Sinopse

Em Guaianá, uma pequena cidade litorânea, a interdição das praias, devido ao alto índice de poluição das águas, causa conflito com o responsável pelo turismo local. É a luta da integridade do prefeito Breno com Rafael, o vice-prefeito, dono do maior hotel da cidade e o principal interessado na liberação dos banhos de mar, pois só assim se garante o turismo na região.

Ao lado do prefeito, e contra a poluição e o deszelo com a saúde pública, está a esfuziante Tônia, comerciante local preocupada com seu povo; e o Dr. Munhoz, um médico humanista que nutre um amor platônico por Tônia, apesar dela namorar Juca e os dois viverem uma relação tempestuosa por causa do ciúme.

Mas Breno, Tônia e o Dr. Munhoz têm que enfrentar as artimanhas do autoritário Rafael, que faz de tudo para impedir a interdição das praias. A princípio, Rafael finge ser solidário com a causa do prefeito, mas está por trás de uma verdadeira campanha contra Breno, acusando-o de impedir o progresso da cidade. Coloca espantalhos pelas praias interditadas, os quais representam o prefeito que afugenta os turistas.

Além dos espantalhos, Rafael usa como arma um segredo que revela o passado misterioso de Geni, a bela mulher do prefeito. Rafael promete desmascará-la perante o marido caso ela não o influencie a favor da liberação das praias. Geni passa então a demonstrar-se contra as decisões de Breno, o que acaba por comprometer o seu casamento.

Rafael consegue finalmente a renúncia de Breno e assume a prefeitura. No entanto, à essa altura, ele descobre ter um aneurisma cerebral, o que o aproximava da morte. Dando mostras de desequilíbrio mental, Rafael começa a ter alucinações e vê espantalhos em seus pesadelos. Sabendo disso, Vasco, um funcionário que o odeia, veste-se de espantalho e começa a assombrá-lo.

Numa noite, Rafael resolve dormir na praia para matar a “assombração”. Mas acaba assassinado. Quem cometeu o homicídio foi Zé Pedro, o pai de Tônia. No início, Zé Pedro apoiava as atitudes de Rafael, mas arrependeu-se quando perdeu seu caçula, Reginho, morto por contrair hepatite. Em defesa de Tônia e para vingar-se, Zé Pedro matou Rafael.

Record / Tupi / TVS – 21 e 23h
de 25 de janeiro a junho de 1977
119 capítulos

novela de Ivani Ribeiro
direção de José Miziara e David Grimberg
supervisão de Luciano Calegari

JARDEL FILHO – Rafael Nascimento
NATHÁLIA TIMBERG – Corina
FÁBIO CARDOSO – Breno
ESTER GÓES – Geni
THERESA AMAYO – Tônia
ROLANDO BOLDRIN – Juca
HÉLIO SOUTO – Dr. Munhoz
CARLOS ALBERTO RICCELLI – Ney
CARMEM MONEGAL – Zilá
EDUARDO TORNAGHI – Dirceu
RENY DE OLIVEIRA – Andréia
WÁLTER STUART – Zé Pedro
WANDA KOSMO – Manuela
GUILHERME CORRÊA – Afrânio
LÉA CAMARGO – Santusa
SUZY CAMACHO – Laurita
JOÃO SIGNORELLI – Odilon
NEWTON PRADO – Mathias
ROBERTO MAYA – Padre Vicente
PERCY AIRES – Delegado Sampaio
IVANICE SENNA – Elza
LEONOR LAMBERTINI – Madrinha
RIVA NIMITZ – Zezé
MIDORE TANGE – Shizuo
RÉGIS MONTEIRO – Vasco
ARNALDO WEISS – Ataliba
ALEXANDRE SANDRINI – Quico
MARTA VOLPIANI – Verinha
ROBERTO MURTINHO – Chicão
LÍDIA COSTA – Dona Celeste
JEREMIAS SANTOS – Sabiá
GERALDO LOUZANO – Jairo
AUGUSTO POMPEO – Moacir
MARTHUS MATHIAS – Tobias
MARILENE DE CARVALHO – Leonor
MARIA HELENA PINTO – Rosa
o menino
WÁLTER MAGALHÃES – Reginho
e
MARLENE MARQUES – namorada de Dirceu
ANDRÉ LOUREIRO – médico

