplinador, fez dela sua criação. Cuidando desde o repertório até os arranjos, figurino e coreografia, Herivelto transformou Dalva em uma estrela.

A parceria entre os dois, no entanto, era melhor nos palcos do que em casa. Eles são até hoje lembrados não apenas por suas músicas, mas também pela paixão fulgurante que tiveram. Dalva e Herivelto, após o término de treze anos de relacionamento, expuseram suas dores e mágoas por meio das letras de suas canções, embalando o Brasil em seus conflitos conjugais.

Embora muito apaixonada por Herivelto, Dalva nunca chegaria a ser completamente feliz no primeiro casamento. O compositor tinha muitas aventuras extraconjugais, o que a enlouquecia. Ele, no entanto, sempre retornava para casa. Até o dia em que conheceu Lurdes, uma mulher linda, jovem aeromoça, filha de uma tradicional família gaúcha. Foi amor à primeira vista. Para ela, Herivelto fez serenatas, compôs canções e cartas de amor. Por ela, terminou o casamento com Dalva de Oliveira, que teve muita dificuldade em aceitar o fim do relacionamento.

Globo – 22h
de 4 a 8 de janeiro de 2010
5 capítulos

minissérie de Maria Adelaide Amaral
escrita por Maria Adelaide Amaral, Geraldo Carneiro e Letícia Mey
direção de Dennis Carvalho e Cristiano Marques
direção geral e núcleo de Dennis Carvalho

ADRIANA ESTEVES – Dalva de Oliveira
FÁBIO ASSUNÇÃO – Herivelto Martins
MARIA FERNANDA CÂNDIDO – Lurdes Nura Torelli
THIAGO FRAGOSO – Pery Ribeiro (filho primogênito de Dalva e Herivelto)
THIAGO MENDONÇA – Bily (segundo e último filho de Dalva e Herivelto)
DENISE WEINBERG – Alice (mãe de Dalva)
ADRIANA SALLES – Nair (irmã de Dalva)
Margarida (irmã de Dalva)
JANAÍNA PRADO – Lila (Severina) (irmã caçula de Dalva)
Seu José (segundo marido de Alice)
Francisco – primeiro marido de Lurdes
ANDREI SOARES – Niltinho (Nilton Sérgio) (filho de Lurdes, de seu primeiro casamento com Francisco)
Fernando José (primeiro filho de Lurdes e Herivelto)
FERNANDA CURY – Yaçanã (filha de Lurdes e Herivelto)
Herivelto Martins Filho (filho caçula de Lurdes e Herivelto)
YAÇANÃ MARTINS – Sílvia (mãe de Lurdes)
MAYANA NEIVA – Conceição Silvia Torelli (irmã de Lurdes)
Jane (irmã caçula de Lurdes)
ADRIANO PETERMANN – René (irmão de Lurdes)
CARLO PORTO – Antoninho (comissário de bordo amigo de Lurdes)
NANDO CUNHA – Grande Otelo (Sebastião Prata)
FERNANDO EIRAS – Francisco Alves
PEDRO LIMA – Ataulfo Alves
FAFY SIQUEIRA – Dercy Gonçalves (Dolores Gonçalves Costa)
RITA ELMOR – Marlene
SORAYA RAVENLE – Emilinha Borba
CLÁUDIA NETTO – Linda Batista
LUCIANA FREGOLENTE – Dircinha Batista (Dirce Grandino de Oliveira)
ÉDIO NUNES – Orlando Silva
EMÍLIO DE MELLO – Benedito Lacerda
LEONA CAVALLI – Margot
MARCOS ARCHER – Marino Pinto
MAURÍCIO XAVIER – Nilo Chagas
GUSTAVO GASPARANI – Vicente Paiva
SUSANA RIBEIRO – Amália Paiva
ANDRÉ CORREA – César Ladeira
JANDIR FERRARI – David Nasser
MARCELO LAHAM – César de Alencar (Ermelindo César de Alencar Mattos)
LUIZ ARAÚJO – Nacib (amigo de Dalva e fã número um da cantora)
DANIELA FONTAN – Edith (assessora de Dalva)
PABLO BELLINI – Rick Valdez (segundo marido de Dalva)
LEONARDO CARVALHO – Dorival (terceiro marido de Dalva)
JACKSON COSTA – Herculano (pai de santo que aconselhou Herivelto por toda a vida)
GUIDA VIANNA – Dona Glorinha (diretora e professora do internato em que Pery e Bily ficam durante a separação dos pais)
ELLEN ROCCHE – Estela
DANDARA VENTAPANE – mulher com quem Herivelto trai Dalva
SHEILA AQUINO – mulher com quem Herivelto trai Dalva
ALEX TEIX – pai de criança no internato
GUSTAVO NUNES – pai de criança no internato
ANDREA BACELLAR – mãe de criança no internato
MARCELA MOURA – mãe de criança no internato
ALEXIA GARCIA – mulher que defende Dalva
EDMO LUÍS – locutor da rádio
RENATO LOBO – repórter
LUIZ ANTÔNIO NASCIMENTO – jornaleiro
e as crianças
GABRIEL MOURA – Pery
YAGO MACHADO – Bily
Perguntada sobre como surgiu a ideia de escrever uma minissérie sobre a vida de Dalva de Oliveira, a autora, Maria Adelaide Amaral, afirmou:
“Eu fui propor uma minissérie sobre a Isaurinha Garcia, e o Mariozinho (Rocha, diretor musical) me perguntou: ‘Por que não Dalva de Oliveira?’. Eu abracei a idéia imediatamente!”

