Sinopse

A população da pequena Bole-Bole quer mudar o nome da cidade para Saramandaia. De um lado estão os Mudancistas, liderados pelos irmãos Evangelista: João Gibão (Sérgio Guizé) e o prefeito Lua Viana (Fernando Belo), que se sentem envergonhados pela origem do nome, relacionado a uma aventura local de D. Pedro I. De outro, o partido da oposição, com os Tradicionalistas, liderados pelo Coronel Zico Rosado (José Mayer), que evocam motivos históricos para manter o nome da cidade.

Enquanto se decide a causa central, Bole-Bole é palco dos maiores absurdos: João Gibão (Sérgio Guizé) possui asas; Zico Rosado (José Mayer) solta formigas pelo nariz; Dona Redonda (Vera Holtz) explode de tanto comer; Tibério Vilar (Tarcísio Meira), de tanto ficar em casa, criou raízes – literalmente; Seu Cazuza (Marcos Palmeira) ameaça cuspir o coração toda vez que se emociona; Marcina (Chandelly Braz), quando excitada, fica em brasa, queimando tudo ao seu redor; e o Professor Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes), além de virar lobisomem, há anos que não dorme.

Enquanto isso, retorna à cidade a bem-sucedida empresária Vitória Vilar (Lilia Cabral). Após ficar viúva, ela volta a Bole-Bole para consertar um erro do passado e acabar com a antiga rivalidade entre as famílias Vilar e Rosado. O confronto teve início no passado, com as desavenças entre seu pai, Tibério, e o falecido marido de Candinha Rosado (Fernanda Montenegro), deixando vítimas em ambos os lados.

A antiga rixa também produziu marcas profundas em seu coração, quando se apaixonou por Zico Rosado. Mas o romance não resistiu, pela desistência de seguirem o destino trágico traçado por seus pais. Com a volta de Vitória, o ódio e o rancor de Zico se desmancham no primeiro encontro. A paixão reacende entre os dois, desencadeando uma série de novos conflitos e a revelação de antigos segredos.

Globo – 23h
de 24 de junho a 27 de setembro de 2013
56 capítulos

novela de Ricardo Linhares
baseada no original de Dias Gomes
colaboração de Ana Maria Moretzsohn, Nelson Nadotti e João Brandão
direção de Natália Grimberg, Calvito Leal, Adriano Melo e Oscar Francisco
direção geral de Denise Saraceni e Fabrício Mamberti
direção de núcleo de Denise Saraceni

Novela anterior no horário
Gabriela

Novela posterior
O Rebu

SÉRGIO GUIZÉ – João Gibão
JOSÉ MAYER – Zico Rosado
LÍLIA CABRAL – Vitória Vilar
FERNANDA MONTENEGRO – Dona Candinha
TARCÍSIO MEIRA – Tibério Vilar
GABRIEL BRAGA NUNES – Professor Aristóbulo Camargo
DÉBORA BLOCH – Risoleta
VERA HOLTZ – Dona Redonda (Dondinha) / Dona Bitela
MATHEUS NACHTERGAELE – Encolheu
LEANDRA LEAL – Zélia
FERNANDO BELO – Lua Viana
MARCOS PASQUIM – Carlito Prata
LÍVIA DE BUENO – Laura
CHANDELLY BRAZ – Marcina
MARCOS PALMEIRA – Cazuza
ANA BEATRIZ NOGUEIRA – Maria Aparadeira
RENATA SORRAH – Dona Leocádia
ARACY BALABANIAN – Dona Pupu (Eponina Camargo)
LUIZ HENRIQUE NOGUEIRA – Belisário Camargo
ANDRÉ FRATESCHI – Dr. Rochinha (Antônio Rocha)
ÂNGELA FIGUEIREDO – Helena
LAURA NEIVA – Stela
PEDRO TERGOLINO – Tiago
GEORGIANA GÓES – Fifi
ANDRÉ ABUJAMRA – Maestro Cursino de Azevedo
ZÉU BRITO – Maestro Totó de Almeida
ANDRÉ BANKOFF – Pedro
THAÍS MELCHIOR – Bia (Bibiana)
ILVA NIÑO – Cleide
THEODORO COCHRANE – Delegado Petronílio Peixoto
MAURÍCIO TIZUMBA – Padre Romeu
CAROLINA BEZERRA – Dora
CAMILA LUCCÍOLA – Rosalice
VAL PERRÉ – Firmino
DJA MARTINS – Das Dores
e
DIEGO CRISTO – trapezista do circo (irmão de Maria Aparadeira)
JOSÉ AUGUSTO BRANCO – Dr. Meireles
LADY FRANCISCO – Mulher Barbada (mãe de Maria Aparadeira)
MARCOS OTÁVIO – Dinho (veterinário)
anão, pai de Maria Aparadeira
Nova versão da novela clássica de Dias Gomes, originalmente exibida em 1976. A adaptação coube a Ricardo Linhares, que já bebeu do realismo fantástico em novelas como Pedra Sobre Pedra (1992), Fera Ferida (1993-1994) e A Indomada (1997), escritas com a parceria de Aguinaldo Silva.