– núcleo de RAFAEL (Jardel Filho), vice-prefeito e dono do maior hotel da cidade litorânea de Guaianá, o Mar Azul. Autoritário, arrogante e ganancioso, depende dos turistas para seu negócio dar lucro. Descobre ser portador de um aneurisma cerebral e esconde de todos seu estado de saúde, que é agravado por fortes dores de cabeça e distúrbio de comportamento:
a mulher CORINA (Nathalia Timberg), abnegada e católica
os filhos NEI (Carlos Alberto Riccelli), rapaz inseguro e apaixonado por Mecânica
e ZILÁ (Carmem Monegal), mimada e leviana, retorna do Rio de Janeiro e torna-se aliada do pai em diversas vilanias
o recepcionista do hotel VASCO (Régis Monteiro), capacho de Rafael, morre de medo dele, que vive a provocá-lo
a empregada na casa de Corina LEONOR (Marilene de Carvalho).

– núcleo de BRENO (Fábio Cardoso), cunhado de Rafael, irmão de Corina, prefeito de Guaianá, homem íntegro e idealista, preocupado com o bem estar da população. Interdita as praias poluídas da cidade, dividindo o povo: uns são a favor de suas medidas, outros o condenam, pois a interdição afugenta os turistas. Rafael é seu principal opositor, já que perde hóspedes com a medida. Rafael afronta Breno mandando colocar espantalhos nas praias, que representam o prefeito que espanta os turistas:
a bela mulher GENI (Ester Góes), de quem sente muitos ciúmes. Ela esconde o passado de ex-rainha do strip-tease
a sogra DONA CELESTE (Lídia Costa), com quem não tem uma boa convivência
a prima invejosa de Geni, ANDRÉIA (Reny de Oliveira), professora, apaixonada por Breno. Sabe do passado da prima
a melhor amiga de Geni, ELZA (Ivanice Senna), de boa índole
o PADRE VICENTE (Roberto Maya), seu aliado, tenta convencer a população da necessidade da interdição das praias
o assessor do prefeito, SABIÁ (Jeremias Santos), seu puxa-saco entusiasta
a empregada na casa de Geni ROSA (Maria Helena Pinto).

– núcleo de TÔNIA (Theresa Amayo), dona de uma lojinha na praia, desbocada e barraqueira. Aliada do prefeito quando ele começa a interditar as praias poluídas. Odeia Rafael, que vive lhe assediando:
o pai ZÉ PEDRO (Walter Stuart), comerciante, tem uma barraca na praia, é contra o prefeito
o irmão pequeno REGINHO (Wálter Magalhães), que acaba vítima das águas poluídas
a amiga e parceira na barraca de Zé Pedro, MANUELA (Wanda Kosmo), aliada do prefeito, mulher despachada e sem papas na língua
o DR. MUNHOZ (Hélio Souto), médico da cidade, aliado do prefeito, apaixonado por Tônia. Acaba rendendo-se aos encantos de Elza
o ajudante de Zé Pedro na barraca da praia JAIRO (Geraldo Louzano).

– núcleo de JUCA (Rolando Boldrin), namorado de Tônia, com quem vive uma relação conturbada marcada pelo ciúme dela. Violeiro e dono do melhor restaurante de Guaianá. Alia-se a Rafael contra a interdição das praias, entrando assim em conflito com Tônia. Acaba seduzido por Zilá num plano de Rafael, que quer lhe comprar o restaurante:
o irmão mais novo DIRCEU (Eduardo Tornaghi), que vivia no Rio de Janeiro às suas custas. Retorna à Guaianá enganando que é formado em Medicina, mas gastava o dinheiro do irmão com noitadas com sua ex, Zilá. Acaba assumindo o romance e se casando com ela, passando a trabalhar no hotel de Rafael
seu funcionário no restaurante MOACIR (Augusto Pompeo).