A minissérie não se baseou em nenhum livro, mas em entrevistas com familiares e pessoas íntimas de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, e intensas consultas aos arquivos de jornais, revistas e museus – que forneceram material para inúmeras cenas de brigas do casal, inclusive. Ao longo da pesquisa foram lidos vários livros: o de Pery Ribeiro (filho do casal), de Jonas Vieira, de João Elísio Fonseca e a biografia de Grande Otelo escrita por Sérgio Cabral.

Abrindo mão da vida privada destes personagens reais, Maria Adelaide criou cenas e personagens fictícios para a minissérie toda vez que isso se tornou necessário do ponto de vista dramatúrgico. A personagem Margot – vivida por Leona Cavalli -, por exemplo, é fictícia, e representa todas as mulheres com quem Herivelto se envolveu enquanto esteve casado com Dalva.

A minissérie abrangeu cinco décadas, de 30 a 70. As gravações aconteceram principalmente em externas, no Rio de Janeiro e em Petrópolis.

A atriz Adriana Esteves interpretou Dalva de Oliveira dos 19 aos 55 anos e, para isso, teve que usar diferentes perucas, apliques, maquiagens de rejuvenecimento e envelhecimento e experimentou inúmeros figurinos. Além disso, fez uma profunda pesquisa sobre a época e ainda teve que aprender a dublar a voz da cantora de maneira que parecesse que ela mesma é que estava cantando.

Adriana Esteves e Fábio Assunção tiveram ajuda de Mirna Rubim, professora de canto, e Alfredo Del Penho, professor de violão e canto. Os atores também tiveram aula de lip sinc – para dublar corretamente as canções -, além de vários laboratórios com os familiares de Dalva e Herivelto.

Em entrevista, Fábio Assunção afirmou que procurou não imitar o Herivelto Martins real:
“Ele é um cara que tinha o jeitão dele, mas eu criei o meu Herivelto. Não procurei imitar o Herivelto. Tentei aproximar a minha alma da alma dele pelas entrevistas que eu vi, pelas imagens que assisti dele, pelos encontros que tive com os filhos e bisnetos dele, pelas músicas que eu ouvi e pelas letras que ele escreveu. Também cheguei perto do personagem através da interpretação da Adriana Esteves em relação à Dalva, e da Maria Fernanda Cândido em relação à Lurdes. Tudo isso fez o meu Herivelto acontecer.”

Perguntado sobre o que o público poderia esperar da minissérie, respondeu Fábio Assunção em entrevista:
“Acho que as pessoas vão ver a trajetória desse casal, a vida desses dois. Vão ver cenas musicais inesquecíveis, vão saber mais como era vida privada da Dalva e do Herivelto, que era muito instável, entre tapas e beijos! Vão ficar conhecendo outras figuras como Francisco Alves, Grande Otelo, Nilo Chagas, Emilinha Borba, Dercy Gonçalves. Essas pessoas estão presentes na minissérie com seus trabalhos. Vão poder ver o lado religioso do Herivelto, que era umbandista. Vão poder ver uma tecnologia nova, uma minissérie feita em 24 quadros por segundo, como no cinema. Vão ter o prazer de assistir uma minissérie que foi filmada com os recursos mais modernos. Uma fotografia impecável, com planos bonitos.”

A atriz Yaçanã Martins é filha do terceiro e último casamento de Herivelto, com a aeromoça Lurdes Torelly. Atuando da minissérie, Yaçanã interpretou sua avó, Dona Silvia, a sogra de Herivelto Martins – além de participar como consultora da equipe.

O diretor geral Denis Carvalho convocou a dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho para dirigir os shows do Cassino da Urca apresentados na minissérie.

Para as gravações de shows do Trio de Ouro e outros artistas, a equipe de cenografia da minissérie teve que reproduzir locais clássicos como o Cassino da Urca e a Rádio Nacional. Os principais shows foram gravados no Palácio Quintandinha, em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. A cenografia do local foi feita pelo diretor de arte Mario Monteiro e sua equipe.
Uma curiosidade desta produção é que o pai de Mário Monteiro, o arquiteto Alcibíades Monteiro, foi quem projetou o Quitandinha e o Cassino da Urca no início do século XX. Assim, Mário teve ajuda de todo um acervo pessoal ao elaborar este projeto.
“A estrutura e padrão destes dois cassinos é a mesma, pois o dono deles era o mesmo, Joaquim Rolla”, afirmou Mário.

O projeto cenográfico levou dois meses para ser elaborado. A construção e montagem do cenário do Cassino da Urca duraram duas semanas. Foram gravados no palco sete diferentes shows. Nas filmagens, foram usadas cadeiras e mesas da época, bem como a mecânica do palco. O restante dos objetos foi todo reproduzido, inclusive o abajur que compunha a decoração de cada mesa do cassino.
Já o ambiente da Rádio Nacional foi remontado em estúdio, na Central Globo de Produção. Para a elaboração do projeto, foram feitas mais de 60 plantas. O cenário preservou medidas semelhantes ao do verdadeiro auditório da rádio e tinha capacidade para aproximadamente 250 pessoas.

O ambiente do Cassino da Urca já havia sido mostrado na minissérie A, E, I, O… Urca, em 1990 – também dirigida por Denis Carvalho. E a Rádio Nacional, na minissérie Aquarela do Brasil, em 2000.

Reapresentada em formato de telefilme, em janeiro de 2015, dentro do Luz, Câmera, 50 Anos, em homenagem ao cinquentenário da Globo.
E reapresentada, na íntegra, no canal Viva (canal de TV a cabo da Globo), às 23h15, a partir de 16/11/2015.

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