Ricardo Linhares foi muito feliz com sua adaptação de Saramandaia, tomando a história original e mantendo a sua essência, sem descaracterizá-la, apenas modernizando-a, trazendo tramas e personagens para os dias atuais com o mesmo vigor. E assim costurou outra novela, tão rica quanto a original.

Pena que a audiência não acompanhou – ou não pôde acompanhar: o horário ingrato pode ter sido um dos vilões (raramente a novela foi apresentada antes das 23h30). A trama fechou com uma média de 15 pontos no Ibope da Grande São Paulo, considerada modesta quando comparada com a das produções dos anos anteriores (Gabriela 18 e O Astro 19). Por um momento, no início da trama, a história priorizou o romance maduro e insosso entre Zico Rosado e Vitória Vilar (José Mayer e Lília Cabral), o que pode ter afastado o telespectador. A novela melhorou quando as discussões políticas e as esquisitices dos personagens passaram a ser o centro das atenções.

Com um elenco estelar, os destaques foram Sérgio Guizé (João Gibão), José Mayer (Zico Rosado), Vera Holtz (Dona Redonda), Matheus Nachtergaele (Encolheu), Gabriel Braga Nunes (Professor Aristóbulo), Débora Bloch (Risoleta), Fernanda Montenegro (Dona Candinha) e Aracy Balabanian (Dona Pupu).

O momento político atual se fez presente na novela. Se em 1976, a trama fazia uma metáfora com a ditadura do Regime Militar que assolava o país, nesta nova versão, o público reconheceu na história o escândalo do Mensalão e as manifestações populares que tomaram conta do Brasil entre junho e julho de 2013.
Os caras-pintadas dos anos 1990 e os jovens que fizeram a “primavera árabe” apareceram refletidos no movimento saramandista da trama. Pouco antes da estreia de Saramandaia, vários movimentos de manifestantes levaram milhares de pessoas às ruas em protesto. O momento tornou-se mais que oportuno para a novela.

“A primeira novela era atemporal, mas esta é fincada nos dias de hoje – os personagens têm celular, tablet, usam internet e tudo o mais. É um grande desafio para o realismo fantástico.”
“A novela original trazia uma metáfora da ditadura, que não caberia mais usar. Mas hoje em dia temos outro tipo de ditadura: a da intolerância às diferenças e a dificuldade de aceitar comportamentos fora dos padrões. O plebiscito para a mudança do nome é uma metáfora para o começo de um novo tempo”, observou Ricardo Linhares.
João Gibão (Sérgio Guizé) e o Professor Aristóbulo (Gabriel Braga Nunes), foram os baluartes deste movimento. Os personagens viviam à margem e “saíram do armário” – expressão fartamente usada na novela que traçou um paralelo pertinente com a questão gay. Homossexualidade tratada com perspicácia e sem didatismo.

Linhares aumentou o tom da fantasia e criou novos personagens, como Tibério Vilar (Tarcísio Meira), que criou raízes de tanto ficar em casa, e Vitória (Lília Cabral), que derretia de amor por Zico (José Mayer).
“O que eu mais aproveitei da história do Dias foram esses personagens emblemáticos. Mas as histórias são outras, não é simplesmente um remake”, explicou o autor.

Os efeitos especiais que faltaram na novela original encantaram o público nesta nova versão. O maquiador inglês Mark Coulier, premiado pela caracterização de Meryl Streep no filme A Dama de Ferro, foi consultor da equipe que desenvolveu a roupa especial que deixava Vera Holtz gorda.
“Os efeitos da novela original parecem toscos hoje, mas foi feito o que era possível na época. Antigamente, a Dona Redonda era gorda porque a Wilza Carla era gorda – já a Vera é gorda apenas em cena. O Gibão só mostrava as asas na última cena do último capítulo. Agora, elas aparecem logo no primeiro capítulo”, disse Linhares.

Saramandaia apresentou um apuro técnico dos mais avançados, com efeitos especiais dignos de produções hollywoodianas.
Também uma beleza estética “timburtoniana” (como referências na obra do cineasta americano Tim Burton), o que proporcionou alguns momentos emocionantes, de pura fantasia e bom gosto, como o voo de Gibão com sua amada Marcina (Chandelly Braz), a transformação do casal Candinha e Tibério em árvore, e até a explosão de Dona Redonda e as transformações de Aristóbulo em lobisomem.

A preocupação dos profissionais envolvidos no processo de transformação da Dona Redonda foi garantir mobilidade a Vera Holtz.
“Não podíamos perder suas expressões, seus movimentos”, disse Marcelo Dias, supervisor de caracterização, que trabalhou para que o corpo da personagem não ficasse enrijecido e chegasse ao resultado mais favorável.
Dez tipos diferentes de material foram utilizados nos cinco processos que deram vida a Dona Redonda. Em gordas camadas, seu corpo exigiu o desenvolvimento de técnicas de ventilação e hidratação para que a atriz não sofresse com o calor e a transpiração excessiva.
“O tecido espumoso é airado, distancia o corpo da Vera da prótese. É um respiro pra ela”, comentou Marcelo.