– núcleo de AFRÂNIO (Guilherme Corrêa), dentista e jornalista, dono do jornal O Rebate, que apóia o prefeito, tornando-se antagonista de Rafael. Tem surtos nervosos quando ouve barulho, traumatizado por servir como soldado na Segunda Guerra Mundial:
a mulher SANTUSA (Léa Camargo), telefonista do hotel Mar Azul
a filha LAURITA (Suzy Camacho), moça ingênua que se apaixona por Nei, que dá em cima dela por pressão de Rafael, para que Afrânio passe para seu lado. É alvo do amor platônico de Vasco.

– núcleo de MADRINHA (Leonor Lambertini), vende empadas na praia e faz faxina nas casas. A maior fofoqueira da cidade:
as amigas com quem mora: ZEZÉ (Riva Nimitz), funcionária da prefeitura e fã ardorosa de Breno
e SHIZUE (Midore Tange), telefonista do hotel, apaixonada por Vasco, seu colega de trabalho. Zezé se corresponde no correio sentimental de revistas usando as fotos de Shizue, que é uma bela nissei.

– demais personagens:
SAMPAIO (Percy Aires), delegado de Guaianá
TOBIAS (Marthus Mathias), escrivão na delegacia
MATHIAS (Newton Prado), dono da maior imobiliária de Guaianá e cúmplice de Rafael em suas falcatruas
ODILON (João Signorelli), filho de Mathias, jornalista, trabalha nO Rebate. Namorado de Zilá no início
VERINHA (Martha Volpiani), amiga de Laurita
CHICÃO (Roberto Murtinho), pai de Verinha, dono de uma peixaria
ATALIBA (Arnaldo Weiss), dono da mercearia, aliado de Rafael. Acaba se tornando vítima da poluição das águas, contaminado letalmente por hepatite
QUICO (Alexandre Sandrini), sobrinho de Ataliba, flerte de Verinha.

Novela produzida pelos Estúdios Silvio Santos logo após a inauguração de seu canal de televisão no Rio (TVS, Canal 11). Em São Paulo foi lançada em janeiro de 1977 pela TV Record e suas filiadas, quando Silvio Santos era acionista da emissora. Mas no Rio, a novela só chegou em junho, quando já estava no final de sua exibição na rede.

O Espantalho estreou em janeiro de 1977 em São Paulo, às 21h15 (depois foi transferida para as 23 horas).
No Rio de Janeiro foi exibida de 01/06 a 18/11/1977, primeiro às 21h15 e depois às 19 horas.
A novela foi reprisada em versão compacta (60 capítulos) pela TV Tupi, de 02/05 à 04/08/1979, primeiro às 20 horas e depois às 19 horas.
Em 1983, o SBT, então recém-inaugurada emissora de Silvio Santos, apresentou uma nova reprise da novela, de 17/01 a 21/03/1983, às 20 horas.

Em 1979 os Estúdios Santos levaram ao ar sua segunda produção no gênero: a novela Solar Paraíso, apresentada apenas no Rio de Janeiro, pela TVS. Ao término de Solar Paraíso, a TVS reprisou 11 capítulos de O Espantalho, às 12h15, de 01 a 12/08.

A produção de O Espantalho apresentava um certo requinte, e as cenas externas propunham um jogo de imagens cinematográficas.

Todavia, o trabalho não apresentou o rendimento esperado por dois motivos básicos: a direção não conseguiu uma integridade entre atores e personagens, bem como não fez uma união perfeita das cenas gravadas em externas com as realizadas em estúdios; a novela foi ao ar com mais da metade já gravada, o que dificultou a autora no trabalho de criação em relação à aceitação do público.

Entretanto, a história, baseada em fatos verídicos, sobre praias poluídas, endossou uma vez mais o potencial de imaginação da autora.

A novela foi gravada em Suarão, distrito de Itanhaém, no litoral paulista, para representar a fictícia cidade de Guaianá.