Para a composição do lobisomem (Gabriel Braga Nunes), a prioridade foi trabalhar com materiais translúcidos que permitissem rápida adesão à pele real e facilidade na pintura de tons amarronzados. O silicone utilizado ficava justo ao corpo do ator, dando formato à musculatura do lobisomem, e ajudava na colocação do pelo. Pela primeira vez, os técnicos utilizaram uma escultura e um molde em fibra de vidro para desenvolver o nariz do personagem em silicone. Quando encaixado ao rosto do ator, era impossível ver as marcas ou emendas na pele real. Todo esse processo, de encaixe do nariz e das demais partes do corpo do lobisomem ao do ator, levava cerca de cinco horas para terminar.
A família de Aristóbulo também mereceu destaque. A cabeça de seu pai, Belisário, foi moldada e pintada a partir do escaneamento do rosto do ator Luiz Henrique Nogueira, para então ser encaixada na redoma de vidro fabricada pela equipe de produção de arte.
A caracterização da divertida Dona Pupu (Aracy Balabanian), mãe de Aristóbulo, foi inspirada na estilista inglesa Vivienne Westwood. Seu cabelo laranja gerava certa estranheza, liberando-a da sisudez das tradições locais.

O objetivo da direção da novela sempre foi usar as possibilidades da computação gráfica, como retoques virtuais e composições 3D, da maneira mais realista possível, dentro da linguagem fantástica da trama. Por isso, o casamento entre o efeito mecânico e o efeito digital foi fundamental.

A novela teve cenas gravadas na cidade de Barreirinhas, nos Lençois Maranhenses. As cenas de fazenda foram gravadas em Bananal, São Paulo.

A preocupação da equipe de cenografia, liderada por May Martins, foi imprimir ecletismo na cidade cenográfica. O desafio era criar um lugar improvável, porém possível, e mostrar que Bole-Bole era, na verdade, a união de várias cidades brasileiras, das grandes às menores.

Para a morada do Professor Aristóbulo, a cenografia se inspirou em construções inglesas.
“A casa do Aristóbulo foi pesquisada em um site especializado em fotos de casas abandonadas. E os filmes de Tim Burton também têm uma influência forte neste trabalho. É como se a casa estivesse parada no tempo”, explicou a cenógrafa May Martins.
Além de filmes de Tim Burton, a casa de Aristóbulo também tinha referências em Harry Potter.

Já Dona Redonda morava em uma casa que remetia a um cupcake. A ideia foi construir com base em um doce, sem ares de desenho animado.
“Costumo brincar que a Redonda é um art nouveau com confeitos”, brincou May Martins.

O produtor musical Sérgio Saraceni contratou mais de vinte músicos para tocar de verdade nas gravações da novela. Na trama existiam duas bandas, de dois maestros rivais, Cursino (André Abujamra) e Totó (Zéu Britto).

Pavão Mysteriozo, do compositor Ednardo, foi a única música da versão de 1976 a entrar na trilha sonora da nova Saramandaia. Não mais como a canção de abertura, mas sim como tema de João Gibão.

Na novela, o padroeiro da fictícia cidade de Bole-Bole era São Dias, que tinha uma igreja em seu nome – uma homenagem a Dias Gomes.

Também, para reverenciar a obra de Dias Gomes, Ricardo Linhares fez uso de uma verborragia explícita nos diálogos de Saramandaia, que remetia ao personagem Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) de O Bem Amado (1973).

Músicas tocadas na novela

A COR DO DESEJO – Ney Matogrosso (tema de Vitória e Zico)
SE NÃO FOR AMOR, EU CEGUE – Lenine (tema de Risoleta e Aristóbulo)
LINDO LAGO DO AMOR – Adriana Calcanhotto (tema de Stela e Tiago)
IMAGINAÇÃO – André Abujamra (tema de Dona Candinha e Tibério)
XAMEGO – Fafá de Belém
ENQUANTO EU PENSO NELA – Zélia Duncan
PAVÃO MYSTERIOZO – Ednardo (tema de João Gibão)
ADORAÇÃO – Felipe Catto (tema de Marcina e João Gibão)
O TEMPO SOA – Quinho
CAPIM NOVO – Luiz Gonzaga
CHÃO, PÓ, POEIRA – Gonzaguinha (tema de locação: Bole-Bole)
JECA TOTAL – Gilberto Gil (tema geral)
O CIÚME – Deny e Dino (tema de Zélia e Lua Viana)
BOLE-BOLE – Péricles (tema de locação: Bole-Bole)
SARAMANDAIA – Sérgio Saraceni, Rodrigo Shá, Zé Canuto e Tim Malick (tema de abertura)

Veja também

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Liberdade Liberdade

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Verdades Secretas

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