Os cantores Wanderley Cardoso e Luiz Américo fizeram uma participação especial, cantando para a personagem Zezé (Riva Nimitz) em seu sonho.

Em 1993, Ivani Ribeiro somou a espinha dorsal de O Espantalho à regravação de Mulheres de Areia, como trama adicional. O resultado alcançado foi excelente e valorizou ainda mais o remake.

Um mistério movimentou a trama de O Espantalho: qual era a identidade da pessoa fantasiada de espantalho que matou o vilão Rafael (Jardel Filho)? Vasco (Régis Monteiro), o inseguro funcionário do hotel de Rafael, assumiu o assassinato alegando as constantes humilhações que sofria por parte do patrão. Mas, ao final, descobre-se que o assassino era Zé Pedro (Wálter Stuart), que responsabilizava Rafael pela morte de seu filho caçula, intoxicado pelas águas da praia.
No remake de Mulheres de Areia, Ivani Ribeiro manteve o mistério, mas mudou o desfecho: Virgílio (Raul Cortez) morre de susto – vítima de um enfarto fulminante – ao se deparar com o espantalho. Ao final da novela descobre-se que “o espantalho” era Tônia (Andrea Beltrão), filha de Zé Pedro (Carlos Zara), que assombrava Virgílio por responsabilizá-lo pela morte de seu irmão caçula – novamente, intoxicado pelas águas da praia.

A novela teve o título provisório de Águas Mortas.

Trilha Sonora Nacional
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01. FESTA NO MAR – Rolando Boldrin (tema de abertura)
02. GINGADO DOBRADO – Edu Lobo (tema geral)
03. CONTIGO – Adriana (tema de Geni)
04. RECEITA – Paulo Chaves
05. SÓ (SOLIDÃO) – Tom Zé
06. CAHINA-TIBEN – Agepê
07. A GAIVOTA – Ney Matogrosso
08. CANÇÃO MORRENDO DE SAUDADE – Célia
09. FLOR POLUÍDA – Silvio Brito
10. ESPANTALHO – Rolando Boldrin e Os Espantalhos (tema de Rafael)
11. TOADA – Edu Lobo (tema de Ney e Laurita)
12. LIMITE DAS ÁGUAS – Edu Lobo
ainda:
DEZ BILHÕES DE NEURÔNIOS – Paulinho Nogueira (tema de Juca)
CALMARIA – Rolando Boldrin

Trilha Sonora Internacional

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01. MUSIC IS MY WAY OF LIFE – Might Clouds of Joy
02. ISN’T SHE LOVELY – Peter Kelly
03. QUAND L’AUTRE N’EST PAS LA – Guy Mardel
04. BE MY GIRL – The Dramatics
05. SO DEEP IN YOUR EYES – Danny Stinger
06. PERFIDIA – Raphael
07. THE BEST YEARS OF MY LIFE – The Faragher Brothers
08. I CAN’T GET OVER YOU – The Dramatics
09. NEL TUO CORPO – Cristiano Malgioglio
10. YOU DON’T HAVE TO BE A STAR (TO BE IN YOUR SHOW) – Marilyn McCoo & Billy Davis Jr.
11. FEELINGS – Al Hudson & The Soul Partners

Sonoplastia e seleção musical: Laurindo Salvador
Coordenação geral de produção: Sidney Morais
Supervisão: Luciano Callegari

Tema de Abertura: FESTA NO MAR – Rolando Boldrin

Hoje é dia de festa
Hoje é dia de amar
Hoje é dia do pega e do deixa pra lá
Hoje é dia de pesca
Nas correntes do mar
Hoje é dia de ver a morena passar
Hoje é dia de roda
Do vestido grená
Da viola no colo e do passo pra lá
Hoje é dia do grito
Da cidade acordar
Hoje é dia de esperar

Mas o mar está triste, está quieto e ferido
Sua quebra na areia é trabalho perdido
A praia sem dono, sem rei e senhor
Já morre de sono, de medo e amor…

Veja também

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O Profeta (1977)

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Aritana

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Mulheres de Areia (1973)

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A Viagem (1975)

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Mulheres de Areia (1993)